Velho: Senhor de tudo e Vida Longa ao Primitivo
Resenha - Senhor de tudo e Vida Longa ao Primitivo - Velho
Por Danilo Godinho
Postado em 28 de outubro de 2013
Com uma produção sem modernidades sonoras, feito apenas com paixão ao estilo seguido e com um jeito simples e direto, Velho nos brinda com um fugaz Black Metal, sem estrelismo. E que consegue se destacar em sua letal simplicidade tendo um acolhimento auditivo absurdo. Pois há momentos em que suas letras que por vezes relatam revoltas, por vezes ataques instituições e ainda, viagens intrapessoal e voltadas à ideologia fortemente individualista que visam a negação do dito "semelhante".

Assim, vamos destrinchar as músicas do CD.
1 Uma trilha sem pegadas
A negação de qualquer entidade religiosa é posta à prova. Um delírio consumido pela massa e aqui é restituído pela verdade. O que há é uma arte restituída de ódio e rancor, uma música que exala uma afronta sem igual pelos dogmas estabelecidos dos puritanos. Tendo um riff marcante cadenciado pela bateria e um baixo de extrema presença. Um ótimo cartão de boas vindas.
2 O poder é real
Deixando uma indagação sobre a busca do "real poder" ou como falaria Platão "um elogio à velhice". Um confusão sonora trazendo que nos leva à estagnação sobre uma busca e um encontro do obscuro obtido pelo inconsciente. Uma visão psicótica em busca de ´´(...) um outro poder.``

3 Perto dos portais da loucura
Uma das letras mais aterrorizantes e doentias em português. Uma viagem alucinógena atrás da perturbação mental para uma individualização onipresente e um decrépito instigado ao dito ´´próximo/semelhante`` para uma busca de um conhecimento inalcançável (O que há é uma reflexão introspectiva beirando a demência mais desenfreada possível de ser pensada). Um instrumental a lá heavy metal anos 80. Uma bela linha de guitarra para a letra proposta, sendo crua e direta sendo o pano de fundo para o estrondoso vocal de Caronte.
4 Senhor de tudo
Caronte vocifera a praga que perambula nesse mundo sobrepondo a nefasta tradição de um vivência básica e casual sobre o óbvio.
Rogerio Antonio dos Anjos | Luis Alberto Braga Rodrigues | Efrem Maranhao Filho | Geraldo Fonseca | Gustavo Anunciação Lenza | Richard Malheiros | Vinicius Maciel | Adriano Lourenço Barbosa | Airton Lopes | Alexandre Faria Abelleira | Alexandre Sampaio | André Frederico | Ary César Coelho Luz Silva | Assuires Vieira da Silva Junior | Bergrock Ferreira | Bruno Franca Passamani | Caio Livio de Lacerda Augusto | Carlos Alexandre da Silva Neto | Carlos Gomes Cabral | Cesar Tadeu Lopes | Cláudia Falci | Danilo Melo | Dymm Productions and Management | Eudes Limeira | Fabiano Forte Martins Cordeiro | Fabio Henrique Lopes Collet e Silva | Filipe Matzembacher | Flávio dos Santos Cardoso | Frederico Holanda | Gabriel Fenili | George Morcerf | Henrique Haag Ribacki | Jorge Alexandre Nogueira Santos | Jose Patrick de Souza | João Alexandre Dantas | João Orlando Arantes Santana | Leonardo Felipe Amorim | Marcello da Silva Azevedo | Marcelo Franklin da Silva | Marcio Augusto Von Kriiger Santos | Marcos Donizeti Dos Santos | Marcus Vieira | Mauricio Nuno Santos | Maurício Gioachini | Odair de Abreu Lima | Pedro Fortunato | Rafael Wambier Dos Santos | Regina Laura Pinheiro | Ricardo Cunha | Sergio Luis Anaga | Silvia Gomes de Lima | Thiago Cardim | Tiago Andrade | Victor Adriel | Victor Jose Camara | Vinicius Valter de Lemos | Walter Armellei Junior | Williams Ricardo Almeida de Oliveira | Yria Freitas Tandel | 5 O único caminho
Um hino para a descrença do dito ´´criador``. Regrado por momentos de embriaguez mental, temos uma bateria seca que perfura os tímpanos dos menos avisados e uma guitarra frenética que destila ódio. Uma vocalização dramática de Caronte que beira a insensatez humana.
6 Newton Misantropo
Essa música é dedicada ao incrédulo e nefasto Newton (Músico e idealizador do Lebensessenz). Uma declamação fúnebre é feita ao Newton e sua insanidade. Uma vida retratada de solidão e depressão são relatos contatos sobre o músico que vive retirado do mundo e, também, experimentador de seu próprio ideal.
7 A mesma velha história
Ódio ao nazareno e a relevância da descoberta de uma força interior como uma aversão aos seu iguais. Caronte destila ódio e repulsa pelo cânone maldito e os de sua estirpe.

8 Mais um ano esfria
Um abismo colossal sobre a derradeira humanidade na descrença de um cuidado com seu ambiente. Uma falta de percepção notada pelo ser, e uma sede de vingança criada na evolução do vazio. Nada é tão repleto de emoção quanto a decadência primordial. Aqui um há black metal cru e sem firulas. Apenas o Velho atuando simples e direto.
9 Coma induzido
Aqui uma ácida critica a turbamulta formidavelmente bem escrita. Com um clima denso que busca a apoteótica penumbra do oculto, como é a proposta feita pela banda. E claro, Caronte faz uma interpretação eximia à altura da letra.
*Bonus track (Under a Funeral Moon, cover do Darkthrone)
Uma grata surpresa pra fechar o play. Um cover dos mestres do Black metal. Sem comentários sobre essa versão. Pois é aconselhável cada apreciador das bandas ouvir e ter as próprias impressões. Afinal, um cover dessa magnitude causa espasmo de euforia.

* 9 Letra e música de Valéria Tenebra.
Para terminar a proposta do Velho é bem nítida e escancarada. E ainda é deixado o alerta pelos próprios: ... ´´ A letargia é contagiosa / E a massa indiferente / Escoando no caminho sulcado / Pela homogenização / Por vezes pensando que pensam / Por vezes pensando até que vivem. ``
Formações:
Senhor de tudo (2012)
T. Splatter: Baterias de Fogo
R. Lopes: Invocações Graves
T. Caronte: Adorações norturnas
Vida Longa ao Primitivo (2009)
T. Splatter: Batendo
V. Tenebra: Violando
T. Caronte: Odiando
R. Chaos: Discordando
Informações:
Perto dos portais da Loucura:

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