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Kim Kehl & Os Kurandeiros: Um bom disco de Rock Brasileiro

Resenha - Kim Kehl & Os Kurandeiros - Kim Kehl & Os Kurandeiros

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Por Luiz Carlos Barata Cichetto
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Kim Kehl, guitarrista, cantor e compositor, em 30 anos de estrada já tocou em dezenas de bandas de Rock e acompanhou cantores populares em centenas de shows, Brasil afora e no exterior. Seu projeto solo com a banda Kim Kehl & Os Kurandeiros existe desde os anos 90, e o primeiro CD saiu em 2003. Sempre com convidados ilustres, o segundo álbum, Mambo Jambo, acaba de sair, e a banda já esta de volta à estrada!"

O pequeno release acima constante do My Space de Kim Kehl & Os Kurandeiros é definitivamente pequeno demais. E não faz jus a extensa carreira de Kim pelos palcos brasileiros. Com passagem por históricas bandas brasileiras de Rock como a lendária Lírio de Vidro, o Made In Brazil dos irmãos Vecchione, participações com a Patrulha do Espaço, Nasi e os Irmãos do Blues, a carreira do roqueiro Kim como músico inclui uma temporada grande com a dupla sertaneja Rick & Renner. Afinal, Rock and Roll no Brasil como afirmou há muito tempo a estrela Rita Lee, "sempre teve cara de bandido". E nem só de Rock viverá o homem...

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Mas, todos aqueles que o sentem sabem, Rock está mais do que nas veias de qualquer roqueiro verdadeiro, está na alma. E Kim Kehl é um roqueiro de sangue e alma. Tanto que em 2004 reuniu uma galera de peso (Rod Filipovitch nas guitarras, Sergio Takara no baixo, o lendário batera Carlinhos Machado e o profissionalíssimo tecladista Nelson Ferraresso) e gravou o CD de estréia da banda roqueira Kim Kehl & Os Kurandeiros.

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O disco abre com um Rock básico e sacolejante "Maria Fumaça" com os chamados riffs certeiros de Kim a lá Chuck Berry. A seguir outra faixa Rock Essencial, "Sou Duro", com o piano de Nelson martelado e a participação de Nasi num vocal que lembra muito Johnny Winter e de Luis Sérgio Carlini tocando guitarra.

Música competente e correta, mas que a mim peca naquilo que repeti em inúmeros textos: a letra. Sinceramente acho que o trinômio "Sexo/Bebida/Carrão" é manjado e adolescente demais para quem passou dos cinqüenta (estou falando do Rock and Roll em si, não da idade dos músicos). Além do que, no caso de "Sou Duro", essa coisa de duplo sentido é coisa de pagode. Mas, é uma opinião minha, pessoal.

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A música a seguir "Deixe Tudo" é uma balada no estilo Jovem Guarda, com guitarras a "havaianas" e refrão bem cuidado. "Só Alegria" retoma o estilo Rock And Roll juvenil, que lembra as músicas do Made. Kim bebeu das mesmas fontes que os Vecchione, e sabe que Rock é Rock mesmo. "Beber Até Cair" é uma faixa bem interessante, com um toque Country Caipira, e uma letra bem humorada. A faixa a seguir muda novamente de ares, "Blues do Trabalhadô" um Blues com temática urbana falando das peripécias dos "companheiros trabaiadores". "Meu Mundo Caiu", titulo homônimo de uma música da porra-louca-genial Maysa, com participação do bluesman André Christovam é uma balada sentimental, meio bluseira, com citações de várias músicas que provavelmente Kim escutou na infância na vitrola do pai como eu, como Vicente Celestino por exemplo. Quero até crer que tenha sido intencional, e sendo é válida e merecida a homenagem.

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A faixa a seguir começa com uma bateria forte e belo solo de guitarra e gaita: "Anjo do Asfalto", daquelas chamadas "estradeiras" e que não podem faltar no repertório de uma banda de Rock Clássica. E ela fala do que sempre essas letras falam: "Carros/Sexo/Bebida"... Apenas achei que podia ser um pouco mais rápida a levada, mas o instrumental na música é muitíssimo agradável. A penúltima faixa do primeiro disco de Kim Kehl & Os Kurandeiros é uma bela homenagem a Raul Seixas, com a letra que começa com uma colagem de frases e palavras do "Maluco Beleza" e arremata no refrão que "O Raul foi pro beleléu e deve estar lá no céu tocando numa banda com Elvis, John Lennon e o Brian Jones."

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A última faixa do disco, "Maria Gasolina" é outro Rock básico e competente tocado com energia e vontade pelos "Kurandeiros" e que fala de... Ah... "Carro/Sexo/Bebida"? É, mais ou menos, pois na verdade a música é uma, digamos, crítica a ascensão social com citações "jovem-guardistas", tanto na letra como no instrumental.

Ao meu lado a capa do CD e acreditando que o disco acabou, começo a folhear o encarte procurando informações. O CD continua na bandeja e o som começa a tomar conta do ambiente. Uma faixa surpresa que não consta na relação. Instrumental, leve e bela!

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No final, em minha humilde e honesta opinião, o CD de estréia de Kim Kehl & Os Kurandeiros é um bom disco, competente musicalmente e um bom disco de Rock Brasileiro na essência, pois mistura sonoridades e influências, mas que quando decide fazer um bom e básico Rock’n’Roll acerta em quase tudo. A questão das letras pode ser desculpável quando a gente sabe da dificuldade que é encaixar letras em português dentro do Rock mais básico, por conta da falta de sonoridade da língua de Camões. Ao menos de sonoridade roqueira.

Kim Kehl & Os Kurandeiros
Ano: 2003
Gravadora: Independente
Músicos: Kim Kehl (Guitarra, Slide, Violões, Vocais)
Rod Filipovitch (Guitarra)
Sergio Takara (Baixo)
Carlinhos Machado (Bateria)
Nelson Ferraresso (Teclados)

Participação:
André Christovam (Guitarras)
Cássio Poletto (Violino)
Celso Getz (Bateria)
Flávio Gutok (Guitarra)
Hugo Hori (Saxofones)
Johnny Boy Chaves (Teclados)
Luis Sérgio Carlini (Guitarra e Lap Steel)
Nasi (Vocal)
Toni Moreira (Teclados)
Faixas: 1 – Maria Fumaça
2 – Sou Duro
3 – Deixe Tudo
4 – Só Alegria
5 – Beber Até Cair
6 – Blues do Trabalhado
7 – Meu Mundo Caiu
8 – Anjo do Asfalto
9 – Pro Raul
10 – Maria Gasolina
11 -

Site:
http://www.myspace.com/kimkehleoskurandeiros
Contato: [email protected]


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Sobre Luiz Carlos Barata Cichetto

Sou Barata, nascido Luiz Carlos, no dia do Anti-Natal, do ano da Graça do nascimento de Madonna, Michael Jackson, Bruce Dickinson, Cazuza e Tim Burton. Sou poeta, escritor, produtor e apresentador de Webradio, produtor de eventos e procuro pagar as contas trabalhando com criação de sites. Crescí escutando Beatles, Black Sabbath, Pink Floyd e Led Zeppelin. Participei da geração mimeógrafo nos anos 1970, mas quando chegaram os filhos, deixei de ser poeta e fui tentar ser homem, o que no entender de Bukowiski é bem mais difícil. Escrevo poemas desde que comecei a criar pêlos.... nas mãos. Trabalhei como office-boy, bancário, projetista de brinquedos e analista de qualidade. No final do século XX, acordei certo dia de sonhos intranquilos e, transformado em um ser kafkiano, criei um projeto cultural na Internet nos moldes dos antigos panfletos mimeográficos. Mesmo antes de meu processo de metamorfose, nunca deixei de cometer poemas, contos e crônicas. E embora tenha passado dos três dígitos o numero de textos escritos, nunca ganhei um prêmio literário. Fui apaixonado por Varda de Perdidos no Espaço, Janis Joplin, Grace Slick e Sonja Kristina; casei quatro vezes e tenho dois filhos, Raul e Ian. Atualmente sou também editor, costureiro e colador de livros, num projeto de editora artesanal.

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