Blues Pills: Um álbum ao vivo já no início da carreira

Resenha - Blues Pills Live - Blues Pills

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Por Ricardo Pagliaro Thomaz
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Nota: 8

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

Se tem algo que é raro, é uma banda iniciante lançar um álbum ao vivo. Às vezes a empreitada funciona, mas tem vezes que fica claro que é meio cedo para acontecer isso. No caso do Blues Pills, a empreitada até que soou interessante, mas há alguns fatores que limaram o total potencial que havia neste lançamento ao vivo. Talvez seja até por isso que a distribuição deste disco foi limitada. A banda surgiu em 2012, com o EP Bliss e em 2014 lançou seu álbum de estreia que inclusive eu falei a respeito, e me mostrei bastante animado e receptivo com o disco. Aqui neste álbum ao vivo lançado, em Março deste ano, a banda acerta muito, mas tropeça em alguma coisinha.

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Dentre os muitos acertos que existem aqui neste lançamento estão o trabalho instrumental excelente do quarteto, que é irrepreensível. Tirando o máximo dos arranjos do seu disco de estreia, a banda demonstra inspiração e um ótimo repertório de músicas. A parte que achei negativa é a redução de tonalidade de grande parte das canções, coisa que achei desnecessário, dada a grande potência vocal da cantora Elin Larsson; não sei por qual razão eles estão reduzindo as tonalidades originais nos shows, mas achei que isso desmereceu um pouco as composições e todo o trabalho realizado no disco de estreia deles, até mesmo por se tratar de uma banda em início de carreira.

O show abre com a ótima e enérgica "High Class Woman" e segue a sequência do álbum de estreia com "Ain't No Change", precedida de uma jam instrumental ótima que faz a performance alcançar quase 9 minutos de duração, ambas as faixas com a tonalidade baixa em relação às gravações originais, o que meio que me desanimou um pouco, mas dá pra curtir. Ao final da faixa "Bliss", faixa do primeiro EP do grupo, a vocalista explica a origem do nome da banda.

Somente nas músicas "Dig In", "Time is Now", "No Hope Left for Me" e "Astralplane" é que as tonalidades originais são mantidas, o que é bacana, porque "Time is Now" é uma das minhas favoritas do álbum, na versão que eu comprei na loja ela veio como faixa bônus do primeiro disco, é bom avisar quem está querendo comprar o álbum que há versões diferentes dele; eu sempre vou atrás da versão mais completa possível.

Outro bom destaque aqui, apesar da tonalidade baixa, é "Devil Man", faixa que quando eu ouvi o Blues Pills pela primeira vez, já me apaixonei de cara, mas preferia escutar a tonalidade original, mais cheia de vivacidade. O show fecha com "Little Sun", faixa lenta e cheia de sentimento.

O Blues Pills aqui mostra bem o seu potencial instrumental, e seguindo os passos de bandas clássicas, como Blue Cheer, Led Zeppelin, Cream, a banda destila seu som nostálgico, seu Rock anos 60 aqui com carisma e uma boa performance, cheia de paixão. Uma pena que deixaram um probleminha tão minúsculo como a tonalidade atrapalhar um pouquinho, mas vai saber, às vezes gravaram as músicas no álbum mas aí a vocalista viu que não conseguiria alcançar as notas que teria que alcançar em uma apresentação ao vivo de longa duração.

Vamos torcer para que em um próximo lançamento eles levem este aspecto em consideração, porque eu curti demais a voz da Elin, acho que ela tem uma potência e uma altura vocal invejável, e é uma grande cantora, do porte de uma Janis Joplin mesmo, que interpreta as canções com paixão e sentimento. Mas a estrada ainda é longa, e há muito a se aprender. No geral, eu recomendo que vão atrás deste disco e ouçam uma obra que nos trás de volta os bons ventos do Blues Rock sessentista em sua melhor forma.

Blues Pills Live (2015)
(Blues Pills)

Tracklist:
01. High Class Woman
02. Ain't No Change
03. Bliss
04. Dig In
05. In the Beginning
06. Black Smoke
07. Time is Now
08. No Hope Left For Me
09. Devil Man
10. Astralplane
11. Little Sun

Selo: Crusher Records, Nuclear Blast

Blues Pills é:
Elin Larsson: voz
Dorian Sorriaux: guitarra
Zack Anderson: baixo
André Kvarnström: bateria

Discografia anterior:
- Blues Pills (2014)

Site oficial: www.bluespills.com

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Sobre Ricardo Pagliaro Thomaz

Roqueiro e apreciador da boa música desde os 9 anos de idade, quando mamãe me dizia para "parar de miar que nem gato" quando tentava cantarolar "Sweet Child O'Mine" ou "Paradise City". Primeiro disco de rock que ganhei: RPM - Rádio Pirata ao Vivo, e por mais que isso possa soar galhofa hoje em dia, escolhi o disco justamente por causa da caveira da capa e sim, hoje me envergonho disso! Sou também grande apreciador do hardão dos anos 70 e de rock progressivo, com algumas incursões na música pop de qualidade. Também aprecio o bom metal, embora minhas raízes roqueiras sejam mais calcadas no blues. Considero Freddie Mercury o cantor supremo que habita o cosmos do universo e não acredito que há a mínima possibilidade de alguém superá-lo um dia, pelo menos até o dia em que o Planeta Terra derreter e virar uma massa cinzenta sem vida.

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