Sun Walk & Dog Brothers: Cada disco tem uma história interessante

Resenha - Blues to Feel Good - Sun Walk & Dog Brothers

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Por Ricardo Pagliaro Thomaz
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Lembro que comecei a escrever aqui há pouco mais de 10 anos atrás. Foi onde vi que poderia me expressar com relação à coisa que mais amo, a música, Também estava descobrindo muitas bandas independentes na época, e queria torná-las conhecidas, então optei por escrever sobre uma que havia despontado há poucos anos e da qual pude ter bastante contato com os caras. Estou falando do Sun Walk and The Dog Brothers.

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E minha admiração pelo trabalho dos caras com o passar dos anos não diminuiu, pelo contrário, só aumenta cada vez que os vejo. Todo show do grupo é um grande evento. Eles conseguem canalizar muito bem a atmosfera do blues e misturar com ritmos e batidas diversas do rock, do soul, enfim, os caras transbordam talento na mesma proporção em que transbordam carisma. Cada disco do grupo tem uma história interessante por trás, não em relação a eles, falo mais a nível pessoal mesmo. Eu lembro de cada momento. O primeiro álbum, Blues Everyday, foi adquirido em um evento no Sesc de Ribeirão, o famoso Sesc in Blues, na época. Foi a primeira vez que conversei com eles. O segundo foi em uma apresentação sensacional do grupo em um dos cartões postais de Ribeirão Preto, o Teatro Pedro II. Foi uma noite fantástica, lembro até hoje de cada momento, caso me perguntem.

O terceiro álbum do grupo ribeirão-pretano foi uma noite meio maluca. Estávamos eu, meu irmão e uma amiga nossa nos interiores da faculdade USP, em meio ao gramado onde iria haver um evento musical, soubemos que o Sun Walk iria tocar por lá e lá estávamos. Houve outra apresentação antes de um grupo sertanejo e tivemos que aturar a bagaça. Lá pelas três e pouco da manhã o Sun Walk entra no palco e foi em outra dessas apresentações ótimas do grupo que veio o álbum, me lembro até hoje, direto da mão de Alexandre, o baixista. Chegamos em casa lá pelas 6:15 da manhã, exaustos mas contentíssimos.

O trabalho foi gravado em Fevereiro de 2004, de acordo com o encarte e levou 4 dias para gravar o disco, que foi mixado por ninguém menos que Big Gilson em um estúdio no Rio de Janeiro, com produção do próprio Fred e Big Gilson. Big Gilson é outro dos grandes e fortes nomes do blues em terra brasilis. Fred dedica o disco a seus irmãos, apesar de Alexandre não ter tocado neste e a seus fãs e pessoas que se identificam com suas letras.

O disco abre com "Funk on the Road", um ótimo começo, já demonstrando a versatilidade de Fred em misturar estilos com seu blues e uma pitada de funk, o legítimo funk, não aquela falta de cultura povoada de MCs, aliás, o ritmo funkeado é ponto forte também em "Tell Me That You Love Me So". "Happiness" é uma baladinha soul bem claptoniana, "To Be True" volta ao blues e conta com arranjos muito legais com som de órgão e Fred sempre bastante positivo em suas letras.

"Make Somebody Happy" é o slow blues do álbum, com mais uma grande performance de Fred na guitarra e arranjos do grupo que lembram toda aquela atmosfera de Chicago. E falando em atmosfera, um grande destaque aqui é "The New World is Coming", uma canção bastante animada e presença certa em muitos shows do grupo, além de ser uma das minhas favoritas.

Dando seguimento, temos a balada "If You Want Me", "Love Me More" com aquele climão de Muddy Waters, o blues tradicionalíssimo de "Give Me Bills No More", ótima para se escutar ao vivo, a faceta mais gospel de Fred aflorando em composições como "We Have a God Love", "We Lord", que fecha o disco e um blues for the road, a arrastada e cheia de feeling "I Want to Be with You".

Percebe-se bastante aqui neste disco o caráter bem mais pessoal de Fred na composição das letras das faixas. Também é muito boa a cozinha que acompanha o guitarrista, contando com Leonardo e o baixista Flávio Anchieta, mais o tecladista Thiago Monteiro, que cria as atmosferas certas para cada faixa do CD. A única coisa que torna o disco meio incompleto é a ausência de Alexandre; no entanto o baixista esteve presente nas apresentações do disco e continuou fazendo a festa com todos nós.

E essa experiência ao vivo do grupo fatalmente acaba se tornando uma experiência inesquecível, tão inesquecível que você sempre vai querer levar o CD para casa para relembrar de cada momento e curtir o som enérgico e cheio de sentimento desses extraordinários músicos. Acho que, no fim das contas é esta experiência on the road que realmente vale a pena, e é por isso que continuo acompanhando o Sun Walk e seus Dog Brothers por onde quer que vão. E se não os estou vendo ao vivo, remexo novamente no porta-luvas de meu carro e engato novamente um blues - to feel good.

Blues to Feel Good (2005)
(Sun Walk & Dog Brothers)

Tracklist:
01. Funk on the Road
02. Happiness
03. To Be True
04. Make Somebody Happy
05. The New World is Coming
06. If You Want Me
07. Love Me More
08. Give Me Bills No More
09. We Have a God Love
10. Tell Me That You Love Me So
11. I Want to Be with You
12. We Lord

Selo: independente

Sun Walk & Dog Brothers é:
Fred Sun Walk: guitarra e voz
Leonardo Rodarte: bateria

Com participação de:
Flávio Anchieta: baixo
Thiago Monteiro: teclado

Discografia anterior:
- To Change the Things (2002)
- Blues Everyday (1999)

Site oficial:
http://www.fredsunwalk.com




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Sobre Ricardo Pagliaro Thomaz

Roqueiro e apreciador da boa música desde os 9 anos de idade, quando mamãe me dizia para "parar de miar que nem gato" quando tentava cantarolar "Sweet Child O'Mine" ou "Paradise City". Primeiro disco de rock que ganhei: RPM - Rádio Pirata ao Vivo, e por mais que isso possa soar galhofa hoje em dia, escolhi o disco justamente por causa da caveira da capa e sim, hoje me envergonho disso! Sou também grande apreciador do hardão dos anos 70 e de rock progressivo, com algumas incursões na música pop de qualidade. Também aprecio o bom metal, embora minhas raízes roqueiras sejam mais calcadas no blues. Considero Freddie Mercury o cantor supremo que habita o cosmos do universo e não acredito que há a mínima possibilidade de alguém superá-lo um dia, pelo menos até o dia em que o Planeta Terra derreter e virar uma massa cinzenta sem vida.

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