Andre Matos: Renovação na sonoridade musical

Resenha - Turn Of The Lights - Andre Matos

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no G+

Por Lucas Rodrigues
Enviar correções  |  Comentários  | 

Nota: 8

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.


Após o término da banda SYMFONIA, que lançou apenas um único álbum, ANDRE MATOS volta a se focar em sua carreira solo, no seu recém lançado terceiro álbum de estúdio. Com novos integrantes, a banda mostra renovação não só na composição do conjunto, mas na sonoridade musical.
197 acessosBlind Guardian e Rhapsody: Como seria Hansi e Lione cantando juntos?5000 acessosSpike: os sete piores solos de guitarra

Na última quarta-feira (22 de agosto), foi lançado mundialmente o terceiro álbum solo de ANDRE MATOS. A expectativa por parte dos fãs era grande e ao mesmo tempo temerosa. O último álbum do cantor em carreira solo, "Mentalize", não obteve uma repercussão muito positiva entre boa parte dos fãs, principalmente aqueles que esperavam uma sonoridade no estilo do primeiro álbum, "Time To Be Free".

Antes de fazer uma análise técnica do álbum, deve-se pensar a forma como Andre gere sua carreira musical, seja dentro de suas bandas ou em carreira solo. Tanto no VIPER, como no ANGRA ou no SHAMAN, Matos nunca lançou dois álbuns com a mesma sonoridade.

No SHAMAN, o disco "Ritual" é recheado de sons pagãos e tribais, mesclado a vocais rasgados e agressivos, cozinha crua, direta e as sempre tradicionais influências clássicas. Em "Reason", vemos Andre utilizando um vocal mais limpo do que no disco anterior, músicas mais rebuscadas e líricas, mostrando um Shaman mais emocional e menos técnico, sem deixar de lado os refrões grudentos e a qualidade singular do álbum anterior.

A carreira solo do cantor visivelmente estava caminhando para o mesmo lado. "Time To Be Free" talvez tenha sido um momento único de perfeição. O elo perfeito entre os estilos de Matos. Agressividade, peso e refrões grudentos? "Rio" , "Letting Go" e "Separate Ways". Baladas cativantes e pesadas? "Face The End". Lirismo contrastado com metal de primeira? "A New Moonlight" e "Endeavour". Todas as faixas se mantém em um nível de qualidade incrível e com potencial para se tornarem hits. Criatividade e inspiração em doses cuidadosamente inseridas na qualidade técnica.

No álbum seguinte, "Mentalize", Matos opta por uma atmosfera mais soturna, introspectiva. Lirismo em excesso e abuso da parte clássica ("Back To You" e A "Lapse In Time") do cantor são detectados com facilidade, porém sem em momento algum deixar a desejar. Elementos sacros, corais, introduções misteriosas ("When The Sun Cried Out" e "I Will Return") e recursos estilísticos que procuram criar um "estado de espírito" no ouvinte ("Someone Else" e "Mentalize) foram artifícios utilizados por Andre no conceito do disco. Também há músicas mais pesadas e rápidas (Don't Despair e Power Stream), que mantém o álbum no nível de qualquer outra obra musical do cantor. "Mentalize" é um álbum que considero injustiçado. A maior parte dos fãs que o despreza o faz por questão de gosto e não porque o álbum seja realmente ruim.

Como era de se esperar e levando em conta todo este diagnóstico dos parágrafos anteriores, chega a causar espécie que muitos fãs ainda esperem um "Time To Be Free 2" vindo do Tio Dedé. Se você é um deles, provavelmente ficará frustrado, da mesma maneira que os fãs do Shaman que esperavam uma nova "Fairy Tale" ficaram com o lançamento de "Reason".

Vamos ao que interessa. O conceito de "The Turn Of The Lights" é a reflexão sobre o atual momento da humanidade e como nossas ações refletem no mundo como um todo. O álbum é bem mais progressivo que os anteriores e conta com uma sonoridade moderna e revigorada, talvez pela entrada dos novos integrantes da banda, o baixista BRUNO LADISLAU e o baterista RODRIGO SILVEIRA.

A influência clássica de André nas texturas orquestrais dos pianos e teclados continua a mesma, porém com um novo tom, mais harmônico, mais aparente e com maior espaço dentro das canções.

As guitarras de Mariutti e Hernandes também obtém destaque, principalmente na base, onde aquela crueza e "sujeira" características dão lugar a uma cozinha limpa e uniforme, que consegue harmonizar com primor e singularidade tanto as canções mais pesadas quanto as baladas líricas do vocalista. A harmonia da base instrumental, o cuidado e inspiração de cada instrumentista em extrair o seu melhor nas faixas é um dos pontos altos do disco. Nenhum solo está ali por estar, o baixista faz muito mais que o "feijão com arroz" e sempre que há a oportunidade se sobressai, em complemento à canção.

HUGO MARIUTTI, como de praxe, se mostra um excelente músico, sabendo a hora de ser mais técnico e a hora de ir com calma e obter o melhor de seu instrumento, em harmonia sem quebras ou afobação em seus solos.

Andre está mais comedido no vocal, sem muitos excessos. Ele largou de vez o estilo de vocal rasgado do SHAMAN e que continuou a usar em doses homeopáticas na carreira solo e opta pelo que podemos ouvir em trabalhos mais recentes. Investe mais em seus médios, optando por agudos de maior dificuldade em raros momentos. Quem curte as mudanças de timbre de Matos dentro das canções, que provoca aquele interessante contraste, pode ficar um pouco decepcionado. Suas linhas vocais estão mais lineares e isso pode não agradar a muitos. O vocal está excelente como sempre, mas se tratando de Matos, ser excelente é quase que um requisito básico exigido pelos fãs, que esperam o vocalista surpreender com novos malabarismos vocais e notas sobre-humanas. Acredito que pelo conceito do álbum e também pela idade de Matos, cantar em tons extremamente agudos seria como dar um tiro no próprio pé.

O disco como um todo soa homogêneo e com faixas bem distribuídas entre músicas pesadas e baladas. Nas canções pesadas é menos agressivo e direto que "Time To Be Free" porém mais acessível que "Mentalize". Nas baladas não possui refrões tão grudentos e pegajosos quanto as do primeiro álbum, no entanto não abusa do lirismo e hermetismo do segundo.

Músicas cativantes e de nível indiscutível é o que se encontra neste terceiro disco do ANDRE MATOS. Uma banda madura, que une toda a sua experiência no cenário sem se acomodar no próprio sucesso. Um power/heavy metal de primeiríssima qualidade recheado de sonoridades modernas, recursos estilísticos criativos e toda a bagagem vocal e sinfônica de Matos em um único álbum.
Destaques para a faixa-título,"Course of Life" e "Unreplaceable".

Faixas:

1. Liberty (Matos / Mariutti)
2. Course of Life (Matos)
3. The Turn of the Lights (Matos / Mariutti / Ladislau / Casagrande)
4. Gaza (Matos / Mariutti)
5. Stop! (Matos / Mariutti)
6. On Your Own (Matos / Mariutti)
7. Unreplaceable (Matos / Mariutti / Ladislau)
8. Oversoul (Mariutti / Ladislau / Matos)
9. White Summit (Matos / Mariutti)
10. Light-Years (Matos / Hernandes)
11. Sometimes (Matos)

Integrantes da banda Andre Matos:
Andre Matos – vocais
Hugo Mariutti – guitarras
Andre Hernandes – guitarras
Bruno Ladislau – baixo
Rodrigo Silveira – bateria

GosteiNão gostei

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no G+

Outras resenhas de Turn Of The Lights - Andre Matos

5000 acessosAndre Matos: um trabalho ousado e inesperado5000 acessosAndre Matos: Maturidade musical ainda maior

Os comentários são postados usando scripts e logins do FACEBOOK, não estão hospedados no Whiplash.Net, não refletem a opinião dos editores do site, não são previamente moderados, e são de autoria e responsabilidade dos usuários que os assinam. Caso considere justo que qualquer comentário seja apagado, entre em contato.

Respeite usuários e colaboradores, não seja chato, não seja agressivo, não provoque e não responda provocações; Prefira enviar correções pelo link de envio de correções. Trolls e chatos que quebram estas regras podem ser banidos. Denuncie e ajude a manter este espaço limpo.

AngraAngra
Banda reage à tragédia com Adrenaline Mob

197 acessosBlind Guardian e Rhapsody: Como seria Hansi e Lione cantando juntos?1210 acessosAngra: Uma rara versão acústica de "Carry On" com Andre Matos899 acessosAngra: Fabio Lione tem poderes! (making of do novo álbum)0 acessosTodas as matérias e notícias sobre "Angra"

AngraAngra
"Somos como um alicerce da cena nacional"

Andre MatosAndre Matos
Vídeo de 2000 explicando saída do Angra

Orgulho NacionalOrgulho Nacional
As capas mais bonitas por artistas brasileiros

0 acessosTodas as matérias da seção Resenhas de CDs e DVDs0 acessosTodas as matérias sobre "Andre Matos"0 acessosTodas as matérias sobre "Angra"

SpikeSpike
Os sete piores solos de guitarra

MetallicaMetallica
Foto rara de formação original do grupo

Em 20/08/2005Em 20/08/2005
Iron Maiden é atacado com ovos no Ozzfest

5000 acessosIron Maiden: sobre o que fala a música "Aces High"?5000 acessosFãs de Rock: você conhece o estilo de se vestir de cada um5000 acessosUltimate Classic Rock: os 100 maiores clássicos do rock5000 acessosAC/DC: Axl conta por que Angus vive correndo no palco5000 acessosCrítica e representação da Guerra do Vietnã no rock dos anos 19605000 acessosPaul Di'Anno: Convertido ao Islã, vocalista comenta fanatismo

Sobre Lucas Rodrigues

Lucas Rodrigues mora em Cuiabá, estuda Jornalismo na Universidade Federal de Mato Grosso, trabalha no site MidiaJur, produz curta-metragens, atua e tenta cantar. Curte do Hard Rock ao Black Metal e acompanha o trabalho de bandas como Guns N' Roses, Andre Matos, Avantasia, Metallica, Angra, Shaman, Epica, Scorpions, Black Label Society e Ozzy Osbourne.

Mais matérias de Lucas Rodrigues no Whiplash.Net.

Whiplash.Net é um site colaborativo. Todo o conteúdo é de responsabilidade de colaboradores voluntários citados em cada matéria, e não representam a opinião dos editores ou responsáveis pela manutenção do site, mas apenas dos autores e colaboradores citados. Em caso de quebra de copyright ou por qualquer motivo que julgue conveniente denuncie material impróprio e este será removido. Conheça a nossa Política de Privacidade.

Em fevereiro: 1.218.643 visitantes, 2.740.135 visitas, 6.216.850 pageviews.

Usuários online