Blind Guardian: Tales from the Twilight World, o melhor da banda
Resenha - Tales from the Twilight World - Blind Guardian
Por Ricardo Mazzo
Postado em 07 de julho de 2013
Leitor, essa talvez seja uma das resenhas mais polêmicas que você vai ler nesse site. Primeiro porque a banda escolhida é um ícone do Power Metal mundial. Segundo porque essa banda já lançou alguns dos maiores clássicos da história recente do estilo. E terceiro porque parece que só uma pessoa no mundo tem a opinião apresentada nos próximos parágrafos: eu.
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BLIND GUARDIAN é um monstro do Heavy Metal. Ponto. Isso não tem discussão. Muitos tentam argumentar dizendo que eles não enchem estádio no Brasil, mas minha resposta é simples: ainda. Para mim, a banda é uma fortíssima candidata a herdar o legado que um dia deixarão as grandes bandas boas de público, como IRON MAIDEN, METALLICA, AC/DC, OZZY OSBOURNE e KISS. Estilos diferentes? Sim, mas há uma intersecção gigantesca nesse grupo e é aí que o BLIND GUARDIAN se juntará aos Deuses.
A qualidade técnica da banda é outro fator que tenho que ressaltar. O que falar de Hansi Kursch? Se um cara vendeu a alma para o Diabo para ter a voz que chocaria o mundo, esse cara é o Brian Johnson do AC/DC. Hansi Kursch, por outro lado, foi escolhido pelos Deuses do Heavy Metal para ser a voz deles na Terra. E ela deveria sim ser tombada pelo PHHM (Patrimônio Histórico do Heavy Metal). O resto da banda também é espetacular e faz o som fluir fácil entre melodias e arranjos absurdamente complexos.
E qual o motivo de eu ter escolhido o "Tales From The Twilight World"? Simples. Entre os colaboradores do site existem outros fãs da banda que se digladiaram para escolher entre o "Imaginations From The Other Side" e o "Nightfall In Middle Earth". Como eu queria resenhar o melhor da banda, já deixei esse último de lado. Opa! Calma! Sem palavrões! Eu explico.
O "Nightfall In Middle Earth" é um álbum muito bom, assim como os outros dois. Dessa forma, eu precisava decidir nos detalhes qual o melhor. E, como estou resenhando o melhor álbum, o queridinho do público em geral fica na terceira colocação. Como álbum, ele deixa a desejar naquele monte de faixas com barulho de chuva, de guerra, de gente falando. Concordo que sejam essenciais para a construção do todo, mas não posso dar crédito para algo que escutei uma vez na vida e nunca mais.
Com um eliminado, como escolher entre os outros dois? Mais fácil ainda. Em "Tales From The Twilight World" temos um convidado especial. O gênio, mestre e criador do Power Metal: Kai Hansen. Que me desculpe o perfeito "Imaginations From The Other Side", mas minha escolha estava feita. E que o show comece...
1. "Traveller In Time": algumas pessoas não gostam muito dessa faixa, mas a acho uma baita música e cria o clima ideal para o início do álbum. São exatos 6 minutos de pancada. Nota 9.
2. "Welcome To Dying": eis uma das composições mais espetaculares de todos os tempos! Tudo perfeito, desde a introdução, passando pelos vocais, solos, bateria, até chegarmos ao mais potente refrão do álbum. Para ouvir de pé! Nota 10.
3. "Weird Dreams": a música começa esquisita, como sugere o próprio nome, mas depois se desenvolve numa série de solos de guitarra e um show a parte do pedal duplo do ótimo baterista Thomas Stauch. Instrumental de 1 minuto e 20 segundos de duração. Sem nota (por se tratar de uma vinheta e não de uma música com tempo suficiente para uma nota).
4. "Lord Of The Rings": poderia ter sido composta por qualquer gênio de qualquer época, fosse ele Mozart, Beethoven, Eric Clapton, BB King, Steve Harris, Kai Hansen... Espetacular! Nota 8.
5. "Goodbye My Friend": Power Metal beirando Thrash Metal é meu habitat natural. Se fosse um pouco mais pesada, teria sido composta por Dave Mustaine e seria a cereja do bolo chamado "Rust In Peace", lançado no mesmo ano de 1990. Nota 9.
6. "Lost In The Twilight Hall": por incrível que pareça, essa foi a música que mais me chamou a atenção na primeira vez que ouvi esse álbum. Power Metal livro-texto, tem na bateria sua fonte primária de raiva até que somos brindados pela voz rouca e perfeitamente desafinada de Kai Hansen. Além dos solos fantasticamente lapidados para a faixa, sempre me impressiono com seu refrão. Nota 10.
7. "Tommyknockers": sem dúvida alguma, a faixa mais sombria do trabalho. Alterna velocidade e peso, além de um refrão que parece ter sido forjado à marteladas. Nota 8.
8. "Altair 4": lá vamos nós para mais uma faixa rápida de menos de 2 minutos e meio. Essa não me agrada em quase nada e não entendo muito o motivo dela estar no trabalho. Nota 5.
9. "The Last Candle": tudo parece fazer sentido nessa música, da letra até os gritos do magistral Hansi Kursch. É a última música de estúdio do álbum e o fecha com a arrogância humilde de quem sabe que é bom. Nota 8.
Usando a simples metodologia de fazer uma média simples das notas da músicas, temos um fenomenal 8.38 para esse álbum que é uma jóia rara que não recebe o devido crédito mundo afora. É assim que enxergo esse trabalho que já mostrava em 1990 que o BLIND GUARDIAN não estava para brincadeira. Kai Hansen já havia se interessado pelo trabalho de seus compatriotas um ano antes, os ajudando e participando das gravações de "Follow The Blind". Ou seja, coisa ruim não viria. Espero que a criatividade desses gênios nunca se esgote e que eles continuem a nos presentear a cada quatro anos (tempo considerado ideal pela banda para lançamento de um novo trabalho desde o "Nightfall In Middle Earth" de 1998) com um belíssimo álbum. Up the Guardians!
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