Motörhead: fidelidade ao rock 'n roll ao longo dos anos
Resenha - 1916 - Motörhead
Por Paulo Severo da Costa
Postado em 29 de outubro de 2012
Em 37 anos de atividade, o MOTÖRHEAD sempre se mostrou uma banda workaholic: são vinte e um álbuns de estúdio e oito ao vivo, entre declarações de guerras internas, dedos dos pés amputados, Jack Danie´ls com Coca- Cola e orgias romanas pelo mundo afora. Discograficamente, a banda pertence àquele seleto grupo que conta com AC/DC e RAMONES em suas fileiras: fidelidade total ao rock n´roll ao longo dos anos, sem parcerias com JUSTIN BIEBER ou algo do gênero.
Se em 1981 LEMMY e companhia - que já haviam despejado o napalm com "Bomber"(1979) e "Ace of Spades"(1980)- deram ao mundo o inquestionável "No Sleep ´Til Hammersmith", ainda na formação clássica dos "três bandoleiros" com EDDIE CLARK e PHIL TAYLOR, dez anos depois, agora como quarteto em nova formação, produziram "1916". Se o primeiro foi descrito pelo crítico AGNIESKZA WOJTOWICVZ como "uma música esmagadora disparada com a potência de um furacão", no segundo caso, o rastro da bala vai no mesmo sentido. A indecifrável mistura de speed/thrash/punk aparece em um caldo grosso no qual a malandragem do ex-roadie de JIMI HENDRIX se sobressai.
"R.A.M.O.N.E.S" e "Going To Brazil" mostra que a banda conhecia tão bem a língua dos deuses quanto à dos homens: a primeira é uma justíssima homenagem àqueles que, vez ou outra, são apontados por alguns desavisados como uma banda tosca (ou alguém discorda que a banda nova iorquina influenciou o MOTORHEAD, que por sua vez influenciou o METALLICA?); a segunda, uma grande brincadeira com as tensões (e prazeres) da vida na estrada (Aqui vamos nós novamente, num 747/Olhando as nuvens do outro lado do paraíso/Fumando e bebendo, nunca vamos parar/Lendo revistas, paro e confiro a hora/Quero assistir um filme, não consigo ficar parado/Voando até o Rio, indo pro Brasil), e que se tornou, claro, um clássico por aqui. Na linha pancada cega, "I´m the one to sing the blues"- com bateria "locomotiva" e solo furioso- e "I´m So Bad (Baby I Don't Care)"- são o antídoto ideal para o tédio de viagens longas e dias mornos no trabalho.
"1916", uma "balada militar" sobre os crimes durante a Primeira Guerra Mundial, é a demonstração cabal que "variar a jogada" não significa jogar a integridade musical no ralo; nesse quesito, aliás "Love Me Forever" é um pequeno manual de como se deve fazer baladas sem transformá-las em bobagens descartáveis. Voltando a paulada, "Shut you Down" e, principalmente "No Voices In the Sky"- minha preferida dos caras nos últimos vinte e poucos anos - são uma sacudida nas eternas viúvas dos tempos áureos do metal.
A filosofia de LEMMY, que pode ser sintetizada na dedicatória estampada na capa de "No Sleep": "A todos que viajaram, beberam lutaram e treparam conosco pelas estradas da Inglaterra e da Europa por cinco anos"- se aplica aqui. Como bem disse o mestre: "Eu sou mau - eu não estou nem aí"
Track List:
1. The one to sing the blues
2. "I'm So Bad (Baby I Don't Care)"
3. "No Voices in the Sky"
4. "Going to Brazil"
5. "Nightmare/The Dreamtime"
6. "Love Me Forever"
7. "Angel City" (Lemmy)
8. "Make My Day"
9. "R.A.M.O.N.E.S."
10. "Shut You Down"
11. "1916"
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