Neil Young: uma experiência sensorial perfeita em "A Letter Home"
Resenha - A Letter Home - Neil Young
Por André Garcia
Postado em 21 de julho de 2017
Nota: 9 ![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
Sabemos que disco de covers, em geral, é um artifício usado por bandas em crise para bater o ponto e cumprir contrato. No entanto, o que esperar de um disco de covers feito por alguém que carrega em seus ombros uma carreira de meio século notória por surpreender o público? Uma surpresa, claro. Com A Letter Home, lançado em 2014, Neil Young exibe seu lendário domínio sobre a música folk com o acréscimo de uma atmosfera única obtida através do uso de uma tecnologia do passado.
Voice-O-Graph é uma invenção da década de 1940 que consiste numa cabine com um gravador do tamanho de um telefone, que permitia que as pessoas gravassem uma mensagem de voz num pequeno disco de vinil. Algo semelhante a um telegrama falado. Duas décadas depois essas cabines se tornaram obsoletas e caíram no esquecimento até que a Third Man Records, estúdio do Jack White, adquiriu uma e a reformou.
Hoje ela está disponível ao público e é usada para gravar todo tipo de coisa, como pedido de casamento, testamento e, é claro, música.
E foi justamente nessa cabine que foi gravada essa seleção de canções compostas por figuras consagradas da música folk, como Bob Dylan e Willie Nelson, e também nomes mais desconhecidos, como Tim Hardin e Bert Jansch. Os covers são executados pelo veterano canadense em versões acústicas, apostando numa simplicidade que realça a beleza e delicadeza das composições. O resultado se torna ainda mais especial devido à sonoridade obtida pela gravação analógica do Voice-O-Graph, um som de baixa definição com imperfeições e ruídos que te dão a sensação de estar ouvindo um gramofone, algo que seria impossível obter de forma digital. Parece que Neil Young entrou no DeLorean com um violão, voltou no tempo e depois retornou ao presente com esse álbum de baixo do braço.
Muitos admiradores de músicos e bandas dos anos 60 e 70 negligenciam seus trabalhos recentes, partindo do pressuposto de que eles perderam a relevância ou qualidade com o passar do tempo. Quem pensa dessa forma está certo em muitos casos, entretanto comete uma injustiça com Neil Young, que segue lançando discos que merecem ser ouvidos. E a prova disso é A Letter Home, que se encaixa em sua extensa e versátil discografia como seu trabalho mais intimista. Uma experiência sensorial perfeita para uma noite ao lado de uma fogueira.
Track list
1. "A Letter Home Intro" 2:16
2. "Changes" (Phil Ochs) 3:56
3. "Girl from the North Country" (Bob Dylan) 3:32
4. "Needle of Death" (Bert Jansch) 4:57
5. "Early Morning Rain" (Gordon Lightfoot) 4:24
6. "Crazy" (Willie Nelson) 2:16
7. "Reason to Believe" (Tim Hardin) 2:47
8. "On the Road Again" (Willie Nelson) 2:23
9. "If You Could Read My Mind" (Gordon Lightfoot) 4:04
10. "Since I Met You Baby" (Ivory Joe Hunter) 2:13
11. "My Hometown" (Bruce Springsteen) 4:08
12. "I Wonder If I Care as Much" (The Everly Brothers) 2:29
Outras resenhas de A Letter Home - Neil Young
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



A opinião de Tony Iommi sobre "Heaven and Hell", clássico do Black Sabbath
Os 50 melhores discos de todos os tempos, segundo a Classic Rock
A música mais pesada do Faith No More, segundo a Metal Hammer
Como o Queen, Sylvester Stallone e uma guitarra quebrada produziram o maior hit de 1982
Geddy Lee responde se o Rush vai gravar novas músicas com a baterista Anika Nilles
A música do Megadeth inspirada em personagem da Marvel
O álbum do Black Sabbath que a própria banda tentou impedir de ser lançado
Sepultura "rouba o show" no maior festival de heavy metal da Inglaterra, diz a Metal Hammer
A banda que poderia ter rivalizado com o Iron Maiden, segundo Regis Tadeu
Within Temptation deve levar músicos de apoio em próxima turnê
Novo álbum de Bruce Dickinson não seguirá história de "The Mandrake Project"
O segredo que Jimmy Page escondia de seus amigos mais radicais
Morte de Jeff Hanneman aproximou Tom Araya e Kerry King
O álbum dos Rolling Stones que foi estragado pela banda, segundo Mick Jagger
Johnny Ramone sentiu mais a morte de Dee Dee do que a de Joey Ramone



Neil Young escolhe os três maiores compositores de todos os tempos
Os dois gênios da guitarra que, para Neil Young, ajudaram a matar o rock
Os cinco maiores compositores de todos os tempos para Roger Waters
RHCP: O monstro saiu da jaula com um de seus melhores trabalhos


