Arch Enemy: As The Stages Burn! (Live at Wacken 2016)

Resenha - As The Stages Burn! (Live at Wacken 2016) - Arch Enemy

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Por Agmar Raimundo
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Nota: 10

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

Parece até dejà vú quando se vê mais um lançamento ao vivo do Arch Enemy. Em 22 anos de estrada os suecos já estão em seu quarto álbum, numa comparação com outros grupos, citando como exemplo: o Metallica é de 1981 e tem os mesmos quatro álbuns ao vivo, e olha que é o Metallica – uma das melhores performances em matéria show businnes. Não que isso seja ruim, a questão toda é, queremos mais de Alissa White-Gluz; a impressionante voz e versatilidade demonstrada em “War eternal”, último álbum da banda, de 2014, tornou-se como um divisor estrutural nos shows da banda, já que como muitas das músicas que se tornaram fixas no setlist, percebe-se a presença delas no início, no meio e perto do fim dos shows. E assim, aconteceu em sua última apresentação no Festival alemão Wacken Open Air de 2016, local onde aproveitaram para gravar um DVD e um álbum “As The Stages Burn! (Live at Wacken 2016)”.

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O WOA é a Meca de qualquer headbanger. Eu mesmo, venho me preparando há seis anos para completar essa jornada, pretendo seguir esse caminho neste próximo ano, que será mais uma década completada em minha vida, pois ficar protelando é um saco.

O Arch Enemy é uma banda que tenho grande estima, quando ouvi “Nemesis” pela primeira vez, lembro-me que foi a caminho de uma excursão para Recife para assistir ao show do Nightwish ainda com ANETTE OLZON – ANGELA GOSSOW com aquela postura agressiva diante do close up da câmera, o jeito de segurar o microfone como se fosse um punhal forjado no aço, uma verdadeira guerreira medieval, sua voz não era nada desse mundo, não conseguia acreditar que daquele rosto lindo poderia sair sussurros tão demoníacos. Hoje é perfeitamente comum mulheres fazendo esse tipo de som, quando antes, quase que 100% era somente canto lírico misturado com Metal, que é muito bom também. SABINA CLASSEN (Holy Moses), foi uma pioneira; a voz dela é mais amena e combina o som thrash com um vocal bem semelhante a CHUCK SCHULDINER do Death. Por último, ALISSA WHITE-GLUZ (ex- The Agonist) agora Arch Enemy, peça daquilo que me interessa. Confesso que não prestava muito atenção à banda da qual fazia parte, digo mais - não gostava do som mesmo -, aquela coisa do vocal gutural e um mais refinado, não era a minha praia, além do fato de que Angela era uma rainha suprema entre as vocalistas no estilo. Quando ela pousou lindamente para uma foto divulgação com uma camisa do Sarcófago, aquilo me foi de um orgulho jamais descrito – coisas que nós mesmos não sabemos reconhecer.

Nesse álbum, concentrado praticamente nos quatro últimos da banda, ao ouvir, depois da “Intro”, a primeira música "Yesterday is Dead and Gone", percebe-se logo que “o bicho vai pegar”; em seguida vem “War eternal” e a madeira deita, é só cacetada. Essa coisa de Death Metal melódico, esses malditos nomes que precisam ser criados para encaixar uma determinada banda, acabam forjando grupos a serem o que nunca foram realmente, aqui, no caso, quando se utiliza o termo “melódico”, não é de melodia, pois a mesma expressão já é natural ao sincronismo rítmico à qualquer músico e/ou artista que seja um profissional, não é preciso estereotipar necessariamente o Death Metal, como se todos os outros que não estejam encaixados “melodicamente” falando sejam inferiores, a música é a música e pronto: existem os virtuoses, existem os clássicos, os agressivos, os populares, os ruins e os invisíveis. Cabe às pessoas, quando do amadurecimento musical, psicológico e de vida conseguir separar o joio do trigo – o que é bom do ruim -, a coisa está tão escarnecida e molestada que tudo agora têm outros lados, como se a música fosse um ser com vários sexos: ou é tradicional, ou melódico, sinfônico ou progressivo, haverá o dia que para gostar de música somente a livrando da escravidão estampado nos rótulos que as pessoas as dão e se dão.

Depois de ouvir o álbum em sua totalidade me despertou a curiosidade em saber como foi esse show ao vivo, já que o áudio é, sem dúvidas muito bom. Como não tinha o DVD em minhas mãos, apelei para o “Youtube” e consegui ver a reprodução das primeiras três músicas do show: "Yesterday is Dead and Gone"; "War Eternal" e “Ravenous”; confesso o alheamento de pensamento diante da grandiosidade que o grupo preenche o enorme palco do evento; Alissa, com um cabelo estilosamente pintado de azul bangueia nervosamente aqueles cachos lápis-lazúli, com um macacão parecido aos do “Startrek”, tipo couro ou látex, encantava a multidão, já que não parava um segundo no palco. Congratulações àqueles que participaram daquela noite especial.

O que dizer do repertório do álbum? basicamente é um setlist de um show de pouco mais de 60 minutos, onde a banda desfila seus grandes sucessos com total precisão, técnica e muita energia; claro que o fato de chegar para quem o ouve completamente editado e remasterizado, transformando-o numa peça industrializada não faz jus ao show, pois não apaga o fato de perceber o quão poderoso os são em cima de um palco, por isso a referência inicial ao alto número de discos ao vivo já gravados.

Fico embaraçado em fazer algum destaque entre as músicas nesta obra tão relevante desse primeiro semestre de 2017 – as canções do Arch Enemy não são fáceis em se apontar e dizer “essa é a melhor”, podemos dizer, uma mais destacada, em que os fãs tenham maior identidade. Por exemplo, a música que mais gosto da banda é “My Apocalypse”, mas no álbum em questão não funcionou tanto, não considero que a mesma seja uma música para show, rende um “corinho” aqui e acolá, mas nada além disso, ela não tem o mesmo gás que outras mais bem dotadas. O solo inicial de "You Will Know My Name" é fenomenal casando lindamente com o vozeirão de Alissa, aliás, assim como “Nemesis” foi composta para a Voz de Angela, essa foi composta para ela – brilhante – um belo destaque. A faixa-título do álbum “As the Pages Burn" é aquela para os fãs mais exaltados do mosh pit. A execução de “Avalanche” é algo sensacional, particularmente nunca tinha escutado nesse formato, a música nunca foi uma das minhas preferidas, aliás, longe disso, não entraria nem na minha terceira coletânea da banda. É uma daquelas que você não ouve apenas uma vez, vai repetindo – uma coisa boa na música pesada é que raramente temos alguma que se torna naquela grudenta, “chiclete”, até o dia que iremos ter tanto asco, que nunca mais a queremos por perto -, podemos ouvi-la quinhentas vezes e ela estará lá, intacta, novinha, como se tivesse saindo do forno naquele momento. O que comentar de “Nemesis”? É aquela música arrasta quarteirão de encerrar show, que o público espera ansiosamente, que canta do início ao fim olhando para o palco e vendo uma vocalista, imaginando outra. Alissa, impecável! Não poderia ter sido melhor, prova que é uma das melhores em sua categoria e sua forma física e disposição estão a todo vapor. Terminam com a linda instrumental “Fields of Desolations”. Agora é esperar que até o início de 2018 saia um com inéditas, até porque, já serão quatro anos para o último.

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