Dynahead: Mais um ótimo disco desses brasilienses
Resenha - Yoniverse - Dynahead
Por Pablo WD
Fonte: Blog Mundo WD
Postado em 13 de novembro de 2011
Nota: 9 ![]()
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Lançado, salvo engano, em abril deste ano, Youniverse não decepciona. Todas as tendências e linhas da banda, com sua diversidade de melodias, andamentos, cadenciamentos e vozes são mantidas, elementos que vêm aliados a um som um pouco mais denso e "escuro" que no seu predecessor, o Antigen, que mostrava uma cara um pouco mais (no que é possível para o Dynahead) direta e crua (de novo, no que é possível para o Dynahead). O álbum, temático, trata da vida humana em diálogo constante com a vida do universo, com um resultado muito, mas muito bom mesmo.
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A produção do disco, do vocalista Caio Duarte e do restante da banda, é esmerada. Gravações ótimas, performances melhores ainda e uma clareza, com muito peso, no som dos instrumentos que é de se elogiar. Ponto mais que alto para uma bolachinha que é totalmente independente, sem apoio de uma gravadora. Também a performance de todos da banda, com destaque para a versatilidade do Caio Duarte e para o trabalho das guitarras, é sensacional.
E, melhor ainda, se reclamei que no álbum passado, com um trabalho tão esmerado em uma bela embalagem digipack, ficou faltando um encarte com as letras das músicas, dessa vez não posso reclamar disso, pois no Youniverse, além de novamente uma arte belíssima com uma embalagem digipack, há também o encarte com o mesmo trabalho de arte da embalagem. Ponto alto de profissionalismo e cuidado com o próprio produto!
Não quero que neste meu blog eu comece a, todo álbum que eu pegar para ouvir e escrever sobre, comentar faixa por faixa. Acho cansativo tanto para escrever como para o leitor, mas no caso do Youniverse, não tive outro jeito. Então, vamos a rápidas falas faixa a faixa.
Ylem. Grande abertura com sons do universo intrigantes e bonitos. Aos poucos a música cresce e vem para um metalzão sensacional regado à voz rasgada do Caio Duarte e, como é de se esperar do Dynahead, muita variação rítmica e em riffs.
Eventide – Mais um metalzão, para mim, dos melhores do disco. É um metal mais tradicional (no que é possível para o Dynahead), mais reto, o que me amarrei. O refrão é grudento, bem melódico. A interpretação do Caio está sensacional. Minha segunda música preferida na bolacha.
Inception – uma das mais diferentes. Passeia bem entre o leve e acústico e entre o pesado e Death. Começa forte, pesada e emenda rápido e repentinamente em uma parte bem diferente, meio jazz, sei lá, e aí vem peso e volta ao jazz e depois uma estrutura mais tradicional. Para se ter ideia, tem até algumas blast beats estilo death metal lá pelo meio da música, obviamente acompanhada pelo vocal gutural, e também partes leves orquestradas. . Muito estranha, diferente e legal.. E o verso que canta "to be wrong is a matter of time, a matter of time; to be wrong is to be alive"… é maravilhoso, tanto por grudar na cabeça pela melodia como pelo significado.
Unripe One – A minha preferida. Riff base sensacional e parte leve muito legal, além de solos de dar gosto de ouvir. Fora que as variações de ritmo, andamento e riffs são muito boas, e a performance do Caio Duarte é matadora, variando com desenvoltura entre o rasgado e o limpo.
Confinement in Black. Outra pérola, com ótimas vocalizações, variações de andamento e uma pegada mais pesada, sem entrar numa pegada mais para death, como em Inception. E lá pelo meio tem um pouco daqueles "riffs solados" que me alucinam.
Circles – A balada do disco. Mas balada ao estilo Dynahead. Arranjos diferentes, muita variação, um violão lá pelo meio, que lembra um pouco um violão ao estilo cigano. Balada curta, mas sensacional. Um dos detaques do disco para mim. Essa música serviu de base para um curta metragem de autoria do vocalista Caio Duarte que pode ser visto abaixo. Não é bem um clipe, mas quase lá.
My replicator – volta-se à porrada. Muita voz rasgada e muito gutural. Música rápida e pesada. Nada mais a dizer a não ser que é fodástica.
Repentance hour – Outra ótima música, muito variada, com ótimas partes "batidonas", meio metal rock, e outras acústicas muito bonitas. Fora um solo rápido que se destaca lá pelo meio da música e um cadenciamento meio, eu disse, meio, Dream Theather lá no último quarto da música.
Way down memory Lane – mais uma típica do Dynahead. Ótimas variações, ótimos riffs, excelente vocalização. Metalzão típico do Dynahead, e mais típico ainda porque nessa eles inovam bastante e lá pelo meio para o final põem algo que, posso dizer, é praticamente uma bossa nova. Muito estranho, mas ao mesmo tempo ficou muito legal. Lógico, não quero ficar ouvindo bossa nova, gosto de metal, mas, putz, essa ousadia ficou muito legal.
Redemption – seria mais uma balada do disco, se no meio da música não entrasse um metalzão muito típico, mas volta para a balada e depois para uma parte "midi tempo". Boa música, embora eu não tenha gostado do lugar no disco onde foi colocada, ou seja, logo após uma "bossa nova", deixando um trecho grande do disco mais "balado".
Onset – e voltamos ao peso, e dá-lhe metalzão pesado no início da música. Depois varia entre um midi tempo, às vezes meio acústico, e partes pesadonas com vocal gutural muito bem colocados. Gosto demais dessas variações na voz que o Caio Duarte faz, indo de uma parte mais limpa, às vezes em tom mais alto (mas nunca espere, ainda bem, um falsete ou um tom super-alto ao estilo Kiske), até um rasgado e um gutural. Ótimo final de disco.
O resultado final é mais um ótimo disco desses brasilienses que dão orgulho a Brasília e ao Brasil. Se não superou o anterior, uma porrada com mais tocadas thrash, está no mesmo nível. Até pelo lado thrash, que me amarro tanto a ponto de poder considerar meu estilo preferido dentro do metal, talvez eu ainda tenha um gosto um pouco maior com o Antigen, mas o Youniverse é também fodástico, deve ser comprado (é barato – acho que R$ 15 e valoriza o trabalho dos caras) e deve ser ouvido.
Se quiserem conhecer o CD todo, a banda colocou todas as músicas do disco no youtube. Então aproveitem.
Nota: 9 metal horns
Ficha técnica
Youniverse – Dynahead
Produzido por Caio Duarte e Dynahead. Ano de lançamento – 2011
Banda:
Caio Duarte – vocal
Pablo Vilela e Diego Mafra – guitarras
Diego Teixeira – baixo
Rafael Dantas – bateria (pouco depois do lançamento ele saiu da banda, sendo substituído por Deth Santos)
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