Frente Niilista: 11 faixas em 28 minutos, uma verdadeira explosão
Resenha - FN - Frente Niilista
Por D. Boon
Postado em 01 de outubro de 2016
Nota: 7 ![]()
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Quando falamos de música punk, rapidamente nos conectamos com aquelas pauleiras de menos de um minuto, sem nada de solos e com letras bobas e, às vezes, até um pouco mal elaboradas. Nesse sentido, esta banda foge um pouco desse convencional. Embora o punk seja feito para ser simples, não necessariamente precisa ser mal feito.
A Frente Niilista é uma banda formada em 2012, na cidade de Piracicaba, interior do Estado de São Paulo, por três jovens: Rafael (baixo/voz), Vinicius (guitarra/voz) e Esgalha (batera/voz). Logo de cara, não damos muita atenção ao álbum... porém, à medida em que o CD avança, a gente se surpreende. A maioria das letras é bem escrita e nos instrumentais também foi feito um trabalho legal.
Track-list:
1. Eu Não Quero Mais (2:32)
2. Ei, Humanidade (2:34)
3. Brian Deneke (2:24)
4. Henrike, o Punk (2:55)
5. Fim Da Estrada (2:32)
6. De Cabeça Pra Baixo (3:54)
7. Once de Septiembre (1:35)
8. Mais Bebida (1:21)
9. Se Eu Morresse Por Um Dia (2:40)
10. A Sua Salvação (2:54)
11. Qual o seu Medo? (2:34)
"Eu Não Quero Mais" soa mais como um grito de fúria adolescente contra algum padrão estabelecido.
"Ei, Humanidade" (que conta com um solo até um pouco engraçado) abre espaço para uma reflexão um pouco polêmica, de que, talvez, ainda nos encontremos sob uma ditadura -- não uma ditadura opressora nos moldes tradicionais tal como conhecemos, mas uma ditadura no sentido de que a sociedade está modelada em uma forma da qual dificilmente iremos sair; ou seja, a ditadura do pré-estabelecido.
"Brian Deneke" é um grito de justiça contra o preconceito, mais precisamente o preconceito contra os punks, os alternativos. Para quem não sabe, Brian Deneke era um jovem punk que foi assassinado aos 19 anos de idade. Isso ocorreu no Texas, EUA. Como a justiça na época mostrou-se falha, com um jovem punk assassinado e um bully solto pela justiça, ergueu-se não apenas nos EUA, mas em todo mundo, uma discussão em torno da impunidade. Nesta música da Frente Niilista, a banda grita: "um jovem garoto foi assassinado sem motivo nenhum, mas ele era muito mais do que um simples punk, ele era um ser humano."
"Henrike, o Punk" é uma letra que conta a história de um jovem punk que, para ganhar a vida, tem que abaixar o moicano, adotar roupas convencionais e procurar um trabalho. É um dos pontos fortes do álbum. Com apenas 4 acordes, este som é tocado no mais puro punk 77.
"Fim da Estrada" é uma música cantada pelo guitarrista. O instrumental é ao estilo de Ramones, mas a letra, marcada por um ar bem negativo, tem muita influência do grunge de Nirvana e Alice in Chains.
"De Cabeça Para Baixo" é, sem dúvida, uma crítica política. Mostra a revolta dos brasileiros que estão cansados não só do descaso que vem por parte de políticos corruptos, mas também da violência desenfreada que corre pelas cidades brasileiras. A música faz também uma crítica aos políticos que usam a violência para se auto promover. É a faixa mais longa do álbum, com quase 4 minutos. Nesta som, a banda mixou um discurso de Geraldo Alckmin, feito lá por volta dos anos 2000. Muito legal! Outro ponto forte do álbum.
"Once de Septiembre" é uma música muito boa também. Embora muitas pessoas pensem que o 11 de setembro se refira ao atentado em NY, nas torres gêmeas do World Trade Center, na verdade o 11 de setembro da música se refere ao golpe militar no Chile, durante o governo de Salvador Allende, no começo da década de 70.
"Mais Bebida" é uma das músicas que trazem aquele humor sarcástico do punk. É a música mais curta do álbum, com apenas 1:20 minuto. De tão simples que é, acabou tornando-se um dos clássicos da banda piracicabana.
Até aqui, o álbum se mantém forte. Daqui pra frente, o álbum entra numa certa decadência artística. As três últimas faixas do álbum são: "Se Eu Morresse Por Um Dia", "A Sua Salvação" e "Qual o Seu Medo", e definitivamente essas três últimas faixas não são tão empolgantes como as outras -- mas ainda assim são legais.
São 11 faixas em 28 minutos... uma verdadeira explosão.
Atualmente a banda está com uma nova formação (apenas o baixista e vocal continua).
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