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Captain Beyond: uma banda entrosada e cheia de energia

Resenha - Captain Beyond - Captain Beyond

Por Rodrigo Noé de Souza
Postado em 03 de julho de 2013

Nota: 10 starstarstarstarstarstarstarstarstarstar

Nos anos 70, o Rock estava a todo vapor, com inúmeros lançamentos de diversas bandas pesadas. Apesar da ascensão da Santíssima Trindade (Sabbath, Zeppelin e Purple), havia outras encarnações que, mesmo com a competência dos músicos, não obtiveram êxito. É o caso de Captain Beyond.

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Tudo começou quando Rod Evans foi dispensado no Deep Purple (que queria pegar carona do Heavy Rock), se mudou para os EUA e iria deixar a música para estudar medicina. Nesse meio tempo, gravou um single que não deu em nada. Por outro lado, o guitarrista Larry "Rhino" Reinhardt, que vinha do Second Coming, conheceu Phil Walden, dono da Capricorn Records, que lhe cedeu um contrato para gravar um disco.

Rhino chegou a tocar e gravar com Iron Butterfly o disco Metamorphosis (1970). Com o fim das atividades do IB, Rhino se juntou ao baixista Lee Norman, também da mesma banda, para iniciar o seu projeto.

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Rhino e Norman convidaram o baterista Bobby Caldwell, recém-saído da banda de Johnny Winter. Com um time desses, resolveram se chamar Captain Beyond. A origem do nome se deu Rhino e Norman estavam no IB e o baixista apelidou o colega do Captain Negative, por causa do seu mau humor. Chris Squire (baixista do Yes) fez seu comentário: "vocês tem a cara do Captain Beyond". Foi daí que o destino se fez presente.

Com o nome registrado, só faltava o time ficar completo. Rod Evans voltou para a música e procurou uma banda para cantar, com a condição de se fixar nos EUA. Então, as duas faces da moeda se juntaram na Califórnia e gravaram no Sunset Sound Records, em Hollywood, em uma semana, seu álbum autointitulado.

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Vale uma curiosidade: apesar de Rhino e Walden (que se tornou empresário do Captain Beyond) serem amigos, diz a lenda que a banda conseguiu um contrato com a bênção de um certo rapaz chamado Duane Allman, fã ardoroso do grupo. Lançado em 1972, o álbum passou a ser dedicado ao falecido guitarrista do Allman Brothers.

A famosa capa foi criada no estúdio Pacific Eye & Ear, que criava obras para Alice Cooper, Black Sabbath, Bee Gees, Beach boys, entre outros. O mascote da banda foi ideia de Joe Garnett. A primeira edição do disco teve 1500 cópias, e trazia uma aplicação holográfica, hoje item de colecionador.

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Na parte musical, mostra-se uma banda entrosada e cheia de energia. Seria uma mistura de Led Zeppelin com Jethro Tull? Destaque mesmo para a bateria de Bobby, cujas viradas remetem ao Mitch Mitchell (Jimi Hendrix) e Ginger Baker (Cream). Dancin Madly Backwards (On A Sea Of Air) e Mesmerization Eclipse são ótimas amostras da sua genialidade. Rhino não deve nada aos lendários Eric Clapton e Jimmy Page, dando uma aula de como se toca guitarra.

Rod Evans parecia estar vingado da sua ex-banda, pois seu desempenho é bárbaro. Embora o vocal lembre Ian Anderson (Jethro Tull), ele se saiu bem. Difícil destacar mais faixas desse disco, pois as faixas são, ao mesmo tempo, pesadas e viajantes, com camadas de sutileza e unicidade. Nas palavras de Bobby Caldwell: "Estávamos tentando criar algo totalmente diferente na época do nosso primeiro disco. Esse era o ponto. Não queríamos soar como outras bandas americanas. Queríamos soar somente como nós mesmos".

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Mesmo com alguns fãs gostando ou odiando, o álbum não obteve o resultado que se esperava. Com isso Bobby saiu e deu lugar ao Brian Glascock, irmão do baixista do Jethro Tull, John Glascock. Também entraram no CB o tecladista Reese Wynans e o percussionista Guille Garcia, que registraram Suficiently Breathless (1973). Durante as gravações, Glascock saiu e Martin Rodriguez sentou na bateria; Rod Evans saiu, mas voltou para gravar os vocais. Durante esse percurso, foram apresentações acanhadas, falta de apelo comercial, foram o estopim para que Evans sumisse de vez do cenário musical.

O terceiro disco Down Explosion foi lançado em 1977, com outra formação, porém não tão marcante como foi o do primeiro disco. Atualmente, alguns nomes do Heavy Metal declararam sua admiração pelo disco autointitulado, como Michael Amott (Arch Enemy, Spiritual Beggars, Carcass), Bem Ward (Orange Goblin) e Taylor Hawkins (Foo Fighters), sendo que ele toca nos shows da banda, com a imagem do capitão no bumbo da bateria.

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No Brasil, o elepê foi, milagrosamente, lançado pela Warner/Chantecler, com uma capa diferente, toda ampliada e sem holografia, além dos nomes dos integrantes mostrados misteriosamente. Enfim, esqueça a parte gráfica e escuta o melhor do Som pesado.

Formação:

Rod Evans – vocal
Larry "Rhino" Reinhardt – guitarra
Lee Norman – baixo
Bobby Cladwell – bateria

Tracklist:

1-Dancing Madly Backwards (On A Sea Of Air)
2-Armworth
3-Myopic void
4-Mesmerization Eclipse
5-Raging River Of Fear
6-Thousand Days Of Yesterdays (intro)
7-Frozen Over
8-Thousand Days Of Yesterdays (Time Since Come and Gone)
9-I Can't Feel Nothin' (part 1)
10-As The Moon Speaks (To the Waves of the Sea)
11-Astral Lady
12-As The Moon Speaks (Return)
13-I Can't Feel Nothin' (part 2)

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Sobre Rodrigo Noé de Souza

Nasci em 1984. Esse ano não é só o início de uma nova democracia, mas também é o ano em que vários discos foram lançados, como Powerslave (IRON MAIDEN), Stay Hungry (TWISTED SISTER), W.A.S.P., Don't Break The Oath (Mercyful Fate), Slide It In (WHITESNAKE), 1984 (VAN HALEN), The Last In Line (DIO) e, o meu favorito de todos, Ride the Lightning (METALLICA). Sou um aficcionado por Metal, desde AC/DC e ZZ Top, até Anaal Nathrakh e Krisiun.
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