Alice Cooper: Um tributo ao rock chamado "Killer"

Resenha - Killer - Alice Cooper

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Por Ronaldo Celoto
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O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.


I – Introdução: O Encontro de Shakespeare e Arthur Rimbaud.
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Era uma vez um menino com alma shakespeariana chamado VINCENT DAMON FURNIER, que veio ao mundo em 4 de fevereiro de 1948 na cidade de Detroit, filho de ELLA & ETHER, que de repente, aos dezesseis anos, viu-se vestido como um integrante dos BEATLES em um concurso de talentos, ao lado de um grupo de amigos chamado THE EARWIGS, posteriormente rebatizados como THE SPIDERS, já com GLEN BUXTON na guitarra solo, JOHN TATUM na guitarra base (mais tarde, na formação conhecida como clássica, esta vaga caberia a MICHAEL BRUCE), DENNIS DUNAWAY no baixo e JOHN SPEER (durante a época clássica, esta vaga coube a NEAL SMITH) na bateria. Mas esta introdução termina por aqui, pois a história de um dos maiores ícones da música em todo mundo merece não uma resenha, mas sim, uma bíblia, que muito bem poderia ser batizada com o sugestivo nome de: “And God Created Shock Rock”.

Após o lançamento dos discos “Pretties For You” (1969), “Easy Action” (1970) e “Love It To Death” (1971), já com o nome ALICE COOPER (as lendas divergem, e, um delas diz que a adoção deste pseudônimo nasceu após uma sessão com um tabuleiro Ouija), chegava o momento deste gênio iconoclasta, começar a trazer um pouco mais à tona os seus demônios pessoais e teatrais. A produção ficou novamente por conta de BOB EZRIN, após o sucesso do último álbum, e, da canção “I’m Eighteen”, uma espécie de “My Generation” norte-americana, hino de uma juventude que assistia com incerteza o envolvimento de seu país no Vietnã e as transformações políticas no início da década. E o resultado chamou-se “Killer”, uma obra-prima em todos os sentidos, lançada no mesmo ano que "Love It To Death", e, que, apenas para inserir algumas curiosidades, foi eleito posteriormente por JOHNNY ROTTEN (SEX PISTOLS) como o maior disco de rock de todos os tempos, tendo este mesmo disco canções regravadas por JELLO BIAFRA WITH THE MELVINS (“Halo Of Flies”), GUNS N’ ROSES (“Under My Wheels”), HANOI ROCKS (“Under My Wheels”), JOE ELLIOTT (“Under My Wheels”), KATHEDRAL (“Desperado”), MOJO NIXON & SKID ROPER (“Be My Lover”), ICED EARTH (“Dead Babies”), JOHNY DEY (“Yeah, Yeah, Yeah”), RENÉE DUNAWAY (“Killer”), MICHAEL BRUCE (“Under My Wheels”) e muitos outros artistas.

Para completar o time de músicos, “Killer” (1971) contou com os adicionais teclados do próprio BOB EZRIN e a guitarra de RICK DERRINGER na canção inicial do disco, cuja saga, a partir de agora, iremos, com toda humildade, recontar. Abaixo, a foto com a formação da época.

II – Por Dentro da Mente de Um Gênio Iconoclasta

Iconoclastia é todo movimento associado à destruição de ícones e desmascaramento de heróis. É uma rebeldia que derruba, mas ao mesmo tempo, acrescenta-se como transformadora, inventiva, revolucionária. Um bom exemplo de iconoclastia ocorreu no Brasil, com a Semana da Arte Moderna de 1922. Na religião, a palavra iconoclastia possui o significado de oposição ao culto de quaisquer das imagens presentes em uma igreja. Mas, e quando a iconoclastia carrega dentro de si, uma imagem muito mais chocante do que aquela que pretendia destruir?

ALICE e sua trupe tinham muitas idéias, e, por detrás delas, a teatralidade e as maquiagens de forma pulsante, de uma forma que, sem perceberem, os lançava ao posto de ídolos, ao mesmo tempo em que os inseria na contracultura britânica que naquela época copiava a América e se inundava com maquiagens, mas, orgulhava-se por “apresentar” ao mundo esta imagem, e, oferecia nomes como DAVID BOWIE, THE SWEET, MARC BOLAN, e, tantos outros. Mas, qual o segredo de a Inglaterra se apossar de um rótulo que não criou?

Bom, a resposta, além do próprio contexto histórico que os coloca no estigma de, também no mundo da música, proclamarem-se como colonizadores (haja vista o que os BEATLES fizeram, adotando o rock americano como seu), o fato é que a Inglaterra, naquele momento, simplesmente “levou carvão a Newcastle”. Vocês poderão me perguntar: Mas como alguém leva carvão à maior produtora de carvão do Reino Unido? A metáfora é justamente esta. Eles chegam no quintal do seu vizinho (América), roubam-lhe o carvão e vendem ao próprio vizinho com a informação de que este carvão vinha da Europa.

Mas ALICE sabia muito bem o que criava, e, faria questão de que o mundo entendesse que, antes de ser genial, o seu teatro também era visual. E, diga-se de passagem, inesquecível, para quem tem a oportunidade de assistir a um concerto seu.

III – O Telefone Toca

Enfim, é chegada a hora de adentrar na poesia e no universo da mente deste grande disco, começando por “Under My Wheels”, a primeira e magistralmente clássica música de abertura, uma sinfonia do mais puro hard-rock para os ouvidos. É talvez uma das melhores canções de abertura já lançadas em um trabalho fonográfico, com riffs que, certamente, o menino SLASH ouviu centenas e centenas de vezes, antes de conhecer a fama. A letra é simples e direta, e, traduz a versão “bad boy” do adolescente que não podia de forma alguma levar sua garota ao show, pois a mãe estivera doente, e, de repente, mas ela não desgruda dele. Então, em meio a uma conversa telefônica, ele antecipa a surpresa que irá fazer para a sua “gata”, que nunca saiu de seu pé, e, agora, é ele quem dirige seu automóvel ensandecido em direção a ela, com a nítida intenção de causar uma noite cheia de aventuras. É o espírito do rock’n’roll, traduzido em quatro palavras: mulheres, carros, sexo e diversão. Pois, vamos um pouco à alegórica letra:

“The telephone is ringing
You got me on the run
I'm driving in my car now
Anticipating fun
I'm driving right up to you, babe
I guess that you couldn't see, yeah yeah
But you were under my wheels honey
Why don't you let me be
'Cause when you call me on the telephone
Saying take me to the show
And then I say, honey, I just can't go
Old lady's sick and I can't leave her home
The telephone is ringing
You got me on the run
I'm driving in my car now
I got you under my wheels
I got you under my wheels
I got you under my wheels”

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E, para abrilhantar a resenha, uma versão apaixonada dos HANOI ROCKS para esta canção.

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A música alcançou a colocação número 59 da Billboard. A palavra para definir a sua grandeza? É simples: rock’n’roll, baby!!!

IV – Um Amante ‘Desperado’

“Be My Lover”, escrita por MICHAEL BRUCE, alcançou o número 49 na Billboard, e, não por acaso, é uma das canções presentes em todas as coletâneas de Mr. ALICE. Com um dos melhores riffs para definir as canções da década de 70, em toda a sua parafernália glam, não é difícil encontrar resquícios similares (eu disse: similares, que significa ‘influenciados’) deste início de guitarra em canções de bandas como SLADE (“Dead Men Tell No Tales”), UFO (“Too Hot To Handle”), SWEET (“Little Willy”), HANOI ROCKS (“Don’t You Ever Leave Me”), lembrando também que a própria “Be My Lover”, por sua vez, cola no riff inicial de “Sweet Jane” (VELVET UNDERGROUND). Mas isto são apenas curiosidades, pois a música em si é estratosférica, perfeita, rítmica, e, conta a história de um encontro inusitado entre um homem e uma bela mulher, provocante e sexy, que chega de mansinho com um andar que desafia o pulsar do coração daquele observador, e, aos poucos, entre uma conversa e alguns goles, a realidade de ambos é revelada: ela, sedenta por uma grande noite; ele, um músico de uma banda de “cabeludos”, chamado ALICE, que ouve de forma suave e direta, o doce sussurrar dela, a lhe dizer:

“Baby, if you wanna be my lover
You better take me home
'Cause it's a long long way to paradise
And I'm still on my own”.

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Quer melhor definição, novamente nesta segunda canção, para a palavra rock’n’roll? É puramente simples: mulheres, sexo, whisky, e, uma bela noite de aventuras. É tudo que viríamos ecoar, anos mais tarde, em bandas como MOTLEY CRUE, POISON, WASP, HANOI ROCKS, GUNS N’ ROSES, e, tantas outras de grande calibre, que homenagearam muito bem, o que foi feito por ALICE COOPER e sua trupe neste álbum.

Chegamos à terceira canção, intitulada “Halo of Flies”, com mais de oito minutos de duração, complexa, cheia de variações musicais muito bem encaixadas, e, que, de acordo com palavras escritas por ALICE na compilação “The Definitive Alice Cooper”, foi uma prova da banda de que eles poderiam realizar canções ao melhor estilo das longas suites criadas pelo KING CRIMSOM e outros grupos de rock progressivo.

Foi composta por todos os membros da banda, e, trata-se de uma música poderosa, incrivelmente criativa, que fala, supostamente, sobre uma organização espiã da União Soviética conhecida como SMERSH. Pessoalmente, acho-a uma das mais climáticas e fantásticas canções já escritas por “Mr. NICE GUY” (se assim me permitem chama-lo). As linhas de baixo e bateria estão supremas, os teclados de EZRIN adentram em pequenas ressonâncias atmosféricas, assim como as guitarras de GLEN BUXTON e MICHAEL BRUCE. A voz de ALICE, cantada em uma tonalidadde mais baixa e algumas inserções de falsetes (aliás, quando não utiliza falsetes, ALICE tem uma voz natural belíssima).

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“Eu tenho as respostas
Para todas as suas perguntas
Se você tiver o dinheiro
Para me pagar em ouro

(...)
A elegância da China
Eles a mandaram para mentir aqui, diante de suas costas

(...)
Camisolas cintilantes
E cobras venenosas
O silenciador sob o calcanhar do meu sapato

(...)
Ela era uma senhora da Malásia
Ela realmente chegou sem surpresa alguma

(...)
Auréola de moscas
Eu cruzei o oceano
Onde ninguém poderia ver
E eu coloquei uma bomba-relógio
Em seu submarino
Adeus aos velhos amigos
O segredo está nas mãos
Com papéis de nota falsos
E planos falsificados
Você nunca entenderá”.

Em alguns pequenos trechos supracitados, que foram extraídos da letra, percebe-se, em mensagens subliminares, as aventuras de um antiherói espião, a alusão à China, e, ao final, a imputação da bomba no submarino de um “antigo aliado” (denunciando aí, a identidade soviética do espião). Talvez, a metáfora do escorpião que atravessa o rio sobre as costas de um sapo, e, ao final, pica-o, pois este é o instinto para o qual ele foi feito, seja servida numa alusão ao comunismo. Esta é certamente, a metáfora que eu decidi encontrar para descrever a minha vertente pessoal desta música.

Abaixo, por curiosidade, a regravação desta, muito bem executada por JELLO BIAFRA WITH THE MELVINS.

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E então, o glamour rock’n’roll das duas primeiras canções, intercalado por um mergulho nas aventuras de espionagem, conhece agora o clímax máximo de uma identidade totalmente hollywoodiana: “Desperado”, a quarta canção, maravilhosa, comumente presente nas coletâneas das melhores canções do músico (assim como todo o primeiro lado do álbum), foi escrita para o colega JIM MORRISON, após sua morte. Muito embora e a canção possa ser encaixada em qualquer vídeo ou filme do velho oeste, o fato é que, como o próprio ALICE escreveu no encarte do box “The Life and Crimes of Alice Cooper”, fato este noticiado pela revista “Rolling Stone”, durante o seu lançamento: "Eu fiz intencionalmente os vocais e letras como um tributo a JIM MORRISON. JIM era um companheiro de bebida e um dos primeiros adeptos (fãs) da banda que realmente significou muito para nós”.

No vídeo abaixo, o próprio ALICE também confessa ao público (logo no início), que compôs a canção para JIM, enquanto as imagens (muito bem encaixadas por um fã que criou este vídeo) registram momentos pessoais do ícone dos THE DOORS.

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“...Eu sou um jogador
E um fugitivo
Mas você sabia disso
Quando você se deitou
Eu sou um retrato
De histórias feias
Sou um assassino
Eu sou um palhaço
Caminhe pelas ruas ao pôr-do-sol
Caminhe para o seu último adeus...”

Fecham-se, então, as cortinas do primeiro lado deste disco que, apenas nestas quatro canções, já é um dos clássicos absolutos dos anos setenta.

V – Rebeldia, Bebês Mortos e Assassinatos

Vamos então, ao segundo ato? Que tal o próprio ALICE abrir novamente as cortinas do rock’n’roll?

E assim surge o riff pegajoso e o ritmo frenético de “You Drive Me Nervous”, uma canção fala sobre um adolescente de cabelos compridos, que não é muito bem compreendido pelos seus pais, que, por sinal, vivem uma vida de extremo conflito e discussões.

“É... você parece tão civilizado,
Sua mãe está a tentar
Controlar sua vida,
Seu pai está a tentar
Escolher sua esposa.
É... você corre por aí
Com toda esta cabeleira,
E, eles simplesmente não gostam
Destes trapos que você usa.
Você diz: "vou arrumar minhas coisas...eu vou fugir".
E então você diz:
- Vocês me deixam nervoso, nervoso, nervoso!!!”

Com um rock direto e simples, ALICE, BRUCE e EZRIN (autores da canção) continuam sua saga de inconformismo de uma geração, iniciada pela antológica e já mencionada “I’m Eighteen”, e, posteriormente, continuada com as fantásticas “School’s Out”, “Department Of Youth”, “Teenage Lament 1974”, e, assim por diante.

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Chegamos à “Yeah, Yeah, Yeah”, composta por ALICE e MICHAEL BRUCE, novamente, com os ingredientes do rock simples e direto, e, riffs já testados por DAVID BOWIE, numa letra um tanto quanto sobre sadomasoquismo/submissão erótica, mas de forma menos elaborada, ao melhor estilo que um dia fariam os geniais BLACKIE LAWLESS e IZZY STRADLIN, em canções apoteóticas como “Love Machine” ou “Sex Drive” ou “You Could Be Mine”, entre outras:

“Você pode ser minha escrava
E eu irei ser um estranho
Poderíamos estar em paixão
Poderíamos estar em perigo
Tirar você das ruas
E colocá-la sob minhas asas
Sim, você poderia puxar minha perna
Ou qualquer coisa
Você poderia ser o demônio
Você poderia ser a salvadora
Yeah, yeah, yeah”.

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Como curiosidade, esta canção traz um brilhante trabalho de ALICE COOPER a tocar harmônica. Uma vez mais, o rock’n’roll pediu passagem.

“Dead Babies”, penúltima faixa do disco, aborda uma temática um tanto pesada sobre o descaso infantil e os filhos não desejados pelos pais, que acabam por falecer vítimas de acidentes domésticos.

“A pequena Betty comeu um quilo de aspirinas,
Ela as pegou da prateleira na parede,
A mamãe de Betty não estava lá para salva-la,
Ela não ouviu o chamado de sua filhinha.

(...)
Papai é um agricultor no Texas
Mamãe esta no bar quase toda noite
Pequena Betty esta dormindo no cemitério
Vivendo lá em bordô e branco

(...)
Bebês mortos,
Não podem tomar conta deles mesmos.
Bebês mortos,
Não podem pegar coisas da prateleira.
- Bem, nós não queríamos você mesmo...
... Adeus, pequena Betty - ”.

Em uma época onde muito se falava de pílulas anticoncepcionais, abusos de crianças, e, a legislação mundial retomava discussões sobre o aborto de forma massiva, “Dead Babies” acabou por soar como uma “cantiga de ninar sombria” sobre a realidade de muitas famílias norte-americanas, um “conto de terror” para todas as casas mais conservadoras.

Com quase seis minutos de duração, a música, assim como “Halo Of Flies”, difere das demais, pois apresenta algumas variações rítmicas e uma letra mais bem engenhada. Aliás, o disco “Killer” apresenta em ambos os lados, uma fórmula muito similar: duas primeiras músicas a falar sobre rock’n’roll de forma direta e com grandes riffs, e, a seguir, uma canção mais metaforizada, crítica, com musicalidade mais abrangente. Era a banda de “Mr. Nice Guy”, de certa forma influenciada por BOB EZRIN e seus “segredos”, e, a brilhar como nunca num de seus melhores trabalhos até hoje, que alcançou o posto de número 21 na Billboard.

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“Killer”, última música, composta por MICHAEL BRUCE e DENNIS DUNAWAY, é um grande epitáfio sobre a mente autopunitiva de um assassino, que confessa, em tom de arrependimento, e, ao mesmo tempo, assustado por seus fantasmas, a sua passagem neste mundo.

“O que eu fiz para merecer tal sina?
Eu realmente não queria estar envolvido nisto.
Alguém me deu essa arma e eu,
Eu dei o máximo de mim.
Eu entrei para essa vida, olhei tudo ao redor,
E vi apenas o que gostava e peguei o que encontrei.
Nada veio fácil, nada veio de graça,
Nada veio de forma alguma,
Até eles virem atrás de mim.
O que eu fiz para merecer tal sina?
Eu dei o máximo de mim,
Agora preciso escapar.
Alguém próximo de mim, chamando meu nome...
...Eu dei o máximo de mim”.


É a metáfora da punição pelo assassinato, da pena de morte, consubstanciada pelas “vozes” que começam a surgir no final, a dizer o nome do assassino. O que seriam elas? Seria a voz da multidão? Do carrasco? Ou dos demônios que o chamam, para abraçá-lo, enquanto ele se esfalece, e, conduzi-lo às portas do inferno? Independente da conclusão a que cada um de nós puder chegar, a canção permite múltiplas interpretações, e, pessoalmente, eu ofereci a minha, baseada no enforcamento de ALICE que era reproduzido nos shows enquanto a música era apresentada. A capa mexicana deste álbum, aliás, é específica quanto a reproduzir a imagem de ALICE enforcado - esta imagem também vêm reproduzida na parte de dentro do LP de algumas das primeiras prensagens norte-americanas, incluindo um calendário de 1972.

O final de "Killer" é apoteótico, com o ressonar de um órgão de igreja e vozes, como que num ritual de passagem, a celebrar o triunfo da morte sobre a vida, de forma dantesca. É como estar a ler “A Divina Comédia” (foto abaixo), do poeta DANTE ALIGHIERI, e, encontrar algumas ilustrações de GUSTAVE DORÉ sobre o inferno.

Para corroborar com a ideia proposta pela canção “Killer”, decidi reproduzir abaixo, o vídeo de uma apresentação do ano de 1972 desta magnífica epopéia, onde, de forma teatral, vê-se ALICE ser enforcado. Brilhante canção!!! Brilhante desfecho para um disco no início de uma das épocas mais criativas do universo da música!!!

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VI – A Eternidade É Apenas O Começo

A eternidade é apenas o começo. Talvez seja esta a frase para definir este fabuloso trabalho de ALICE COOPER. Não tenho dúvidas em dizer que “Killer” está entre os três melhores álbuns de sua carreira. É um tributo ao bom e verdadeiro rock. Não tem talvez, o chamado de marketing impactante (com direito a impressão de notas de dólar com o rosto de ALICE e, campanhas pelo país todo na época de seu lançamento) e a produção mais consistente do ótimo “Billion Dollar Babies”– que é considerado pela grande maioria como seu melhor trabalho (embora a meu ver “Killer” seja tão bom quanto), mas certamente, é um dos discos que influenciou gerações e gerações que conheceram o trabalho do nosso sempre amado “Mr. NICE GUY”.

O poeta português FERNANDO PESSOA costumava dizer que “o próprio viver é morrer, porque não temos um dia a mais na nossa vida que não tenhamos, nisso, um dia a menos nela”. Para ALICE COOPER, a morte nunca foi estranha. Em alguns momentos, ela foi objeto do seu desejo e de sua inspiração musical/teatral. Um dia, ele mesmo já disse e cantou: “I Love The Dead”.

Mas, ao invés de nos preocuparmos tanto com a morte, vamos celebrar a vida de forma grandiosa, ouvindo este fantástico registro. Afinal, os covardes e convencionais morrem várias vezes antes da sua morte, mas um artista corajoso e iconoclasta como ALICE COOPER, que decidiu transpor e chocar a todos através da música, acaba por não morrer nunca nos corações de todos nós, que tivemos e temos a honra de conhecer, dia após dia, as suas canções.

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Sobre Ronaldo Celoto

Natural do Estado de São Paulo, é escritor, professor, poeta e consultor em direito, política e gestão pública. Bacharel em Direito, com Mestrado em Ciência Política, atualmente cursa Doutorado em Direito, Justiça e Cidadania pela Universidade de Coimbra. Além destas atividades, dedica diariamente parte de seu tempo à pesquisa e produção de artigos científicos, contos, romances, matérias jornalísticas, biografias e resenhas. Seus interesses pessoais são: cinema, política, jornalismo, literatura, sociologia das resistências, ética, direitos humanos e música.

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