Bad Salad: "Salada", que de "ruim" não tem nada
Resenha - Uncivilized - Bad Salad
Por Rodolfo Stanic
Postado em 09 de agosto de 2012
Nota: 10 ![]()
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Começo esta resenha com uma pergunta que me intriga: quem ainda tem a audácia de dizer que brasileiro não consegue fazer música boa? O vocalista ANDRE MATOS – que lançará seu terceiro disco solo agora no dia 22 de agosto – disse muitas vezes em entrevista que praticamente toda vez que ele vai ao Japão em turnê, ouve o pessoal comentando que os brasileiros tem um jeito especial de tocar que pouca gente tem. E não estamos nos referindo apenas à música típica das terras tupiniquins, aos ritmos nascidos no país. Entre canções mais refinadas da nossa bossa nova e outras de gosto duvidoso como os "oi oi oi", "lererê" e "tchererê" que tocam por aí, sempre vejo músicos talentosos que conseguem se encaixar em estilos estabelecidos no exterior, neste caso o rock pesado, e criar algo com mesmo nível de qualidade. Infelizmente, poucos desses músicos são valorizados pelo nosso povo e consequentemente ficamos com essa imagem manchada da música brasileira, mas isso é assunto para outra hora.
O BAD SALAD, literal e comicamente "salada ruim" em inglês, é uma banda brasiliense de metal liderada por Thiago Campos (guitarra) e fundada em 2007, com a ideia de fazer jam sessions e compor músicas com ideias de todos os integrantes. Surgiu aí o nome "salada", que de "ruim" não tem nada. Com algumas mudanças, a formação que gravou o álbum de estréia, "Uncivilized", se integrou em 2010. Se você gosta de DREAM THEATER, provavelmente deve ter visto o vídeo tributo split-screen da música "Metropolis Pt. 1", que já passou da casa dos 1,1 milhões de acessos no YouTube (confira o vídeo abaixo). Este projeto de covers, o VRA, divide membros com o BAD SALAD e poderia até ser chamado de projeto paralelo.
Rogerio Antonio dos Anjos | Luis Alberto Braga Rodrigues | Efrem Maranhao Filho | Geraldo Fonseca | Gustavo Anunciação Lenza | Richard Malheiros | Vinicius Maciel | Adriano Lourenço Barbosa | Airton Lopes | Alexandre Faria Abelleira | Alexandre Sampaio | André Frederico | Ary César Coelho Luz Silva | Assuires Vieira da Silva Junior | Bergrock Ferreira | Bruno Franca Passamani | Caio Livio de Lacerda Augusto | Carlos Alexandre da Silva Neto | Carlos Gomes Cabral | Cesar Tadeu Lopes | Cláudia Falci | Danilo Melo | Dymm Productions and Management | Eudes Limeira | Fabiano Forte Martins Cordeiro | Fabio Henrique Lopes Collet e Silva | Filipe Matzembacher | Flávio dos Santos Cardoso | Frederico Holanda | Gabriel Fenili | George Morcerf | Henrique Haag Ribacki | Jorge Alexandre Nogueira Santos | Jose Patrick de Souza | João Alexandre Dantas | João Orlando Arantes Santana | Leonardo Felipe Amorim | Marcello da Silva Azevedo | Marcelo Franklin da Silva | Marcio Augusto Von Kriiger Santos | Marcos Donizeti Dos Santos | Marcus Vieira | Mauricio Nuno Santos | Maurício Gioachini | Odair de Abreu Lima | Pedro Fortunato | Rafael Wambier Dos Santos | Regina Laura Pinheiro | Ricardo Cunha | Sergio Luis Anaga | Silvia Gomes de Lima | Thiago Cardim | Tiago Andrade | Victor Adriel | Victor Jose Camara | Vinicius Valter de Lemos | Walter Armellei Junior | Williams Ricardo Almeida de Oliveira | Yria Freitas Tandel |
O álbum começa as músicas "Crowded Sky" e "Nemesis", já disponibilizadas anos atrás em versões demo para divulgação da banda. A partir da próxima música, "Mourning", uma quase-balada bem interessante, já conseguimos perceber que "Uncivilized" não é um álbum de composições fracas. Os Salads sabem criar músicas que abusam das variações rítmicas, algo típico do rock progressivo, sem soar como um "copiei, colei" de ideias aleatórias. O álbum, apesar de conter essencialmente músicas longas, segue uma coerência que mostra o quanto a banda se preocupou em pensar e estruturar suas músicas. Os solos de baixo de Felipe Campos e a competência de Caco Gonçalves na bateria também merecem destaque.
Como já era de se esperar para quem veio acompanhando o trabalho dos integrantes do BAD SALAD, durante todos os 78 minutos de duração do disco, a influência de DREAM THEATER é bem evidente e a banda cai em alguns clichês, algo muito perceptível especialmente na pesada introdução da música "The Second Calling", gravada com uma guitarra de sete cordas e com riffs que poderiam ter sido facilmente compostos por John Petrucci. Mesmo assim, eles não me parecem uma cópia descarada do grupo norte-americano: os vocais de Denis Oliveira são diferentes para o padrão do estilo, algo que a banda sempre mostrou ser intencional. Elementos do rock alternativo e de outros gêneros estão presentes também, fazendo com o que disco, ao mesmo tempo que pareça familiar, tenha uma sonoridade moderna e bacana.
Acredito que esse disco seja um prato cheio para os fãs de metal progressivo, estilo ainda não tão popular, porém em constante crescimento. Recheado de músicas épicas, equilibra a quebradeira musical com muita melodia, músicos virtuosos sem exibicionismo e exageros. É realmente uma pena que ele tenha optado por sair da banda, mas os sons de teclado de César Zolhof (antigo baterista do KHALLICE) fazem toda a diferença, sejam nas camadas orquestrais ou nos solos muito bem elaborados. "Uncivilized" é mais um forte indício de que o metal nacional não morreu e vai muito bem, obrigado. Entretanto, é triste que, ironicamente, a nossa música esteja sendo mais valorizada nos outros países do que pelos próprios brasileiros.
Uncivilized - Bad Salad
Lançado em 24 de julho de 2012
Tracklist:
1 - Crowded Sky (6:31)
2 - Nemesis (11:33)
3 - Mourning (10:09)
4 - The Second Calling (12:37)
5 - Damned (9:29)
6 - Sights from Within (12:37)
7 - Dawn of the Machine (15:29)
Esta resenha pode ser lida também no Caravela Virtual.
http://www.caravelavirtual.com.br/2012/07/resenha-uncivilized-bad-salad/
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