Dark Avenger: um grau de maturidade impressionante em novo álbum
Resenha - Beloved Bones: Hell - Dark Avenger
Por Junior Frascá
Postado em 22 de junho de 2017
Nota: 10 ![]()
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Um dos maiores nomes do underground nacional, o DARK AVENGER finalmente lança seu 6º álbum, a aguardada primeira parte de "The Beloved Bones". E, sem sombra de dúvida alguma, temos aqui o ápice da carreira da banda até agora, e um marco no metal nacional.
Nesta primeira parte, "Hell" (que terá sua continuação com "Divine"), a banda trata dos "estágios mentais que qualquer pessoa provavelmente atravessará ao vive situações constantes de desconforto e infelicidade ("O INFERNO É A REPETIÇÃO"), como por exemplo um casamento sem amor, uma relação abusiva, violência sexual, abuso de drogas, uma doença grave, alcoolismo, dívidas, um emprego indesejado, enfim, inúmeras situações que tornam a vida do EU infeliz". E. para retratar isso, relatam um diálogo interno de uma pessoa, do EU com o EU, respectivamente representados pela razão e pela emoção, para ver quem predominará afinal (será?), e isso tudo de uma forma impressionante e genial, graças a um estudo profundo da psique humana realizado pelo vocalista Mario Linhares.
E, por isso, a banda soa tensa e pesadíssima como nunca havia soado antes, mostrando uma sonoridade totalmente renovada, cheia de elementos climáticos, modernos e com um tom obscuro que permeia todo o trabalho.
Produzido e mixado pelo guitarrista Glauber Oliveira, e masterizado na na Suécia por Tony Lindgren ((ANGRA, DRAGONFORCE, SEPULTURA, SOILWORK, etc), "Hell" possuí uma qualidade sonora perfeita, com tudo muito bem timbrado, e transbordando peso e agressividade, mas sem deixar de dar destaque aos elementos melódicos tão presentes por aqui, mesmo de forma mais dura e crua.
Logo na primeira faixa, "The Beloved Bones", já percebemos essa nova faceta da banca, com arranjos orquestrais de fazer cair o queixo, e o clima obscuro já dando suas caras. Impressionante também como o vocalista Mario Linhares evoluiu sua forma de cantar, mantendo a potência de sempre, de forma mais equilibrada e sem exageros, e agregando uma agressividade ainda mais latente, mas sem deixar de lado o lado teatral de suas performances. Realmente parece que estamos diante de uma verdadeira trilha de filme de suspense, e na qual é retratado o estado de inconsciência do personagem.
Por sua vez, "Smile Back to Me" é um pouco mais direta e crua, com ótimos coros de vozes, e um instrumental excepcional, com destaque para as linhas de guitarra, assim como ocorre em "King For a Moment", mais melódica, com o protagonista tentando fugir de tudo, questionando inclusive a fé.
"This Loathsome Carcass", por sua vez, é uma das faixas mais experimentais do álbum, com algumas influências de música do oriente médio, e uma riqueza de arranjos que não tem como não admirar, ao contrário de "Parasite", em que o peso volta com tudo, transcendendo a raiva do personagem, remetendo ao ICED EARTH na fase do maravilhoso "Dark Saga".
Novamente as melodias retornam com "Breaking Up Again", que inicia como uma balada introspectiva, mas logo ganha um peso absurdo, retratando o reconhecimento do lado Emocional de que não pode lidar sozinho com todos os problemas e sofrimentos sem a Razão. Aqui temos um trabalho instrumental fantástico, com Glauber Oliveira e Hugo Santiago (guitarras), Gustavo Magalhães (baixo) e Anderson Soares (bateria – um verdadeiro monstro) demonstrando muito talento.
Já a partir de "Empowerment", o álbum começa a ser menos, digamos, obscuro, pois embora o peso ainda esteja presente, as melodias são mais evidenciadas, sem a carga negativa até então presente, com a busca do equilíbrio entre a Razão e a Emoção.
"Nihil Mind" e "Purple Letter", por exemplo, possuem linhas mais tradicionais (remetendo aos primeiros álbuns da banda), refrãos grudentíssimos, e aquela brutalidade latente que não dá sossego ao ouvinte em momento algum do material até aqui (para nossa alegria!).
Encerrando o disco, a calma aparece! "Sola La Mors Liberat", é uma verdadeira peça de música clássica, introspectiva ao extremo, e que parece tocar a alma do ouvinte, novamente com Mário mostrando todos os seus talentos vocais, de forma realmente impressionante; e "When Shadows Falls" termina a história de forma bela e sentimental, com arranjos acústicos e belas harmonias.
Por isso, temos aqui um trabalho visceral, feito com muito capricho, dedicação e estudo, que transborda bom gosto, criatividade e paixão pelo estilo, merecendo aplausos de pé do ouvinte, tamanha a excelência atingida.
É sério, sem dúvida um dos melhores e mais criativos trabalhos nacionais que ouvi nos últimos anos, e que não pode faltar em sua coleção. Aproveite que a banda já iniciou a pré-venda do disco, que sairá em Agosto, para adquirir sua cópia.
The Beloved Bones: Hell – Dark Avenger
(Independente – 2017)
1. The Beloved Bones (INCONSCIÊNCIA)
2. Smile Back to Me (NEGAÇÃO)
3. King for a Moment (FUGA)
4. This Loathsome Carcass (VITIMIZAÇÃO)
5. Parasite (REVOLTA)
6. Breaking Up Again (SÚPLICA)
7. Empowerment (REFLEXÃO)
8. Nihil Mind (EQUILÍBRIO)
9. Purple Letter (CORAGEM)
10. Sola Mors Liberat (DECISÃO)
11. When Shadow Falls (LIBERDADE)
Outras resenhas de Beloved Bones: Hell - Dark Avenger
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