Steel Panther: A piada ainda é boa. Mas por quanto tempo?
Resenha - All You Can Eat - Steel Panther
Por Thiago El Cid Cardim
Postado em 01 de maio de 2014
All You Can Eat, o terceiro disco de inéditas dos norte-americanos do Steel Panther, não tem apenas aquela que é, de longe, uma das melhores capas de discos do ano. Tem também uma coleção de canções pesadas, divertidas, grudentas e politicamente incorretas num grau que deixaria a patrulha das redes sociais de cabelos em pé (uma das músicas, batizada de BVS, é a sigla pouco sutil para "big vagina syndrome"). Sacanagem aqui é a palavra de ordem.
Steel Panther - Mais Novidades
Mas não se deixe enganar pelas piadas dentro e fora do palco, como que numa tentativa de revitalizar o estilo de vida de excessos das bandas de hair metal dos anos 80. Ainda que as letras tenham esta pegada de sátira/comédia, o som é realmente competente, cortesia de um time de veteranos na cena roqueira de Los Angeles, que já tocaram em bandas como LA Guns e o Fight (grupo solo do metal god Rob Halford).
Embora o disco abra com a pesada Pussywhipped, quase um metalzão tradicional sobre um sujeito que é levado na rédea curta pela namorada e acaba saindo do roteiro da curtição com os amigos, a farofa plena e absoluta é que toma conta na maior parte do tempo, sempre em tom de farra como no caso de Gloryhole (com uma letra surreal a respeito de um sujeito que vai a um clube no qual pode colocar o membro num buraco - e que não se importa com quem está lhe prestando uma dose de sexo oral do outro lado da parede) ou Party Like Tomorrow is the End of the World, cujo título auto-explicativo é um convite a transar com quem vier pela frente em pleno apocalipse na terra. Isso sem falar na power ballad cantada com o coração arrasado de nome Bukkake Tears - os pornógrafos de plantão não precisam de explicação a respeito do que é bukkake. Se você não sabe, precisa apenas entender que se trata de uma canção sobre um casal que acaba convidando mais uns dez caras a se juntarem a eles na cama - e cujo refrão diz assim: "There was so much love on your face I couldn't see the tears". Deu pra sacar, né?
Todavia, é preciso dizer: All You Can Eat é o terceiro disco de um projeto descompromissado - ou melhor, 100% comprometido com a zoação. Mas que não acerta em 100% dos casos. Em algumas canções, como Ten Strikes You're Out ou She's on the Rag, percebemos um pouco de cansaço na fórmula do Steel Panther, que chega a soar um tanto repetitivo e/ou genérico em sua proposta. Por outro lado, é impossível resistir aos encantos alucinógenos de "If I Was the King", cântico sobre como seria o mundo se o vocalista Michael Starr fosse o rei - um de seus mandamentos seria executar o One Direction, enquanto mulheres com roupas seriam consideradas foras-da-lei, já que seria a lei perfeita para saber se a garota está depilada ou então se é um "garoto" escondendo os documentos.
Tudo bem, chega a ser engraçado ouvir Vivian Campbell, atualmente guitarrista do Def Leppard, solando em uma canção batizada de Gangbang at the Old Folks Home, a respeito de uma orgia entre idosos acima de 75 anos. Mas o grande momento é mesmo a ode ao egocentrismo intitulada The Burden of Being Wonderful. Além do videoclipe impagável, a canção tem um refrão irresistível e uma melodia que é do tipo impossível de ficar parado. Isso sem falar na letra, que finaliza de maneira genial: "I'm just a Maserati in a world of Kias / Genius would describe any of my ideas / If I was born i 1453 Leonardo Da Vinci would be jealous of me / But a world of Stevie Wonders would never see".
A grande questão para os próximos anos, no entanto, é a seguinte: vamos ver se o Steel Panther resiste a um quarto disco de estúdio. Se a piada ainda vai ter graça para nós e para eles. Afinal, uma mesma piada, se repetida muitas vezes, passa a arrancar sorrisos tímidos e não gargalhadas. E o Steel Panther é banda para se bater cabeça e também para se sorrir - em partes iguais.
Line-up
Michael Starr – Vocal
Satchel – Guitarra
Lexxi Foxx – Baixo
Stix Zadinia – Bateria
Tracklist
1. Pussywhipped
2. Party Like Tomorrow is the End of the World
3. Gloryhole
4. Bukkake Tears
5. Gangbang at the Old Folks Home
6. Ten Strikes You're Out
7. The Burden of Being Wonderful
8. Fucking My Heart in the Ass
9. B.V.S.
10. You're Beautiful When You Don't Talk
11. If I Was the King
12. She's on the Rag
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



A banda de metal progressivo mais popular da história, segundo baixista do Symphony X
Segundo o Metal Archives, Arch Enemy lançará novo single nesta quinta-feira (19)
As 10 cifras de guitarra mais acessadas de todos os tempos no Ultimate Guitar
A música que resume a essência do Metallica, segundo o Heavy Consequence
A lista de prós e contras da entrada de Alírio Netto no Angra, segundo youtuber
Bloco Sabbath - Black Sabbath ganha bloco de carnaval em São Paulo
A música dos Beatles que George Harrison chamou de "a mais bonita" que o grupo fez
Rob Halford e Tom Morello deixam claro que o Judas Priest é, sim, uma banda política
Regis Tadeu detona Rock in Rio 2026: "Avenged é metal? Você está de brincadeira"
Dez clássicos do rock que viraram problema devido a alguma polêmica
Behemoth cancela shows na Índia após ameaças de grupos religiosos
Alissa White-Gluz abre o coração sobre impacto de saída do Arch Enemy
Morre Billy Steinberg, um dos grandes hitmakers dos anos 1980
Megadeth inicia tour que também conta com Exodus e Anthrax; confira setlist
A banda sem frescura que tinha os melhores músicos do rock, segundo Joe Perry
Raul Seixas: cadáver do cantor não havia se decomposto até 2012, segundo biógrafo
Heavy Metal: as piores capas dos grandes artistas do gênero


CPM 22: "Suor e Sacrifício", o álbum mais Hardcore da banda
O fim de uma era? Insanidade e fogo nos olhos no último disparo do Megadeth
Alter Bridge, um novo recomeço no novo álbum autointitulado
O disco que "furou a bolha" do heavy metal e vendeu dezenas de milhões de cópias



