MX: um dos discos históricos do Metal brasileiro

Resenha - Simoniacal - MX

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no G+

Por Marcos Garcia
Enviar correções  |  Comentários  | 

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.


Falar dos anos 80 é ter que abrir uma enorme enciclopédia, e isso é ainda mais complexo quando falamos do Metal brasileiro, pois as dificuldades enfrentadas por bandas na época não era simples, e só para ilustrar, aqui vai um breve trecho do momento histórico enfrentado por bandas e fãs naqueles tempos duros: após o final do Plano Cruzado em março de 1987, lançado pelo governo de José Sarney (que assumira a presidência de forma plena após a morte de Tancredo Neves em abril de 1985) em março de 1986, a nossa combalida economia virou um caos extremo, com preços de tudo disparando a todo momento, era um caos total, especialmente no tocante a discos e instrumentos musicais, que custavam os olhos da cara. Ter bons instrumentos implicava em trabalhar e economizar por meses a fio, e quase sempre deixando um braço e uma perna como garantias.
5000 acessosDeath Metal: as 10 melhores (ou piores?) capas do estilo5000 acessosEdu Falaschi: os dez vocalistas brasileiros preferidos dele

Mas mesmo assim, o caldeirão de onde surgiam as bandas daqui fervilhava intensamente, trazendo à vida nomes fortes, e um dos mais fortes era o do quarteto MX, banda de Santo André, SP.

No início, época das Demo Tapes 'The Carrion of Religion' (de 1986) e 'Fighting for the Bastards' (1987) praticavam uma mistura de Thrash com Death Metal bem característica daqueles tempos, e como começaram a se destacar bastante, participaram da coletânea ao vivo 'Headthrashers Live', gravada no Teatro Municipal de Santo André, em 29/01/1987 (e lançada ainda em 1987, chegando às lojas em finais de novembro daquele mesmo ano), com duas faixas: 'Fucking All the Angels' e 'Destructor of Heads'. O resultado e recepção levaram a Fucker Records (selo que lançou a coletânea) a investirem no MX, que entraram no estúdio Camerati, e quase na marra (levaram até discos para auxiliar os técnicos no como conseguir o que eles queriam em termos de som, e entre eles, o Kill 'Em All), gravaram e, em 1988, soltam o 'Simoniacal', um dos discos históricos do Metal brasileiro.

Lançado em tempos de crise econômica, o disco já mostrava um Thrash Metal bem variado, técnico, pesado e feroz, mas maduro e evoluído, se distanciando da influência Death Metal de antes, com riffs de guitarra bem trabalhados e empolgantes, solos insanos (mas longe de fugirem de uma técnica de bom nível para aqueles tempos), baixo e bateria bem pesados e técnicos (lembrando que o batera Alexandre ainda cantava, dividindo os vocais com o guitarrista Dead). A sonoridade da época nos discos nacionais não é das melhores, mas lembremos que os engenheiros de som ainda estavam engatinhando no quesito Rock, ao ponto de mesmo o Rock Pop feito aqui sofrer com gravações terríveis, e o know-how sonoro se tornará maior nos anos 90.

Se a gravação não ajudava tanto (em comparação ao que temos hoje, por favor), sobrava a garra e a energia, bem como a força em músicas como 'Dirty Bitch', um dos hinos da banda, com riffs rápido e ganchudos, e ótimo trabalho da bateria; 'Fighting for the Bastards' é outra música forte do quarteto, com bastante variação nos andamentos, trabalho ótimo das guitarras e vocais, e o baixo mostra trabalho; 'Satanic Noise' é uma faixa mais cadenciada que as anteriores, mas forte e pesada, com mudanças de andamento ótimas; a arrasadora de pescoços desavisados 'Inquisition', como solos animais; 'Dead World' começa macia e suave, antes de virar uma chicotada daquelas; 'Jason', uma faixa pesada e que alterna momentos mais amenos no início, e depois, ganha velocidade, sendo uma homenagem ao mais querido dos serial killers do cinema, Jason Voorhees; a instrumental caótica 'Restless Soul', onde a variação é a tônica, fugindo de andamentos repetitivos; e fecha com 'Dark Dream' com duelos de solos ótimos, e a faixa homenageia outro célebre personagem de cinema, Freddy Krueger.

A versão original fecha aqui, embora exista uma versão posterior onde estão inclusas as faixas da coletânea e das Demos, mas essas oito faixas vão mostrar que no Brasil, a busca pela qualidade sonora estava começando de vez, e com tudo.

Após mais alguns anos na ativa e 3 discos, eles deram uma parada, mas como um bom herói é o que ergue-se depois da queda, o quarteto está de volta ao front, e irá se apresentar no dia 25/11 com o ARCH ENEMY em SP, e desejamos de todo coração que a band retorne de vez, pois possuem lenha para queimar.

E mais notícias desse quarteto insano em breve!!!!

youtube player
Inscreva-se no nosso canalWhiplash.Net no YouTube

Simoniacal - MX
(1988 - Fucker Records - Nacional)

Tracklist:

01. Dirty Bitch
02. Fighting for the Bastards
03. Satanic Noise
04. Inquisition
05. Dead World
06. Jason
07. Restless Soul
08. Dark Dream

Formação:

Alexandre da Cunha - Bateria, vocais
Décio Frignani - Guitarras
Dead - Vocais, guitarras
Eduardo - Baixo

GosteiNão gostei

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no G+

Os comentários são postados usando scripts e logins do FACEBOOK, não estão hospedados no Whiplash.Net, não refletem a opinião dos editores do site, não são previamente moderados, e são de autoria e responsabilidade dos usuários que os assinam. Caso considere justo que qualquer comentário seja apagado, entre em contato.

Respeite usuários e colaboradores, não seja chato, não seja agressivo, não provoque e não responda provocações; Prefira enviar correções pelo link de envio de correções. Trolls e chatos que quebram estas regras podem ser banidos. Denuncie e ajude a manter este espaço limpo.

0 acessosTodas as matérias e notícias sobre "MX"

GhostGhost
De quais bandas brasileiras eles gostam?

0 acessosTodas as matérias da seção Resenhas de CDs e DVDs0 acessosTodas as matérias sobre "MX"

Death MetalDeath Metal
As 10 melhores (ou piores?) capas do estilo

Edu FalaschiEdu Falaschi
Os dez vocalistas brasileiros preferidos dele

AngraAngra
Ouça algumas versões bizarras de músicas da banda

5000 acessosHeavy Metal: as piores capas dos grandes artistas do gênero5000 acessosMetallica: A reação de James a famosos usando camisetas da banda5000 acessosDuff McKagan: 3 litros de vodka, 3 gramas e meio de cocaína5000 acessosIsto sim é ser fã: homem muda nome para "Led Zeppelin II"5000 acessosIron Maiden: O porquê das críticas aos últimos álbuns da banda4690 acessosKerry King: guitarrista comenta as novas músicas do Slayer

Sobre Marcos Garcia

Marcos Garcia é Mestrando em Geofísica na área de Clima Espacial, Bacharel e Licenciado em Física, professor, escritor e apreciador de todas as subdivisões de Metal, tendo sempre carinho pelas bandas mais jovens e desconhecidas do público, e acredita no Underground como forma de cultura e educação alternativas. Ainda possui seu próprio blog, o Metal Samsara, e encara a vida pela máxima de Buda "esqueça o passado, não pense no futuro, concentre-se apenas no presente".

Mais matérias de Marcos Garcia no Whiplash.Net.

Whiplash.Net é um site colaborativo. Todo o conteúdo é de responsabilidade de colaboradores voluntários citados em cada matéria, e não representam a opinião dos editores ou responsáveis pela manutenção do site, mas apenas dos autores e colaboradores citados. Em caso de quebra de copyright ou por qualquer motivo que julgue conveniente denuncie material impróprio e este será removido. Conheça a nossa Política de Privacidade.

Em fevereiro: 1.218.643 visitantes, 2.740.135 visitas, 6.216.850 pageviews.

Usuários online