Versus 3: Ainda se fazem power trios como antigamente
Resenha - Conflitos Crônicos em Primeira Pessoa - Versus 3
Por William Esteves
Postado em 20 de junho de 2015
Nota: 9 ![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
É gratificante presenciar o início de grandes bandas, especialmente quando se está perto delas. Mais do que isso, sente-se orgulho. O trio paulistano VERSUS 3 é desses que estreia como se fosse um grupo veterano, que sabe exatamente o que está fazendo e a quem quer comunicar. Estão há cinco anos na estrada e após o EP Vex Machina, de 2012, lançam "Conflitos Crônicos em Primeira Pessoa", digno dos melhores elogios.
Sem mais delongas, um riff de andamento entrecortado estoura na face ao dar o play. Imagens de "Palhaços" depressivos vêm à mente, regidos por um ritmo circense macabro. Versus 3 chega para derrubar, quaisquer que sejam, seus "inimigos no chão", ao passo que a música pega fogo. De repente, após algumas risadas escrachadas, uma teatralidade que remete à "Peephole" do SYSTEM OF A DOWN e "Mama" do MY CHEMICAL ROMANCE. Abertura em grande estilo.
"Anormal" seria não se apaixonar logo de cara pelas criações dos caras. Vocais doces de Murilo Lourenço e ferozes de Luiz Fernandes estão muito bem trabalhados, sem acariciar nem ferir a audição do ouvinte. Pouco mais de dois minutos e meio de puro feeling.
O baixo de Luiz dá as caras enquanto ele suspira para não sufocar-se na levada dark de "Visceral". O grupo faz "sua voz sair" e tem tudo para fazê-la ecoar na mente de quem procura por rock competente em terras tupiniquins.
"Simulacro", na sequência, mostra-se mais acessível ao grande público brasileiro, que se habituou nos últimos dez anos a ver, no nicho roqueiro, apenas bandas de hardcore e derivados alcançando sucesso nas paradas. E mesmo flertando com o estilo, não deixa nada a desejar à FRESNO, NX ZERO ou CPM22.
A balada "Reflexo" é um momento para reflexão sobre os conflitos que atordoam o eu lírico. O baterista João Luís Paes revela dinamismo para tirar a faixa do lugar-comum das músicas lentas. Luiz Fernandes faz dueto com uma voz feminina no último refrão, dando liga à ideia apresentada nas letras, porém não realizando o casamento melódico ideal, nem convencendo quanto à necessidade dessa inserção.
O álbum continua aliviando no peso em "À Deriva". Pelo menos no começo, pois te conduz a uma conclusão magistralmente elaborada pelas guitarras e vocais rasgados. Ponto positivo para o formato linear da composição, característica da renovação feita por novas bandas, como a SCALENE, de Brasília.
A harmonia dos vocais brilha em "Mal Necessário", a faixa mais cativante do disco. "Não demore mais/ Me diga o que você quiser/E dê o fora daqui" te levará a dar repeat boas vezes no smartphone. O riff simplista do início leva à ilusão de que esta será uma faixa crua, porém as guitarras vão crescendo, o baixo toma as rédeas no pré-refrão e você se pega totalmente envolvido pela VERSUS 3.
A dançante "Contra-Ataque" é digna de ser cantada em coro nas melhores baladas indie de São Paulo. Mas não se engane, ela tem o toque freak que é marca registrada do grupo. O clima festeiro é confirmado no final da música, com um não mais tão engraçado clichezão de conversas, berros e risos. Mesmo assim combina.
Dedilhados e guitarra chorosa fazem o pano de fundo para o mergulho no mar de medo em "Monólogo". A cozinha instrumental, então, entra em cena com força tornando o som um mini épico. É para aplaudir de pé.
"Interlúdio" é mais do que a maioria dos interlúdios por aí se propõem a ser. Sim, no Brasil se veem produções de primeira escala como este curto som.
Todos os 50 tons estão presentes em "Cinza", faixa que encerra Conflitos Crônicos em Primeira Pessoa. Os riffs são insanos e suas repetições foram bem colocadas. Dá vontade de mais repetições, na verdade. Porém, "menos é mais" e "gostinho de quero mais" são conceitos que permeiam a nova ordem do mercado.
Tem-se, portanto, um trabalho fantástico que merece reconhecimento. VERSUS 3 não deixa cair o nível no decorrer de "Conflitos Crônicos em Primeira Pessoa", cujas músicas dialogam entre si, deixando o álbum com um quê de conceitual. A melhorar, destaco a dicção das palavras, pois as letras são boas e é essencial que sejam compreendidas sem dificuldade. Se no mundo houver alguma justiça, haverá lugar ao sol para eles. Ainda se fazem power trios como antigamente.
O download gratuito desse trabalho está disponível no site oficial da banda:
http://vs3.com.br/discografia.html
Tracklisting:
1- Palhaços
2- Anormal
3- Visceral
4- Simulacro
5- Reflexo
6- À Deriva
7- Mal Necessário
8- Contra-Ataque
9- Monólogo
10- Interlúdio
11- Cinza
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



A música do Iron Maiden que "deveria ter sido extinta", segundo o Heavy Consequence
Por que "Wasted Years" é a pior faixa de "Somewhere in Time", segundo o Heavy Consequence
Tony Dolan não se incomoda com a existência de três versões do Venom atualmente
A banda brasileira que sempre impressiona o baixista Mike LePond, do Symphony X
BMTH e Amy Lee - "Era pra dar briga e deu parceria"
Líder do Arch Enemy já disse que banda com membros de vários países é "pior ideia"
"Esse disco acabou com minha paixão pelo heavy metal": Sergio Martins revisita clássico
Hulk Hogan - O lutador que tentou entrar para o Metallica e para os Rolling Stones
O álbum que é para quem tem capacidade cognitiva de ouvir até o fim, segundo Regis Tadeu
A música do Rainbow que Ritchie Blackmore chama de "a definitiva" da banda
Os 5 melhores álbuns do rock nacional dos anos 1980, segundo Sylvinho Blau Blau
O cover mais "sinistro" de uma música sua que Ozzy Osbourne ouviu
Morre Greg Brown, guitarrista e membro fundador do Cake
A melhor e a pior música de cada disco do Iron Maiden, segundo o Heavy Consequence
"I Don't Care", do Megadeth, fala sobre alguém que Dave Mustaine admite ter implicância
O artista que representa a linhagem mais rica da MPB, segundo Humberto Gessinger
O clássico do The Smiths que o perfeccionista Johnny Marr levou dois anos para compor
O solo de Slash que, para Kiko Loureiro, consegue o que Ritchie Blackmore fazia nos anos 70


CPM 22: "Suor e Sacrifício", o álbum mais Hardcore da banda
O fim de uma era? Insanidade e fogo nos olhos no último disparo do Megadeth
Alter Bridge, um novo recomeço no novo álbum autointitulado
O disco que "furou a bolha" do heavy metal e vendeu dezenas de milhões de cópias



