Coldplay: Ouvir este álbum foi uma tarefa árdua
Resenha - Ghost Stories - Coldplay
Por Thiago El Cid Cardim
Postado em 08 de junho de 2014
Antes de qualquer coisa, preciso fazer uma confissão. Eu tentei. De verdade, eu juro que tentei. Por mais que não acredite nesta tal de "imparcialidade" (ser imparcial, para mim, é exatamente o contrário do que é ser crítico, mas esta discussão fica pra depois), eu tentei despir minha mente e meu coração de quaisquer preconceitos assim que começou a audição de Ghost Stories, o novo disco do Coldplay. Fui totalmente aberto.
Mas quando dei o play e a faixa de abertura, Always in My Head, entregou uma vibração etérea, quase Enya, tudo foi por água abaixo. Falhei miseravelmente. E já passei a odiar o disco logo de cara. Não fui capaz. Mesmo assim, fui persistente. E ouvi o diacho até o final. Passei a ter muito orgulho de mim mesmo. Porque foi uma tarefa árdua.
Juro que não consigo entender o Coldplay, por mais que eu tente. Não que toda a carreira deles seja um fracasso. Sou absolutamente capaz de enxergar alguns bons momentos. Mas o meu ponto é que eles são apenas "alguns". E Ghost Stories não está, definitivamente, entre eles. Estamos diante daquele que deve ser um dos discos mais esquecíveis da trajetória de Chris Martin e seus comandados.
Se ele simplesmente não tivesse sido lançado, em nada mudaria a discografia dos caras. Todas as músicas se parecem demais, sem sabor, sem brilho, misturadas. A necessidade de ser sempre meio místico, misterioso, cantando sussurrado, doce e fofo, com estrelinhas brilhando ao redor, chega a ser cansativa. Tudo fica com um sabor de balada açucarada, por mais que a letra aborde qualquer outro assunto mais espinhoso, mais complicado, mais desafiador.
É um disco de uma banda de rock no qual falta, vejam os senhores e as senhoras, rock. Porque, por mais fofa que uma banda queira ser, ela precisa se entregar, precisa mergulhar na canção, na performance. Ou então vira uma coisa blasé, do tipo "não me importo, não estou sentindo nada, mas sou uma gracinha de bom moço".
Em uma das edições do finado Top Top, um dos meus programas favoritos nas últimas encarnações da MTV, a simpática irlandesa Enya era definida como "não-música". Eles diziam que tudo que ela fazia era reunir meia-dúzia de suspiros, uns cantos de passarinhos e 1/3 de sons de água correndo e pronto. Tava resolvido. É exatamente isso que o Coldplay faz em O, a canção de encerramento da bolacha. Vira trilha-sonora para fazer yoga, podendo facilmente ser encaixada em qualquer um daqueles discos do tipo Sons da Natureza.
O restante das canções, honestamente, ajuda bem pouco. Em Magic, os minutos finais trazem um violão acústico que dá uma aceleradinha, dando um sabor mais especial. Mas fica nisso – e a música não consegue sair do 0 x 0. O single A Sky Full Of Stars ainda consegue ganhar um respiro, com um interlúdio tipo balada do David Guetta. Acaba criando uma sensação sonora absolutamente genérica, mas pelo menos consegue injetar um mínimo de animação no disco. Isso porque nem vou mencionar a insuportável Midnight, talvez uma das composições mais pentelhas do ano, com uma coleção de irritantes e intermináveis efeitinhos eletrônicos.
Num mundo digital e sem fronteiras, no qual é possível descobrir todos os dias dezenas de novas bandas, dispostas a experimentar, a dar a cara para bater, como diabos alguém ainda perde tempo com o Coldplay? E como diabos o Coldplay ainda perde tempo lançando uma bobagem como Ghost Stories em meio a uma indústria fonográfica em constante ebulição?
Juro que não dá pra entender.
Como eu disse, não consegui. Perdão.
Line-up
Chris Martin – Vocal, piano, guitarra
Jonny Buckland – Guitarra, vocal de apoio
Guy Berryman – Baixo, vocal de apoio
Will Champion – Bateria, percussão, vocal de apoio
Tracklist
1. Always in My Head
2. Magic
3. Ink
4. True Love
5. Midnight
6. Another’s Arms
7. Oceans
8. A Sky Full of Stars
9. O
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