Cult: uma ponte entre o indie e o mainstream
Resenha - Love - Cult
Por Paulo Severo da Costa
Postado em 13 de março de 2013
Um ponte entre o indie e o mainstream, uma mistura inteligível entre a psicodelia dos anos 60, o ambiente etéreo dos anos 70 e as guitarras dos anos 80, um tremendo clássico. Se a discografia do THE CULT rendeu safras tão prolíficas a partir de 1984, grande parte da "culpa" está em seu segundo registro: "Love" prepararia o terreno para os futuros blockbusters 'Electric"(1987) e "Sonic Temple"(1989). Ainda transitando entre o pós-punk, o gótico e o hard da época, a banda conseguiu sintetizar a fúria do DOORS, a obscuridade do SISTERS OF MERCY e a eletricidade do LED e criar uma obra singular nos indecisos anos 80.
Ainda que eternamente reconhecido pelos três singles em destaque, "Love" mostra-se um disco experimental, mas não hesitante, quando se lança em busca do enquadramento perfeito: a sincronia entre as lacunas propositais da guitarra de BILLY DUFFY e a cozinha formam um platô correto para realçar o brilho dos vocais: "Hollow Man" é adornada por violões esporádicos acompanhada de riffs minimalistas e precisos criando a ambiência necessária à teatralidade de ATSBURY; o mesmo pode-se dizer da "U2niana" , "Big Neon Glitter" guiada por um delay ministrado com cuidado cirúrgico. Em um respeito ao "profano de suas raízes góticas a excelente ""Brother Wolf; Sister Moon" faz a alegria (ou, nesse caso, a depressão) dos fãs do gênero com sua condução lenta regada à um solo de poucas notas e um tremendo conteúdo. Alguém falou em DAVID GILMOUR? – então escute e se surpreenda.
"Nirvana", faixa de abertura, antecipa a pegada vindoura de coisas como "Fire Woman"; no entanto aqui cabe um alerta: as guitarras rasgadas e "na cara" da banda ainda não são perceptíveis nesse registro- exceção cabível à pesadona e hendrixiana "The Phoenix". Faixas como as clássicas "Revolution" e "Rain" quando comparadas a fúria de suas execuções nos sets ao vivo, soam menos grandiosas – pelo menos no que se refere a volume; por outro lado, essa audição mais intimista, torna mais notável a beleza das composições. Por último, mas não menos importante é conferir o destaque devido a faixa que alçou o CULT ao grande público: "She Sells Sanctuary" praticamente definiu o formato das canções da banda nos últimos 28 anos, uma equalização saudável entre uma aorta pop, lirirmo e grandeza melódica ímpar.
O maior crítico musical de todos os tempos, o saudoso LESTER BANGS, dizia que o crítico deve ser implacável; por isso nunca me considerei um, e escrevo apenas sobre o que gosto. Assim, com todo respeito LESTER: discaço com D maiúsculo!!
Track List:
1. "Nirvana" – 5:24
2. "Big Neon Glitter" – 4:45
3. "Love" – 5:35
4. "Brother Wolf; Sister Moon" – 6:49
5. "Rain" – 3:55
6. "The Phoenix" – 5:06
7. "Hollow Man" – 4:45
8. "Revolution" – 5:20
9. "She Sells Sanctuary" – 4:23
10. "Black Angel" - 5:22
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