Frank Zappa: Uma aula de boa música e um exercício aos ouvidos
Resenha - Roxy & Elsewhere - Frank Zappa / Mothers
Por Matheus Cavalheiro
Postado em 02 de abril de 2013
Nota: 10 ![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
Hoje tentarei me expressar o melhor que eu puder e escrever com muito cuidado. Mas por que escrever com cuidado? Por que quando se trata de falar a respeito de um gênio do calibre de Frank Zappa, oque você deve ter de sobra na manga são as palavras certas e dignas. Só para começar, para se ter uma pitada de ideia sobre a genialidade deste cara, sabe como ele compunha suas músicas? Ele criava a música toda antes de se quer relar a mão na guitarra através de partituras. Não só isso, Zappa também tinha o hábito de tirar sarro com uma cacetada de coisas envolvendo astros hollywoodianos, bandas pop que faziam sucesso na época como por exemplo o Bee Gees até deputados, governadores e outras ilustres figuras da política americana. O cara até cogitou a presidência dos E.U.A. acredite se quiser. Era inteligente e pensava muito, mas muito a frente de seu tempo.
Eu amo diversos álbuns de Zappa como 'Freak Out!' ao qual já resenhei aqui para o Whiplash, o maravilhoso 'One Size Fits All', mas oque realmente me chocou tamanha genialidade, espontaneidade e irreverência foi o tesouro em forma de disco que atende por 'Roxy & Elsewhere'. Esse diamante platinado, foi concebido entre os anos de 1973 e 1974 com diversas gravações, jams, improvisos, interação com o público e muita bizarrice no Roxy Theatre - Hollywood, California e no Edinboro State College - Edinboro, Pennsylvania além de trechos gravados em Chicago. Zappa foi um grande arquiteto no que se diz sobre edição de som e gravou trechos de concertos diferentes na mesma canção, por exemplo o solo de "More Trouble Every Day" que contém partes no Roxy Theatre e Chicago. Essa técnica seria usada e abusada por ele em muitos trabalhos de estúdio e ao vivo de sua discografia.
O que é mais incrível que temos as já citadas jams contrastando com críticas sociais regadas a muito cinismo e deboche por parte de Zappa. Canções como "Village Of The Sun", "Pygmy Twylyte", "Echidna's Arf (Of You)" e "Don't You Ever Wash That Thing?" são improvisos instrumentais maravilhosos. Aqui encontramos saxofones, xilofones, sintetizadores, metais e diversos instrumentos por parte dos The Mothers of Invention. São Riffs criativos a colidirem com Jazz, Funk e até um pouco de Blues. É simplesmente brilhante! Não só improvisos e habilidades, mas Zappa além de dar uma aula sobre boa música, nos ilumina com suas ilustres palavras e ácidas críticas. "Penguim In Bondage" por exemplo, tem um letra bem sacana e surreal, mas o ponto alto mesmo do disco em questão de letra pode-se dizer que é com a canção "Cheepnis" aonde o mestre faz praticamente um 'stand-up comedy' antes de executarem a música. Zappa nos fala de filmes toscos e mal-feitos que insultam a nossa inteligência com efeitos especiais porcos e amadores, e o quão divertidos podem ser quando assistidos. Ele se inspirou no filme de ficção de 1958 chamado 'It Conquered The World' para escrever esta canção, e a letra da mesma fala sobre um cachorro poodle gigante chamado Frunobulax que invade a cidade e destrói tudo oque vê... Uma baita tiração de sarro também com filmes japoneses estranhos por exemplo como
'Godzilla' lançado em 1954.
"Dummy Up" é uma jam pra lá de bizarra que tem como tema a educação e o seu verdadeiro propósito. Oque adianta um idiota possuir um diploma se o mesmo exala incompetência e não enxerga um palmo se quer a sua frente? Zappa em um momento propõe ao individuo fumar o diploma já que ele não lhe serve de nada. É interessante que você ao mesmo tempo fica deslumbrado não só com a música, mas com a postura de manifesto bem presente aqui e em diversos trabalhos de Zappa. O mestre seria uma pedra no sapato de muita gente importante...
"Son of Orange County" conta com um solo maravilhoso e muito feeling que seguem em uma levada mais arrastada. De longe uma das mais lindas do disco e os Mothers acompanham perfeitamente seu maestro. "More Trouble Every Day" é uma releitura de "Trouble Every Day" do disco 'Freak Out!' de 1966. A banda aqui dá um show a parte com o instrumental e o clima sério de pura revolta em uma ácida crítica sobre violência racial e repórteres parasitas inúteis. Zappa abusa de seu carisma ao vivo e propõe um desafio no palco em "Be-Bop Tango (Of The Old Jazzmen's Church)" com uma jam esquisitíssima de 16 minutos aonde um casal tenta fazer uma dança bem estranha. No geral 'Roxy & Elsewhere' é uma aula de puro bom gosto e um belíssimo exercício aos ouvidos. Se você não conhece, sugiro ir conhecendo aos poucos e se acostumando para digerir e captar a mensagem que este gênio nos deixou.
Zappa você faz muita, mas muita falta mesmo neste mundo... Pensar que artistas ilustres como você se foram, e coisas como One Direction, Justin Bieber e Michel Teló explodem nas rádios feito uma epidemia de rubéola nos matando de desgosto... É bem triste... Mas nós ficamos felizes logo, ao lembrar que caras como Frank Zappa são eternos, e essas idiotices sonoras que aturamos aí fora sequer serão lembradas em no máximo 1 ano. E quando perdem a fama, vão para 'A Fazenda' ou chorar no programa da Sônia Abrão tentado ficar na mídia de novo... Isso nos prova que números não são nada comparados com a inteligência e genialidade. Esses "artistas" descartáveis podem vender milhões e milhões de discos, porém, eu recomendo a eles que aproveitem bem a fama e comprem seus Camaros Amarelos e façam seu pé de meia, por que ninguém vai se quer lembrar deles daqui uns meses... Mediocridade atrai um público medíocre.
Um grande abraço e fiquem com Deus e com a boa música! Confiram meu canal Café Cavalheiro no YouTube! Valeu!
TRACKLIST:
01. Penguin in Bondage - (6:48)
02. Pygmy Twylyte - (2:13)
03. Dummy Up - (6:03)
04. Village of the Sun - (4:18)
05. Echidna's Arf (Of You) - (3:54)
06. Don't You Ever Wash That Thing - (9:41)
07. Cheepnis - (6:34)
08. Son of Orange County - (5:54)
09. More Trouble Every Day - (6:01)
10. Be-Bop Tango (Of the Old Jazzmen's Church) - (16:41)
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



O hit do rock nacional que boa parte do Brasil não sabe o que significa a gíria do título
A lendária banda inglesa de rock que fez mais de 70 shows no Brasil
Se Dave Murray sente tanta saudade da família, não seria lógico deixar o Iron Maiden?
As cinco melhores músicas do Iron Maiden, segundo o Loudwire
A lenda da banda que foi batizada por suas músicas durarem menos do que 1 minuto
As cinco piores músicas do Iron Maiden, segundo o Loudwire
Dave Mustaine admite que pode não ter outra chance de falar com James Hetfield e Lars Ulrich
O melhor riff da história do heavy metal, segundo Max Cavalera (ex-Sepultura)
Produtor de "Master of Puppets" diz que Kirk não gravou base no disco; "Tudo era o James"
5 bandas de rock que melhoraram após trocar de vocalista, segundo Gastão Moreira
Dave Mustaine afirma que não há motivos para não ser amigo dos integrantes do Metallica
Twisted Sister confirma que fará shows com Sebastian Bach nos vocais
Edu Falaschi anuncia "Mi'raj", álbum que encerra sua épica trilogia
Ozzy Osbourne será homenageado com uma enorme estátua no Hellfest
Obituary - uma noite dedicada ao Death Metal sem rodeios



Os dois músicos que Frank Zappa criticava bastante: "Erravam o tempo todo"
O guitarrista que Ian Anderson achava limitado, e que deu muito trabalho para Steve Vai
O guitarrista desconhecido idolatrado por Frank Zappa e John Frusciante
Clássicos imortais: os 30 anos de Rust In Peace, uma das poucas unanimidades do metal


