MX: um dos discos históricos do Metal brasileiro
Resenha - Simoniacal - MX
Por Marcos Garcia
Postado em 09 de outubro de 2012
Falar dos anos 80 é ter que abrir uma enorme enciclopédia, e isso é ainda mais complexo quando falamos do Metal brasileiro, pois as dificuldades enfrentadas por bandas na época não era simples, e só para ilustrar, aqui vai um breve trecho do momento histórico enfrentado por bandas e fãs naqueles tempos duros: após o final do Plano Cruzado em março de 1987, lançado pelo governo de José Sarney (que assumira a presidência de forma plena após a morte de Tancredo Neves em abril de 1985) em março de 1986, a nossa combalida economia virou um caos extremo, com preços de tudo disparando a todo momento, era um caos total, especialmente no tocante a discos e instrumentos musicais, que custavam os olhos da cara. Ter bons instrumentos implicava em trabalhar e economizar por meses a fio, e quase sempre deixando um braço e uma perna como garantias.
Mas mesmo assim, o caldeirão de onde surgiam as bandas daqui fervilhava intensamente, trazendo à vida nomes fortes, e um dos mais fortes era o do quarteto MX, banda de Santo André, SP.
No início, época das Demo Tapes 'The Carrion of Religion' (de 1986) e 'Fighting for the Bastards' (1987) praticavam uma mistura de Thrash com Death Metal bem característica daqueles tempos, e como começaram a se destacar bastante, participaram da coletânea ao vivo 'Headthrashers Live', gravada no Teatro Municipal de Santo André, em 29/01/1987 (e lançada ainda em 1987, chegando às lojas em finais de novembro daquele mesmo ano), com duas faixas: 'Fucking All the Angels' e 'Destructor of Heads'. O resultado e recepção levaram a Fucker Records (selo que lançou a coletânea) a investirem no MX, que entraram no estúdio Camerati, e quase na marra (levaram até discos para auxiliar os técnicos no como conseguir o que eles queriam em termos de som, e entre eles, o Kill 'Em All), gravaram e, em 1988, soltam o 'Simoniacal', um dos discos históricos do Metal brasileiro.
Lançado em tempos de crise econômica, o disco já mostrava um Thrash Metal bem variado, técnico, pesado e feroz, mas maduro e evoluído, se distanciando da influência Death Metal de antes, com riffs de guitarra bem trabalhados e empolgantes, solos insanos (mas longe de fugirem de uma técnica de bom nível para aqueles tempos), baixo e bateria bem pesados e técnicos (lembrando que o batera Alexandre ainda cantava, dividindo os vocais com o guitarrista Dead). A sonoridade da época nos discos nacionais não é das melhores, mas lembremos que os engenheiros de som ainda estavam engatinhando no quesito Rock, ao ponto de mesmo o Rock Pop feito aqui sofrer com gravações terríveis, e o know-how sonoro se tornará maior nos anos 90.
Se a gravação não ajudava tanto (em comparação ao que temos hoje, por favor), sobrava a garra e a energia, bem como a força em músicas como 'Dirty Bitch', um dos hinos da banda, com riffs rápido e ganchudos, e ótimo trabalho da bateria; 'Fighting for the Bastards' é outra música forte do quarteto, com bastante variação nos andamentos, trabalho ótimo das guitarras e vocais, e o baixo mostra trabalho; 'Satanic Noise' é uma faixa mais cadenciada que as anteriores, mas forte e pesada, com mudanças de andamento ótimas; a arrasadora de pescoços desavisados 'Inquisition', como solos animais; 'Dead World' começa macia e suave, antes de virar uma chicotada daquelas; 'Jason', uma faixa pesada e que alterna momentos mais amenos no início, e depois, ganha velocidade, sendo uma homenagem ao mais querido dos serial killers do cinema, Jason Voorhees; a instrumental caótica 'Restless Soul', onde a variação é a tônica, fugindo de andamentos repetitivos; e fecha com 'Dark Dream' com duelos de solos ótimos, e a faixa homenageia outro célebre personagem de cinema, Freddy Krueger.
A versão original fecha aqui, embora exista uma versão posterior onde estão inclusas as faixas da coletânea e das Demos, mas essas oito faixas vão mostrar que no Brasil, a busca pela qualidade sonora estava começando de vez, e com tudo.
Após mais alguns anos na ativa e 3 discos, eles deram uma parada, mas como um bom herói é o que ergue-se depois da queda, o quarteto está de volta ao front, e irá se apresentar no dia 25/11 com o ARCH ENEMY em SP, e desejamos de todo coração que a band retorne de vez, pois possuem lenha para queimar.
E mais notícias desse quarteto insano em breve!!!!
Simoniacal - MX
(1988 - Fucker Records - Nacional)
Tracklist:
01. Dirty Bitch
02. Fighting for the Bastards
03. Satanic Noise
04. Inquisition
05. Dead World
06. Jason
07. Restless Soul
08. Dark Dream
Formação:
Alexandre da Cunha - Bateria, vocais
Décio Frignani - Guitarras
Dead - Vocais, guitarras
Eduardo - Baixo
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



O membro do Iron Maiden que "não aguenta mais e quer sair", segundo Regis Tadeu
A banda que Max Cavalera considerava a "versão brasileira do Iron Maiden"
Por que Derek Riggs não fez a capa de "Fear of the Dark", segundo o Iron Maiden
Dez guitarristas que David Gilmour, do Pink Floyd, elogiou ao longo dos anos
Bruce Dickinson quer novo disco do Iron Maiden, Steve Harris não sabe, diz Nicko McBrain
Manager de Tony Iommi considerou letras de Jorn Lande "muito sombrias"
A reação dos filhos de James Hetfield quando o Metallica retomou suas masters
Fabio Lione publica desabafo irônico que supostamente mira sua ex-banda, o Angra
Jairo Guedz sobre as regravações dos Cavalera: "A magia, para mim, está no original"
Pearl Jam segue à procura de novo baterista, revela Jeff Ament
Jairo Guedz conta o que ouviu de Andreas Kisser sobre sua saída do Sepultura
Baterista informa via Facebook que não faz mais parte do Forbidden e surpreende demais integrantes
A melhor cantora brasileira de metal na atualidade, segundo Ricardo Confessori
O rockstar que revelou ser a próxima vítima do assassino de John Lennon

Lost Society conclui sua transformação em "Hell Is a State of Mind"
A Riqueza da maturidade - Yes entrega elegância e musicalidade em "Aurora"
Gladenfold aposta no Power Metal em "Soulbound"
Raimundos - há 26 anos, o "MTV Ao Vivo" registrava uma das fases mais intensas da banda
Lorna Shore cria obra que desafia os limites do ouvinte
Wings of Steel novamente acerta com "Winds of Time"
Queens of The Stone Age volta com álbum longe de ser "Perfecth"
Corrosion of Conformity encara perdas e mudanças em "Good God / Baad Man"
O melhor disco lançado em 2026, segundo Mateus Ribeiro
Voivod - Música mutante para um futuro mutante
O disco que "furou a bolha" do heavy metal e vendeu dezenas de milhões de cópias


