Opeth: Clássico absoluto de quem não tem medo de arriscar
Resenha - Blackwater Park - Opeth
Por Elias Varella
Postado em 14 de setembro de 2011
Nota: 10 ![]()
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Após o lançamento do ótimo e bem repercutido Still Life em 1999, o novo milênio começou cheio de esperança para Mikael Åkerfeldt, guitarrista, vocalista, principal compositor e líder do OPETH. Durante os meses de Agosto a Outubro de 2000, Mikael, Peter Lindgren (guitarra), Martin Lopez (bateria) Martin Mendez (baixo) se reuniram no Fredman Studios em Gotemburgo, Suécia, para a composição da 5ª observação (como eles gostam de chamar) do grupo, o álbum Blackwater Park.

O título vem do nome de uma obscura banda de rock progressivo alemã que teve somente um lançamento em 1972 e que chamou a atenção de Mikael pelo nome, mais do que pela música, como ele mesmo afirma.
Pela primeira vez o OPETH contou com a participação de um produtor em estúdio. Steven Wilson, reconhecido por ser o líder do PORCUPINE TREE, foi contratado para produzir os vocais e guitarras, já que quando ele chegou no estúdio a banda já havia gravado praticamente tudo. Steven, por insistência de Mikael, ainda colabora nos vocais e tocando guitarra e piano. Pode-se dizer que muito do resultado final do álbum deve-se à sua colaboração, principalmente nas belíssimas melodias vocais e no som encorpado que as músicas possuem.
A capa e arte ficaram a cargo do renomado Travis Smith, que além de ter trabalho com o OPETH em obras como Still Life, Deliverance e Damnation, também foi responsável por capas de bandas como NEVERMORE, CONTROL DENIED, ICED EARTH, KATATONIA, entre outras.
Musicalmente, Blackwater Park é um clássico absoluto dessa banda que não tem medo de arriscar e criar algo original e honesto de quem acredita no que se propõe a tocar. Para quem não conhece, o som do OPETH se caracteriza por músicas sofisticadas, mudanças de andamento e alternância entre vocais limpos e guturais. Intervenções acústicas em meio a passagens extremamente pesadas fazem com que a música não se torne repetitiva ao longo da audição. Tudo isso se deve às diversas influências dos músicos, que vão de rock progressivo e hard rock do anos 70 a death metal.
"The Leper Affinity", "Bleak" (com Steven Wilson dividindo os vocais no refrão), "The Drappery Falls", "The Funeral Portrait" e a faixa-título estão entre as melhores composições da banda e contam com diversos riffs marcantes, passagens intrincadas e mudanças de andamento que com certeza irão fazer a cabeça dos fãs de rock progressivo e músicas elaboradas em geral. Mesmo aqueles que não gostam de vocais guturais não precisam se preocupar, pois o equilíbrio com as partes mais melódicas dão o brilho que as músicas do OPETH possuem.
"Harvest", belíssima faixa com instrumentos e vocais limpos poderia figurar no álbum quase acústico Damnation, assim como "Patterns in the Ivy", delicada música instrumental que conta apenas com violão e piano.
Vale também ressaltar a performace de Martin Mendez, que aparece com um baixo mais alto e presente do que no álbum anterior e Martin Lopez que, segundo o próprio, parece ter encontrado seu som de bateria neste disco. O entrosamento da dupla de longa data Mikael e Peter nas guitarras mais uma vez está irrepreensível.
Não há como não recomendar a execução na íntegra do álbum, embora com outra formação, no mais recente lançamento da banda em DVD, o "In Live Concert At The Royal Albert Hall".
Talvez este não seja o álbum mais técnico que a banda já fez, mas com certeza é um clássico atemporal da boa música e porta de entrada para aqueles que ainda não conhecem a banda.
Blackwater Park – Lancamento: 12.03.2001
Músicas:
1.The Leper Affinity (10:23)
2.Bleak (9:16)
3.Harvest (6:01)
4.The Drapery Falls (10:54)
5.Dirge For November (7:54)
6.The Funeral Portrait (8:44)
7.Patterns In The Ivy (1:53)
8. Blackwater Park (12:08)
Músicos:
- Mikael Åkerfeldt: vocal, guitarra
- Peter Lindgren: guitarra
- Martin Lopez: bateria
- Martin Mendez: baixo
- Steven Wilson (produtor, Porcupine Tree): vocal, guitarra, piano
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