Darkthrone: Em 1991, uma jornada aos confins da Alma
Resenha - Soulside Journey - Darkthrone
Por Gabriel Ramos Paschoaletto
Postado em 17 de junho de 2012
Nota: 9 ![]()
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O nome Darkthrone está irreversivelmente ligado ao Black Metal minimalista e gélido tocado pela banda na maior parte de sua extensa discografia (15 álbuns até o momento); ainda que nos últimos anos a banda tenha seguido um caminho cada vez mais voltado ao Heavy/Speed Metal old school, lançando álbuns que parecem ter saído de uma máquina do tempo, tamanha a fidelidade aos anos 80.
No entanto, o álbum de estréia, Soulside Journey, não se enquadra em nenhuma das duas facetas citadas acima, sendo um disco totalmente "à parte" na carreira da banda.
Lançado em 1991, o disco traz aquele Death Metal característico da época, mas com identidade própria e muita originalidade - o que já era raro.
Para situar melhor o leitor, imagine o primeiro álbum do Entombed somado às levadas arrastadas do Autopsy. Agora transfira o resultado para a paisagem mostrada na arte da capa, e você terá uma boa idéia da música em Soulside Journey.
As músicas são construídas em cima de riffs pesadíssimos, alternando momentos de puro headbanging (ex: "Cromlech") a outros mais introspectivos e sombrios (ex: "Neptune Towers"), sempre trazendo cartas na manga: um belo solo de guitarra, um inesperado solo de baixo ou uma misteriosa melodia de teclado; tudo contribuindo para criar o clima de desolação e de "outro mundo" que permeia todo o play.
O álbum possui uma coerência incrível, todas as faixas parecem ser partes de uma mesma música de 40 minutos de duração. Inclusive, este é o motivo da review não abordar minuciosamente cada música do disco, ele é feito pra ser ouvido inteiro, do início ao fim.
Individualmente a banda está afiadíssima, as músicas são executadas com uma precisão absurda (principalmente a bateria, Fenriz é um grande baterista, embora ele mesmo negue)e mostram a técnica apurada dos, na época, moleques. A qualidade musical é destacada ainda mais pela produção impecável, que deixou todos os instrumentos perfeitamente audíveis.
Os vocais mantém praticamente o mesmo tom durante todo o álbum (com óbvia exceção das duas faixas instrumentais: "Accumulation Of Generalization" e "Eon"), um gutural "profundo", que parece vindo de alguma entidade cósmica dando ordens a seus seguidores; provavelmente a voz que H. P. Lovecraft escolheria para seu personagem "Cthulhu", se este falasse.
Por fim, destaca-se que a referida coerência que o álbum possui é também o seu único defeito, pois o torna um pouco cansativo, as músicas são variadas "por dentro", mas quando comparadas umas com as outras soam muito parecidas, podendo desagradar um ouvinte mais desatento.
Após Soulside Journey a banda abortou totalmente os planos de um segundo álbum na mesma linha e resolveu migrar para o Black Metal, estilo no qual realmente fez história e acabou se tornando uma das mais importantes bandas do mundo, imitada por uma infinidade de bandas que surgiram depois.
Mas, ainda que ofuscado pelo resto da discografia da banda, Soulside Journey é um ótimo disco, que merece ser ouvido com atenção, inclusive por quem não gosta de Darkthrone!
Um último detalhe: o relançamento do álbum em CD é ótimo, com uma bela embalagem digipack e uma ótima entrevista em vídeo como bônus; vale a pena!
"Unreal Psychedelic Journey
Ride The Darkside
Search The Soulside "
Tracklist:
1. Cromlech
2. Sunrise Over Locus Mortis
3. Soulside Journey
4. Accumulation of Generalization (instrumental)
5. Neptune Towers
6. Sempiternal Sepulchrality
7. Grave with a View
8. Iconoclasm Sweeps Cappadocia
9. Nor the Silent Whispers
10. The Watchtower
11. Eon (instrumental)
Gravadora:
Peaceville
http://www.peaceville.com/
Importado
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