Opeth: "Heritage" precisa ser ouvido com paciência
Resenha - Heritage - Opeth
Por Rodrigo Luiz
Fonte: The Metropolis Music
Postado em 31 de outubro de 2011
O OPETH sempre impressionou por sua imprevisibilidade. A banda consegue absorver inúmeros elementos musicais e os adiciona sem a menor sutileza ao metal extremo, explorando toda a liberdade que o rótulo "progressivo" lhe permite ter, fazendo com que passagens acústicas e tranquilas se harmonizem com momentos de pura agressividade, sempre com uma qualidade de composição altíssima. E este álbum não poderia ser diferente, mais uma vez a banda impressiona e mostra muita ousadia, explorando ao máximo toda sua veia progressiva e experimental, com muita influência do som setentista.

Assim como o semi-acústico "Damnation", de 2003, "Heritage" não possui guturais, o que já havia sido anunciado pelo vocalista, guitarrista, compositor e líder da banda Mikael Äkerfeldt, antes do lançamento. A banda tira totalmente os pés do metal, abandonando o seu lado death, mas a melancolia soturna e toda obscuridade continua presente. Há uma forte influência do rock progressivo da década de 70 - que também tem a obscuridade como característica latente - que é intensificado pelo uso de flautas e mellotrons. Além disso, o disco possui alguns toques folclóricos, um pouco de jazz, e até um certo pdicodelismo, e a dramaticidade e leveza mais acentuadas nas letras o torna belo, apesar de bastante denso. Até aqui uma descrição favorável, mas veremos as ressalvas no final do texto.

O disco abre com a intro jazzística "Heritage", que é seguida por "The Devil's Orchard", que foi lançada como single e já era um indício da proposta do álbum. Nela encontramos um belo trabalho nos riffs e solos, é a faixa que mais se assemelha ao som que a banda costuma fazer. "I Feel The Dark" possui uma melancolia conduzida com sutileza pelos violões, tem uma atmosfera bastante escura. "Slither" é uma homenagem a Ronnie James Dio, e é a mais pesada do disco, quase um hard rock. Até funciona bem isolada, mas destoa muito do restante das músicas, apesar de uma tentativa de transitar novamente para o clima do disco nos dedilhados finais. As belas "Nepenthe" e "Häxprocess" tem muitos toques do jazz e um clima mais saudosista do restante do disco, assim como a ousada "Famine", na qual o uso das flautas em alguns momentos amplificam ainda mais o clima setentista. A curta "The Lines In My Hand" tem como destaque as excelentes linhas de bateria, em ritmos mais quebrados e complexos. E a bateria não é só destaque nesta música, Martin Axenrot faz um trabalho impecável em todo o disco.
Rogerio Antonio dos Anjos | Luis Alberto Braga Rodrigues | Efrem Maranhao Filho | Geraldo Fonseca | Gustavo Anunciação Lenza | Richard Malheiros | Vinicius Maciel | Adriano Lourenço Barbosa | Airton Lopes | Alexandre Faria Abelleira | Alexandre Sampaio | André Frederico | Ary César Coelho Luz Silva | Assuires Vieira da Silva Junior | Bergrock Ferreira | Bruno Franca Passamani | Caio Livio de Lacerda Augusto | Carlos Alexandre da Silva Neto | Carlos Gomes Cabral | Cesar Tadeu Lopes | Cláudia Falci | Danilo Melo | Dymm Productions and Management | Eudes Limeira | Fabiano Forte Martins Cordeiro | Fabio Henrique Lopes Collet e Silva | Filipe Matzembacher | Flávio dos Santos Cardoso | Frederico Holanda | Gabriel Fenili | George Morcerf | Henrique Haag Ribacki | Jorge Alexandre Nogueira Santos | Jose Patrick de Souza | João Alexandre Dantas | João Orlando Arantes Santana | Leonardo Felipe Amorim | Marcello da Silva Azevedo | Marcelo Franklin da Silva | Marcio Augusto Von Kriiger Santos | Marcos Donizeti Dos Santos | Marcus Vieira | Mauricio Nuno Santos | Maurício Gioachini | Odair de Abreu Lima | Pedro Fortunato | Rafael Wambier Dos Santos | Regina Laura Pinheiro | Ricardo Cunha | Sergio Luis Anaga | Silvia Gomes de Lima | Thiago Cardim | Tiago Andrade | Victor Adriel | Victor Jose Camara | Vinicius Valter de Lemos | Walter Armellei Junior | Williams Ricardo Almeida de Oliveira | Yria Freitas Tandel | "Folklore" é a mais jazzística e experimental do álbum e também a melhor dele, e talvez da carreira do OPETH. Ela é riquíssima, chega até a soar psicodélica em alguns momentos, e as transições não soam tão dissonantes a primeira ouvida como no restante das canções, ela agrada logo de cara. Possui bons solos de guitarra e linhas de baixo excelentes, nos proporciona uma verdadeira viagem. E depois dessa viagem, a bela e melancólica instrumental "Marrow Of The Earth" fecha o disco.
"Heritage" é inegavelmente um bom álbum, mas é preciso ouvi-lo com paciência. Ele funciona como um todo, mas em alguns momentos tem-se a sensação de que as faixas estão desconexas, e até as transições, que sempre foi um ponto forte da banda, parecem dissonantes, como se as muitas ideias fossem jogadas nas músicas de qualquer maneira. Ele parece estranho a princípio, mas é bastante instigante, e as riquezas dos detalhes vão se mostrando e nos envolvem a cada execução. Mas para isso é necessário várias e, principalmente, cuidadosas audições.

Certamente ele dividirá opiniões. Agradará aos fãs com mente mais aberta, e também apreciadores do rock progressivo, mas deixará os headbangers mais radicais com um gosto de absolutamente nada, esperando por uma guitarra mais distorcida ou um gutural super-agressivo para quebrar a melancolia. Mas tanto para o bem quanto para o mal, é um disco que supera expectativas, e isso é o que sempre esperamos do OPETH. É difícil dizer se ele é um divisor de águas. Pode até ser que sim, mas pode ser também que eles resolvam fazer o disco mais brutal da carreira para compensar este, quem sabe? Podem fazer suas apostas, mas tomem cuidado, imprevisível é a palavra de ordem quando se trata desta banda.

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