Morality's Asylum: resenha completa do primeiro álbum

Resenha - Morality's Asylum - Morality's Asylum

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Por Carol Manzatti
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Nota: 10

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

Vamos falar sobre Metal Progressivo. Logo vem à mente que esse review vai falar sobre técnica, complexidade, letras com uma mensagem profunda e coisas que estamos acostumados com relação a esse gênero. Sim, você tem razão! Mas não falaremos sobre bandas já conhecidas ou sobre algum álbum de prog metal que gera debate. Hoje o foco é apresentar uma nova banda.

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Morality's Asylum é uma banda brasileira (especificamente, de Campinas, São Paulo) que teve início em 2015. Fundada pelo baixista, tecladista e compositor Heitor Del Ciel e ao lado dos músicos Riq Therrys no vocal, Ricardo Domingues na guitarra e Daniel Moretti na bateria, a banda apresenta um projeto com músicas próprias, lançando o primeiro álbum (que leva o mesmo nome da banda) em 2016. Mas do que se trata o contexto do álbum? Vamos descobrir agora, falando sobre cada faixa!

Iniciamos com ‘’Hello There...Crazy People!’’. Eu nunca começo um review elogiando porque ao longo dele, vai que o elogio não vale a pena né. Mas dessa vez, vou abrir uma exceção. O baterista já tem minha atenção. O guitarrista aprendeu onde fazer o cérebro do ouvinte dar um nó assim nas primeiras linhas? E o baixista deu um tom de suspense que realmente me fez querer falar sobre esse álbum. Duvida?! Escute então. Nenhuma palavra dita, porém muito bem executado o início desse trabalho. Seguimos com ‘’Laws Don’t Matter’’, com um vocal agradável e firme, caiu como uma luva essa voz para esses arranjos. A cozinha (baixo e bateria) é excelente e o guitarrista se mostra sóbrio, linhas bem equilibradas. ‘’Disregarded Morality’’ realmente mostra a essência progressiva da banda. Algumas mudanças sutis no tempo ao longo da música dando um vigor maior à faixa, atenção aos solos do guitarrista e das viradas do baterista (que bom, terceira faixa e ainda não me arrependi dos elogios iniciais). Final com um tom melódico e muito bem feito. Próxima, ‘’City Of Mirrors -Broken Glass II’’ linda introdução seguida de uma pegada vibrante, letra expressiva (embora a idéia seja que cada música passe uma mensagem, mas essa me chamou a atenção), harmonia perfeita, destaque aos 4min e 8seg para o duo baixo e guitarra. Apenas na finalização da faixa poderia não ter a ‘’sobra’’ do prato e caixa, apenas deixar a guitarra silenciar e ponto final. Mas é um detalhe pequeno, coisa de escritora chata e detalhista.

‘’Hi There... Crazy People!’’. Não, não é a primeira faixa de novo. Essa me fez rir. Apenas instrumental, mas tem um tom engraçado, como se fosse possível imaginar uma cena, um cara louco andando e falando com ele mesmo, divagando sobre sua própria loucura (ou apenas um mero mortal cansado do dia a dia estressante e falando sozinho... igual você que acabou de ler isso e lembrou que também fala sozinho né). O arranjo no geral remete a esse contexto por não ser técnico, com um monte de linhas complicadas ou viradas exuberantes, é apenas alegre. Te faz achar graça de um jeito positivo. Não sei se a idéia do compositor foi essa ou eu que delirei um pouco. A seguir temos ‘’The ClockWork Paradigm’’. Sem medo nenhum de errar eu digo que essa está entre uma das mais belas músicas que já ouvi dentro do metal progressivo mundial. Enérgica, vigorosa e poderosa (e longa, exatamente o que esperamos do bom e velho prog). Não tem como desmembrar os instrumentos e falar sobre a perícia de cada um dos músicos, essa é um todo. E honestamente, essa me deu um nó na garganta tamanha a beleza da execução. Espero que você ao ler isso, duvide das minhas palavras e vá tirar a dúvida escutando. Se você não se apaixonar por essa música, volte aqui e me chame de louca, por favor. A próxima é ‘’Honor Among Thieves’’. No contexto ‘’baterístico’’ da faixa da pra notar uma pegada meio Dream Theater nos primórdios (há alguns elementos de um Portnoy um pouco mais crú porém habilidoso). Linhas fortes do baixo, guitarra vigorosa e refrão fácil de memorizar, uma boa característica essa porque gruda na cabeça e te faz escutar de novo e de novo....

“Hey There... Crazy People!”. Mas... de novo?! Não! Essa tem um tom bem melancólico, teclado e guitarra em perfeita harmonia (realmente linda), faixa curta (as faixas instrumentais até agora foram bem curtas porém bem feitas). Um detalhe que eu notei (não sei se foi essa a idéia mesmo ou apenas eu que percebi algo a mais) é que, em todas as faixas onde o nome termina com ‘’crazy people’’ é como se retratasse o pensamento de um personagem específico. Como se o fundo instrumental viesse seguido por palavras murmuradas por uma mente divagando (digo isso por conta de todas as faixas com esse nome trazerem uma pequena narrativa de um personagem em um tom mais baixo, como se apenas desabafasse e o som ao fundo simbolizasse o estado de espírito). Bem, se a idéia foi essa, foi bem criativo. A próxima, “The Pledge”, mais uma com linhas bem evidenciadas do baixo, guitarra um pouco mais pesada, riffs bem trabalhados, vocalista apresentando um timbre bem equilibrado até agora. O final da faixa emenda com o início da próxima, “The Turn”. Inicialmente segue a linha da anterior e evolui para uma pegada mais acelerada até a metade, seguindo agora um tom mais fechado, mais duro até o final (só não fez muito sentido as notas do teclado nos últimos segundos...). E fechando o álbum, “The Prestige”. Chega a ter um tom épico essa. Achei interessante, bem cadenciada. Sem exageros, harmonia, linhas bem feitas, desfecho direto.

Intenso. Essa palavra define bem esse trabalho. As letras representam uma pequena história ou um personagem, isso é claro. Cada um com sua moral, preso a algum conceito, idéia, dentro da própria mente. Na verdade me parece bem a cara da humanidade atualmente, várias prisões psicológicas, morais, estéticas. O nome da banda, traduzindo para um português bem simples já diz tudo, ‘’hospício da moralidade’’. Isso cai como uma luva na atualidade... Além das letras, as habilidades individuais de cada músico, dizem muito. É como se escutássemos um trabalho de uma banda com uma longa estrada. Com uma base bem sólida dentro do conceito de Metal Progressivo porém, com um estilo completamente único. Comparações sempre irão existir (há ligeiras pitadas de Fates Warning, Dream Theater, Symphony X, até um pouco do Liquid Tension, Queensryche) mas nesse caso são mais influências do que comparações óbvias, pois cada músico dentro desse trabalho demonstra um traço próprio. Esse álbum não tem cara de ser um primeiro trabalho, daqueles onde você passa um tempo repetindo cada faixa para entender ou conseguir gostar. Cada música tem um atrativo, algo que faz você gostar. Simples assim. Tirando os pequenos pontos citados nas finalizações de algumas faixas, não há erros, não há música ruim. Não tem, juro! Isso é oque mais me surpreendeu. E sinceramente, me deu até um pouco de orgulho de ver que ainda há bandas com talento real para criar, para pensar, para usar as influências a favor da inovação e destacar o próprio talento em cima disso. Como eu sempre friso em resenhas, opiniões são sempre pessoais. E um trabalho bem feito sempre é complexo, desperta pontos de vista para o lado bom ou absolutamente crítico. Então recomendo que você escute, realmente escute. Esse álbum tem músicas absolutamente maravilhosas que te fazem pensar ‘’isso não é álbum inicial coisa nenhuma! Olha isso!”, mas é um trabalho para ser absorvido como um todo. Coloque agora seus fones e entenda do que eu estou falando.

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Sobre Carol Manzatti

Ex-baterista, cozinheira, apaixonada por rock'n'roll. Viveria da música se possível, mas ainda não foi aceita no Iron Maiden, então seguirá só escrevendo sobre bandas. Fã do Darth Vader.

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