The Rapture: Novo álbum pouco vai marcar a carreira do trio
Resenha - In the Grace of Your Love - Rapture
Por Paulo Finatto Jr.
Postado em 05 de janeiro de 2012
Nota: 5 ![]()
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Em um curto período de tempo, muitas bandas de indie rock deixaram o cenário estritamente underground para aparecer com certo glamour em diversas partes do mundo. O gênero – que se tornou uma verdadeira febre também entre os brasileiros – impulsionou uma mistura desenfreada de referências sonoras dentro de uma proposta alternativa. Entre os grupos mais ousados, os norte-americanos do THE RAPTURE figuram com destaque. No entanto, o novo álbum do trio, intitulado "In the Grace of Your Love", não é capaz de animar o público como os discos mais recentes dos seus conterrâneos MGMT e VAMPIRE WEEKEND.
O power-trio Luke Jenner (vocal e guitarra), Gabriel Andruzzi (baixo e teclado) e Vito Roccoforte (bateria) é considerado um dos percussores do gênero post-punk, definido mais ou menos como uma mistura do rock inglês de vanguarda – e de bandas como o THE SMITHS e o THE CURE – com fortes e antagônicos elementos música eletrônica atual. O grupo de Nova York THE RAPTURE foi formado no fim da década de noventa e conseguiu em sua rápida trajetória – que soma apenas outros dois discos – construir músicas que viraram referência para todos os outros nomes que vieram na mesma onda para executar o indie/acid rock. Entretanto, o novato "In the Grace of Your Love" pouco repete o que Luke Jenner & Cia. criaram de mais bacana no passado. O repertório de cerca de cinquenta muitos não mostra nenhuma música do mesmo nível dos hits "Echoes" e "Whoo! Alright Yeah... Uh Huh". O que acaba se sobressaindo é um track-list monótono e que perdeu boa parte da originalidade encontrada anteriormente.
O hiato de quase cinco anos provavelmente foi decisivo para que "In the Grace of Your Love" perdesse parte das boas ideias que contornaram o elogiado "Pieces of the People We Love" (2006). Não há dúvidas de que o suicídio da mãe de Luke Jenner quase levou o THE RAPTURE ao seu fim e ainda pesou de maneira signifcativa para o encaminhamento melancólico de grande parte das faixas encontradas no álbum. Com músicas mais calmas que o habitual, o novo disco do trio norte-americano sente falta (e muito) do clima mais enérgico da música eletrônica e das peripécias endiabradas do rock alternativo. Embora muitos apreciadores incondicionais da banda tratem esse registro como mais uma relíquia produzida pela mente criativa de Jenner, a verdade é que o novo material do THE RAPTURE em nada pode ser considerado um ápice dentro da trajetória dos nova-iorquinos.
Nem mesmo o trabalho do produtor Phillipe Zdar (CUT COPY e CHROMEO) levou o trabalho do grupo para um terreno mais frutífero. O repertório de "In the Grace of Your Love" – que conta na capa com uma foto antiga do pai de Luke Jenner – perdeu uma das características mais marcantes do post-punk do THE RAPTURE: o alto astral extremamente condizente com o clima das pistas dos night clubs espalhados pelo muito afora. A abertura do álbum com a dramática "Sail Away" mostra como a melancolia contornada pela dance music não serviu para que o resultado do material fosse rotulado de – pelo menos – satisfatório. Com um clima um pouco mais animado, nem mesmo "Miss You" (em uma clara referência à mãe morta de Jenner) foi capaz de reverter a monotonia demasiadamente encontrada em "In the Grace of Your Love".
Outro fator que pesa contra o THE RAPTURE é a voz limitada de Luke Jenner. O cantor possui uma performance ainda mais crua do que a de nomes como Alex Kapranos (FRANZ FERDINAND) e Ricky Wilson (KAISER CHIEFS). O resultado disso é evidenciado em todo o insucesso de faixas como "Blue Bird" – uma música muito estranha – e "Come Back to Me". De modo praticamente curioso, os arranjos eletrônicos pouco interferiram no sentido de transformar o repertório do novo álbum da banda mais vibrante ou encorpado. A exceção talvez seja a faixa-título – uma das poucas que conseguiu se sobressair ao que há de mais arrastado e comum em "In the Grace of Your Love". Por conta de todas essas características, a dupla Gabriel Andruzzi e Vito Roccoforte mal consegue mostrar o seu trabalho de maneira límpida e eficiente.
No entanto, o disco não pode ser considerado um desastre maior porque há uma ou outra faixa que possui potencial suficiente para agradar até mesmo o público indie mais exigente. Outro exemplo dentro dessa perspectiva – além da faixa-título – é a animada (e eletrônica) "Never Die Again". Porém, quando o track-list de "In the Grace of Your Love" parece que vai engrenar, músicas como "Roller Coaster" e "Children" (mais uma referência à mãe de Jenner) praticamente espantam os melhores momentos do disco que apareciam timidamente. As duas músicas citadas andam em círculos e sem nenhum propósito para o contexto da obra. A verdade é que o terceiro álbum do THE RAPTURE carece de investidas mais radicais como a interessante e (quase) psicodélica "How Deep is Your Love?".
Por mais que possua uma série de músicas fracas, nem tudo é assim tão desprezível e inconsequente dentro do repertório de "In the Grace of Your Love". Para finalizar com outro bom momento, "It Takes Time to Be a Man" também reacende o sentimento de que a melancolia do álbum é muito mais fruto dos últimos acontecimentos vividos por Luke Jenner do que um novo direcionamento musical adotado pelo THE RAPTURE. A expectativa que fica é que o grupo retome o que de melhor compôs em mais de dez anos de trajetória para viabilizar o seu retorno definitivo ao mundo do indie rock e do post-punk. Isso porque o resultado de "In the Grace of Your Love" é apenas mediano e pouco vai marcar a carreira do trio nova-iorquino daqui para frente.
Track-list:
01. Sail Away
02. Miss You
03. Blue Bird
04. Come Back to Me
05. In the Grace of Your Love
06. Never Die Again
07. Roller Coaster
08. Children
09. Can You Find a Way?
10. How Deep is Your Love?
11. It Takes Time to Be a Man
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