Vital Remains: O Aniversário de 8 anos de "Icons of Evil"
Resenha - Icons of Evil - Vital Remains
Por David Torres
Postado em 01 de maio de 2015
O tempo realmente voa e para quem é um admirador da música, uma forma simples de perceber isso é ver tantos álbuns de bandas que, mesmo sendo lançamentos relativamente recentes, já estão completando quase uma década de existência. "Icons of Evil", dos norte-americanos do Vital Remains, é um bom exemplo disso.
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Lançado em 24 de abril de 2007 através da Century Media Records, esse sexto registro de estúdio da banda foi produzido pela lenda do Metal Extremo Mundial Erik Rutan (Alas, Hate Eternal, Ex-Morbid Angel, Ex-Ripping Corpse) e apresenta uma ilustração de capa bastante controversa e polêmica, mas nem por isso mal desenhada, muito pelo contrário. A arte foi concedida pelo artista belga Kris Verwimp, que já desenvolveu ilustrações para diversas bandas, como Arch Enemy e Enthroned, e nela temos Jesus Cristo, com uma expressão horrível de dor e sofrimento, sendo atingido por um enorme martelo com a inscrição "666" em seu meio. Nem é preciso dizer o grande alvoroço que esse tipo de arte de capa causa nos cristãos e religiosos mais radicais e fervorosos, não é mesmo? Heresias e polêmicas a parte, vamos ao conteúdo subservo dessa obra.
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A introdução "Where Is Your God Now" une um "sample" extraído do início do clássico filme de terror "O Exorcista" (1973) a outro, retirado da cena da crucificação de Jesus Cristo em "A Paixão de Cristo" (2004). Essa introdução de quase dois minutos de duração já serve como um prelúdio para o que está por vir a seguir. Sem perder tempo, a banda entra em cena, rasgando os alto-falantes com a devastadora faixa título, "Icons of Evil". Contando com o mesmo "line up" que gravou o álbum anterior, "Dechristianize" (2003), encabeçado por Glen Benton (Deicide) nos vocais, Dave Suzuki (Churchburn) na guitarra solo, bateria e baixo e Tony Lazaro, o único membro da formação original da banda, na guitarra rítmica, a banda já entra arregaçando tudo e todos com uma bateria truculenta e impiedosa, urros monstruosos e descomunais e belos e bem trabalhados solos de guitarra, tudo muito bem acompanhado por fabulosas mudanças de andamento, inseridas nos momentos certos.
O disco prossegue com "Scorned", uma composição ainda mais violenta e rápida, possuindo uma bateria animalesca e "riffs" cortantes e insanos. Novamente temos quebras no ritmo da música e variações bem conduzidas de andamento que proporcionam uma atmosfera sombria e bastante apropriada, acompanhada por ótimos solos de guitarra e os guturais grotescos e tenebrosos de Glen Benton. A terceira faixa, "Born to Rape The World", é dona do título mais vil do álbum e não é nem um pouco menos agressiva do que as faixas anteriores, sendo mais uma porrada certeira nos tímpanos do ouvinte, suja, veloz e extremamente visceral e sem qualquer misericórdia.
Sem perder tempo, emendam com "Reborn... The Upheavel of Nihility". Essa faixa apresenta mais um desempenho devastador da banda, que não deixa pedra sobre pedra com sua avalanche de "riffs", solos e levadas brutais de bateria. Essa faixa merece um grande destaque, pois além das constantes mudanças de andamento construídas pelos músicos, eles também fizeram algumas inserções de belíssimos dedilhados na metade da composição, dando um toque ainda mais climático e formidável a essa ótima faixa.
A assoladora "Hammer Down The Nails" traz novamente alternância de trechos velozes e truculentos para outros mais arrastados e cadenciados, perfeitos para o ouvinte "banguear" incessantemente. Os solos continuam recheados de "feeling" e não soam em momento algum como alguma irritante "encheção de lingüiça". Um frenético e histérico solo inicia "Shrapnel Embedded Flesh", o sétimo ataque do álbum. Glen Benton continua despejando toda a sua ira e fúria através de seus urros extremamente guturais e Dave Suzuki e Tony Lazaro continuam destroçando os tímpanos do ouvinte da mesma forma, sem jamais perder a forma.
Logo em seguida, temos "Til Death", que se inicia com um ritmo crescente e "riffs" certeiros que não deixam o ouvinte indiferente, levando-o a "banguear" com a mesma intensidade do peso das guitarras. Em questão de alguns segundos, a música ganha uma velocidade no mesmo nível avassalador das faixas anteriores e entregando mais uma vez o que o ouvinte deseja ouvir. O final dessa obra malevolente fica reservado para "In Infamy", mais uma excelente faixa, nos mesmos moldes de todas as anteriores, jamais decepcionando por um segundo sequer e o curioso e inusitado "cover" para Disciples of Hell, de Yngwie Malmsteen. O "cover" pode soar deslocado na primeira impressão, mas ficou bem interessante, especialmente por encerrar o álbum de uma forma nada convencional e ainda entregar uma roupagem brusca e suja para a música composta originalmente pelo guitarrista sueco.
"Icons of Evil" não é nenhum clássico do Death Metal, mas certamente é um ótimo registro do estilo e vale a pena ouvi-lo diversas vezes. Assim como os demais trabalhos gravados pelo Vital Remains, é recheado de composições um pouco longas, mas que jamais soam tediosas ou cansativas. Também é importante mencionar que esse foi o último álbum de estúdio lançado pela banda até o momento. Quem é admirador de Death Metal e Metal Extremo em geral, assim como eu, deve estar torcendo para que lancem um novo material de inéditas assim que possível.
Escrito por David Torres
01. Where Is Your God Now
02. Icons of Evil
03. Scorned
04. Born to Rape the World
05. Reborn... The Upheaval of Nihility
06. Hammer Down the Nails
07. Shrapnel Embedded Flesh
08. Till Death
09. In Infamy
10. Disciples of Hell (Yngwie Malmsteen Cover)
Glen Benton (Vocal)
Tony Lazaro (Guitarra Rítmica)
Dave Suzuki (Guitarra solo / Baixo / Bateria)
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