Paradise Lost: Tempos Sombrios, Música Sombria
Resenha - Medusa - Paradise Lost
Por Tarcisio Lucas Hernandes Pereira
Postado em 13 de setembro de 2017
Após o lançamento do álbum "The Plague Within", de 2015, as expectativas sobre os futuros lançamentos do Paradise Lost foram parar na estratosfera, uma vez que o álbum então lançado trazia uma fortíssima pegada direcionada para os primórdios da banda, ainda que com alguns elementos da fase mais gótica.
Pois bem, eis que 2017 nos traz "Medusa", onde os mestres do Gothic Metal e do Doom entregam tudo isso que era esperado, e na verdade, muito mais.
O fato é: eis aqui um disco de Doom Metal em sua essência. Música sombria, arrastada, pesada e melancólica como apenas os caras do Paradise Lost poderiam conceber. O mundo atual está se transformando cada vez mais em algo sem esperança e caótico, e "Medusa" soa como uma tradução desse sentimento. Vivemos tempos cinzas, e a banda decidiu criar uma trilha sonora para tudo isso.
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Primeiramente, existe uma preponderância absoluta dos vocais guturais, o que reforça o lado pesado das composições. No entanto, nos poucos momentos em que os vocais limpos se fazem presentes, nos brindam com momentos de pura melancolia e suavidades ímpares, que só agregam ao conjunto da obra.
O Paradise Lost sempre mostrou ser uma banda inquieta e sem medo de ousadias. Sua discografia mostra claramente isso, e devemos sim respeitar essa versatilidade e coragem. Mas verdade seja dita: Essa volta às raízes que se insinuou no disco anterior e que se completa em "Medusa" está sendo de uma qualidade maravilhosa.
Como destaques, podemos pontuar:
-Medusa: a faixa título é uma das poucos onde os vocais limpos superam os vocais guturais. Essa faixa resume bem o que é todo o álbum. Apesar do andamento sempre arrastado, os arranjos são bem complexos, a bateria cria muitas variações entre as mesmas passagens, e temos até um solo de guitarra que, apesar de curto, é fantástico.
- The Longest Winter: outra que também investe nos vocais limpos. Lembrou me, não sei por que exatamente, os grandes momentos do Type O Negative (o que não é uma crítica, mas sim um elogio; adoro Type O Negative). Acredito que seja a mais triste de todo o àlbum.
- Fearless Sky: aqui temos um verdadeiro tributo à tudo que o Doom Metal representa.
Enfim, recomendado à todos os fãs da banda (a menos que você goste apenas do disco "Host" – que eu adoro! – mas nesse caso não há salvação). Recomendado também para fãs de bandas como Type O Negative, Tiamat, Candlemass e afins.
Recomendado também para todos aqueles que estão observando os tempos sombrios em que vivemos, e estavam esperando apenas a trilha sonora. Eis aqui.
Tracks:
1. "Fearless Sky" 8:30
2. "Gods of Ancient" 5:50
3. "From the Gallows" 3:42
4. "The Longest Winter" 4:31
5. "Medusa" 6:20
6. "No Passage for the Dead" 4:16
7. "Blood and Chaos" 3:51
8. "Until the Grave" 5:41
Banda:
Nick Holmes – vocals
Greg Mackintosh – lead guitars, keyboards
Aaron Aedy – rhythm guitar
Steve Edmondson – bass guitar
Waltteri Väyrynen – drums
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