Blues Pills: Os anos 60 continuam como influência
Resenha - Lady in Gold - Blues Pills
Por Erick Silva
Postado em 25 de agosto de 2016
Nota: 8 ![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
Inegavelmente, um dos melhores momentos do rock foi no final dos anos 60 para início dos 70. Época efervescente, em que surgiram (na medida em que desapareceram também) inúmeras bandas seminais, com discos e shows formidáveis. Janis Joplin, Jimi Hendrix, The Doors, The Who, Led Zeppelin, Deep Purple, Jefferson Airplane, Pink Floyd, Genesis... A lista é interminável, bem como a influência desses artistas para muitos grupos surgidos hoje em dia. Voltar ao passado, ser retrô virou uma espécie de "moda", e se isso é bom ou ruim, vai depender do grau de identidade de cada um.
No caso da Blues Pills, ela surgiu com uma proposta simples e direta: retomar aquele som de vocais femininos calcados no jazz e no blues, em especial, Janis Joplin. Com o seu auto-intitulado primeiro disco, conseguiram fazer algum barulho lá pelos idos de 2014. De fato, o mundo do rock atual se mostrou carente desse som mais orgânico, visto que a banda, apesar de boa, não apresentava um alto grau de criatividade, e, em alguns momentos, chegando a ser meio genérica. Eis que surge este segundo registro, e a responsabilidade de "evolução", ir além das influências. E, o resultado é uma (leve) melhora.
O fato de terem trabalhado melhor as músicas, colocando algumas nuances aqui, uns detalhes acolá, já fez toda a diferença. Nesse sentido, a primeira canção do disco, "Lady in Gold", pode enganar o ouvinte, achando que encontrará aqui só mais do mesmo. É quando a segunda faixa, "Little Boy Preacher", começa que o disco engrena, de fato. A partir daí, é ladeira acima, com a banda ainda tendo Joplin e e outros bambas do rock psicodélico como influência, mas, já tendo uma cara mais própria, que já pode identificar melhor quem é a Blues Pills.
Exemplo desse equilíbrio é "Burned Out", que mesmo em seu início lembrando o bom e velho Led, desemboca num som cadenciado, mas, também bastante melódico, que dá o tom do que a banda é capaz de fazer. Canção intensa, bonita, interpretada com vigor. Um dos pontos altos do disco. Os singelos arranjos de voz e piano em "I Felt a Change" alicerçam ainda mais a identidade do grupo, que se mostra promissora em compor músicas com ótimas melodias, sem descambar para o piegas. Prova de bom gosto.
No entanto, "Gone so Long" exagera um pouco na dose, caracterizando um canção um tanto arrastada e enfadonha, destoando da energia do restante do trabalho. De longe, a pior do álbum, apesar de apresentar uma parte final um pouco mais diferenciada. Impressão dissipada pela ótima "Bad Talkers", que com seu refrão pegajoso é perfeita para "incendiar" os shows do grupo. O puro blues de "You Gotta Try", que se alterna com momentos mais agitados, torna esta canção outro destaque do disco. Uma composição com carisma, digamos assim.
"Won't Go Back" é rock'n roll sem frescuras, com um baita trabalho de todos os instrumentistas. Apesar de divertida, "Rejection" não acrescenta muito, não. Tem umas boas linhas de guitarra, e só. Mais um ponto fraco do álbum. E, enfim, o disco se encerra com a boa "Elements and Things", que remete diretamente ao som psicodélico da era de ouro do rock. Fechou este trabalho da Blues Pills muito bem. Um trabalho, inclusive, que dá um passo além na carreira da banda. Mostra que ela pode oferecer bem mais. Basta usarem suas influências apenas como um "norte" a seguirem, evitando serem uma mera cópia.
Link da matéria:
http://blogpunhadodecoisas.blogspot.com.br/2016/08/dica-de-disco-lady-in-gold-2016-artista.html
Comente: O que você achou do álbum?
Outras resenhas de Lady in Gold - Blues Pills
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



"Esse disco acabou com minha paixão pelo heavy metal": Sergio Martins revisita clássico
A música do Iron Maiden que "deveria ter sido extinta", segundo o Heavy Consequence
Angra faz postagem em apoio a Dee Snider, vocalista do Twisted Sister
A pior música do pior disco do Iron Maiden, de acordo com o Heavy Consequence
Tony Dolan não se incomoda com a existência de três versões do Venom atualmente
Por que "Wasted Years" é a pior faixa de "Somewhere in Time", segundo o Heavy Consequence
Hulk Hogan - O lutador que tentou entrar para o Metallica e para os Rolling Stones
O álbum que é para quem tem capacidade cognitiva de ouvir até o fim, segundo Regis Tadeu
O guitarrista subestimado do Dio, segundo o baixista Jeff Pilson
BMTH e Amy Lee - "Era pra dar briga e deu parceria"
A melhor e a pior música de cada disco do Iron Maiden, segundo o Heavy Consequence
O disco "odiado por 99,999% dos roquistas do metal" que Regis Tadeu adora
"I Don't Care", do Megadeth, fala sobre alguém que Dave Mustaine admite ter implicância
A música do Rainbow que Ritchie Blackmore chama de "a definitiva" da banda
Os 5 melhores álbuns do rock nacional dos anos 1980, segundo Sylvinho Blau Blau
O cantor considerado o "Led Zeppelin dos anos 50" por Angus Young
Motley Crue: A primeira impressão de Tommy Lee sobre o Rio de Janeiro
As capas de Iron Maiden e Nevermore que foram feitas pela mesma pessoa e são semelhantes


CPM 22: "Suor e Sacrifício", o álbum mais Hardcore da banda
O fim de uma era? Insanidade e fogo nos olhos no último disparo do Megadeth
Alter Bridge, um novo recomeço no novo álbum autointitulado
O disco que "furou a bolha" do heavy metal e vendeu dezenas de milhões de cópias



