Raimundos: "Cantigas de Roda" é um petardo na orelha
Resenha - Cantigas de Roda - Raimundos
Por Juliano Ramone
Postado em 08 de fevereiro de 2014
Nota: 8 ![]()
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Raimundos! Após um hiato de 12 anos (KavooKavala, 2002), a banda voltou ao estúdio e 2014 começa com ótimo, pesado, sujo e agressivo Cantigas de Roda. O tão aguardado álbum, projeto realizado via crowdfunding, posiciona a banda no lugar que sempre foi deles e até então ocupado por ninguém. Com produção de Billy Graziadei (Biohazard), Cantigas de Roda é um petardo na orelha e mostra a que veio. Vamos a um faixa-a-faixa:
Cachorrinha: é um presságio do que vamos encontrar nesse disco! HC rápido e nervoso, ao estilo Lapadas (impossível não lembrar de Véio, manco e gordo; CC de com força e; Crumis ódamis). Cantar nessa velocidade será um desafio, Digão mandou muito!
BOP: com guitarras pesadas e graves, a banda avisa: "enquanto os doido pedir, vamos continuar!" – como na profecia feita em Marujo, do início da década de 90. Lembra Be-a-bá e Tora tora. Sonzeira!!!
Baculejo: música já conhecida pelos fans, ganhou nova roupagem e é candidata a HIT! Daqueles punk rock ramônico lindo com refrão bubblegun que só o Raimundos sabe fazer.
Gato da rosinha: a banda não nega as origens e transforma mais uma do Zenilton em um baita punk-forrocore. Backing vocals e coros harmônicos; e o bom e velho triângulo está lá!!!
Cera Quente: hora de respirar e aqui a banda desacelera nessa balada punk. Fácil de cantar, vai cair no gosto popular rapidamente.
Rafael: com o fôlego recobrado, vamos novamente uma Lapada! Abre a roda que pra outro hardcore! Lembra Wipe out 2 e Crocodilo meio quilo. Porra, Rafael!
Descendo na banguela: talvez a melhor faixa do álbum! Música muito bem trabalhada, com diferentes nuances. Ótimas esfrofes, riffs e refrão matador, bebendo em fontes que vão de Poquito más à Pompém!
Dubmundos: outra pausa para respirar. Aqui a banda mostra novamente todo o seu leque criativo e manda um belo ska, com direito a metais Reel Big Fish-like, presentes também em outros álbuns. Dubmundos é tudo o que o Tihuana sempre quis ser e nunca conseguiu. Radiofônica, lembra Sublime e conta com a participação de Sen Dog (Cypress Hill). A linha de baixo é um destaque à parte.
Nó suíno: no refrão a banda desabafa se declara novamente ao HC. Um hino contra a "paumolescência". As guitarras me fizeram lembrar Metallica!! Ótima!
Importada do interior: velocidade e conteúdo explícito com solos bem aplicados! Aos 2 minutos de música um déjà vu de Esporrei na manivela, quase uma homenagem.
Gordelícia: voltam os metais em novo ska com potencial radiofônico. Introdução a lá Skuba, estrofe com métrica que me lembrou Bombando em Bagdá do Supergalo (!?). Opa, peraí caceta!
Politics: o título anuncia o tema dessa faixa, também já conhecida do público. Guitarras graves e um ritmo mais cadenciado para poder ouvir e entender o recado.
É o primeiro trabalho de estúdio dessa formação e o álbum não decepciona, pelo contrário, é muito bem vindo para o público que estava carente de rock pesado. Toda comparação é injusta, e ranquear os álbuns do Raimundos é tarefa difícil e desnecessária. O tempo de estrada deixou essa formação confortável e confiante na realização deste ótimo trabalho. Caio e Marquim deixam sua marca sem alterar o DNA Raimundo, enquanto Digão e Canisso se mostram em ótima forma! Todos os elementos que caracterizam e conduziram a carreira do Raimundos estão lá, bebendo nas mesmas referências, se reinventando sem perder a identidade. "Impressionante como esse cachorro não nega as suas origens!" Isso é Raimundos, muito respeito!!
1. Cachorrinha (part. Frango do Galinha Preta)
2. BOP
3. Baculejo
4. Gato da Rosinha
5. Cera Quente
6. Rafael
7. Descendo na Banguela
8. Dubmundos (part. Sen Dog do Cypress Hill)
9. Nó Suíno
10. Importada do Interior
11. Gordelícia
12. Politics (part. Cipriano e Billy Graziadei)
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