Beyond The Bridge: Álbum pra progger nenhum botar defeito
Resenha - Old Mand and The Spirit - Beyond The Bridge
Por Rodrigo Luiz
Fonte: The Metropolis Music
Postado em 12 de março de 2012
O Beyond The Bridge nasceu em 2005, mas sua história começou como Fallout, em 1999, na cidade de Frankfurt, Alemanha. A Fallout chegou a fazer alguns shows por Frankfurt, mas foi desfeita para os integrantes, bastante jovens ainda, se dedicarem aos estudos. Seis anos depois, o guitarrista Peter Degenfeld se encontrou com o tecladista Christopher Tarnow, e, juntos, decidiram revitalizar o projeto, reunindo os velhos integrantes, agora, músicos já formados e bem gabaritados, e dando o nome de Beyond The Bridge.
No mesmo ano, Peter e Cristopher começaram a compor as músicas para "The Old Man and The Spirit", que só foi lançado este ano. O tempo usado para produção e criação foi um tanto longo, mas, felizmente, muito bem usado. O conceito do disco é similar a uma ópera dramática, dividida em dois atos; a primeira é cantada pelo "Velho", interpretado pelo vocalista Herbie Langhans, e a segunda pelo "Espírito", interpretado por Dilenya Mar, a outra vocalista. O Espírito é a personoficicação da sabedoria e aparece como um guia para o Velho, saciando suas curiosidades em troca suas experiências e sentimentos, já que é incapaz de sentir, tentando convencê-lo de que ele jamais irá trangredir seus limites humanos sem a sua ajuda.
O conceito já começa a se desenhar nas duas primeiras faixas, "The Call" e "The Apparition". Na primeira, o Velho fala de sua mente perturbada pela vontade de conhecer os segredos da vida e da existência humana. A segunda, como seu nome já diz, é justamente uma aparição do Espírito para o Velho. Musicalmente falando, a segunda faixa mostra todo o potencial técnico da banda. Nela, a vocalista Dilenya Mar começa a cantar e os seus duelos com Herbie Langhans logo aparecem como um grande diferencial.
Seguindo o disco temos "Triumph Of Reality", uma bela faixa instrumental onde, mais uma vez, os integrantes esbanjam técnica, mas com uma sonoridade mais refrescante. "The Spring Of It All" é um belíssimo interlúdio e prepara bem o clima para a contemplativa "World Of Wonders", onde Dilenya Mar simplesmente brilha. "The Primal Demand" é outro interlúdio, dessa vez para a variadíssima "Doorway To Salvation", com seções instrumentais das mais diversos texturas, ora leve e tranquila, ora cheia de tensão.
"The Struggle" é outro ponto alto do álbum e exatamente o que o título sugere: uma luta. É a faixa onde os duelos vocais de Langhans e Dilenya ganham mais evidência. Os vocalistas chegam a "dizcutir" em alguns momentos, cantando ao mesmo tempo, com um curioso ritmo de salsa ao fundo. Vale destacar também o solo de teclado na parte final da música. "The Difference Is Human" chega e só é percebida por conta dos seus fortes arranjos orquestrais, com um viés mais sinfônico. Ela tem moldes mais clássicos do prog metal e é mais uma onde os vocais fazem a diferença.
"Where The Earth and Sky Meet" é outra balada, mas diferente da tranquila "World Of Wonders". É oitentista demais em alguns momentos, mas os coros e as melodias de guitarra vêm com uma grande força emocional. "All I Man Can Do" chega com vocais potentes e certas doses de experimentalismo, seções instrumentais interessantes e excelentes transições. É a faixa derradeira do disco, quando o Espírito finalmente convence o Velho de que a superação de seus limites humanos não traz resposta alguma para o sentido da vida. Ótima forma de fechar o álbum.
"The Old Mand and The Spirit" mostra uma banda muito madura, apesar de esse ser um debut, o que é facilmente explicado pelo longo período de preparação para este lançamento. Ainda assim, vale ressaltar este ponto. O disco é rico em musicalidade e impecável tecnicamente. Sua abordagem é ambiciosa e complexa, mas as transições são fáceis e homogêneas, tanto que as vezes é imperceptível a mudança de uma faixa para outra. As letras são reflexivas e envolventes, os arranjos vocais são inteligentes e casam perfeitamente com o conceito do disco e os vocalistas conseguem transmitir a história de forma empolgante e comovente. Álbum pra progger nenhum botar defeito.
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