République du Salém: RocknRoll contagiante e muito bem trabalhado
Resenha - O fim da linha não é o bastante - République du Salém
Por Felipe Cipriani Ávila
Postado em 26 de maio de 2014
Nota: 9 ![]()
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A banda paulistana République du Salém passeia por vários subgêneros do rock’n’roll, focando na sonoridade e visual da prolífica e inspirada década de setenta. As influências da banda são vastas, indo desde nomes como Led Zeppelin, Jimi Hendrix, The Allman Brothers Band, até a banda brasileira Os Mutantes. Lançado em abril de 2013, "O Fim da linha não é o bastante" é um trabalho que possui predicados de sobra.
Produzido por Brendan Duffey e Adriano Daga no Norcal Studios, localizado em São Paulo, no ano de 2012, "O Fim da linha não é o bastante" é fruto de muito trabalho e comprometimento, e o álbum por si só comprova tal afirmação com folga até mesmo para os mais céticos. A qualidade das composições, que mesclam várias sonoridades, indo do rock clássico, southern rock, folk, hard rock, até elementos de rock mais modernos, é bastante elogiável, fazendo com que esta não pareça ser a estreia em estúdio do conjunto, tamanho entrosamento, profissionalismo e criatividade.
O álbum já se inicia com uma música de alto nível, com uma introdução muito contagiante e repleta de energia. "Cidadão Kane" é magnífica em vários sentidos, seja no andamento e nas linhas vocais inspiradas e fortes, seja na ótima letra ácida, crítica, inteligente e muito bem construída. O ouvinte é brindado com todos os elementos que fazem do rock’n’roll como um todo um gênero apaixonante e singular, já que há ótimos riffs e solos de guitarra, aliados a uma cozinha muito competente e entrosada. E que solo final de guitarra, simplesmente excepcional e muito bem trabalhado! Um dos melhores petardos do trabalho!
Em "Corpo achado, bala perdida" temos um hard rock setentista pesado, que mistura muitas influências musicais, contando com um espetáculo à parte no que diz respeito às linhas vocais, que logo "grudam" na mente, principalmente no refrão vigoroso e marcante. Por outro lado, "Apenas uma canção de amor", como o próprio nome se pode fazer supor, é uma balada que logo chama atenção pela junção de bonitas melodias vocais e instrumentais. Há um solo de guitarra belíssimo e muito melódico, que deixa tudo ainda mais emotivo. Além do ótimo trabalho vocal de Davi Stracci, temos na faixa em questão a participação da cantora americana de gospel/bluegrass Rachael Billman, abrilhantando tudo ainda mais, na parte da letra escrita em inglês. Após uma canção tão apaixonante e delicada, logo somos "sacolejados" de jeito por um blues rock muito animado, com outra letra muito inteligente e atual, que versa sobre a alienação da sociedade moderna, que fica cada vez mais prisioneira do cotidiano e da mesmice. O vocalista Davi Stracci, mais uma vez, mostra o seu talento através de criativas e versáteis linhas vocais. Aliás, todos os músicos merecem menção e elogios, por serem muito habilidosos e dinâmicos. Outro ótimo solo de guitarra, para variar! "Sem hora pra voltar", inclusive, conta com um videoclipe muito bem produzido e interessante, que combina muito bem com a mensagem contida na letra.
As duas últimas faixas do play são repletas de qualidade. Em "Os homens" temos a segunda balada, que cativa prontamente pelas ótimas linhas vocais e pelo bonito e introspectivo solo de guitarra de Guido Lopes, que "toca na alma". Enquanto que "Expresso 212" logo explode após uma introdução mais lenta. Pesada, encorpada, classuda, são muitas formas de descrevê-la! Só ouvindo com atenção mesmo para compreender tantos elogios!
O trabalho foi tão bem recebido pelo público e crítica especializada que oito meses após o seu lançamento oficial já foi indicado para o Grammy latino na categoria de "melhor álbum de rock" do ano passado, ficando entre as cinquenta melhores bandas do país, superando bandas ativas há muito mais tempo.
É gratificante ouvir um trabalho tão bonito, bem trabalhado e com músicos tão talentosos e criativos. Tudo é elogiável, seja a arte de capa a cargo de Tiago Stracci, as belas e memoráveis canções, até a parte lírica muito inteligente e instigante. Permita-se entrar nesse trem, pois, posso te garantir, caro leitor, você não se arrependerá da viagem!
Confira o videoclipe da faixa "Sem hora pra voltar":
Formação da banda:
Davi Stracci – Vocal
Guido Lopes – Guitarra, violão e piano
Marcio Albano – Contrabaixo
Raul Lino - Bateria e Backing vocal
Faixas:
1 – Cidadão Kane
2 – Corpo achado, bala perdida
3 – Apenas uma canção de amor
4 – Sem hora pra voltar
5 – Os homens
6 – Expresso 212
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