O maior disco do metal para James Hetfield; "Nada se comparava a ele"
Por Bruce William
Postado em 11 de abril de 2026
James Hetfield já falou muitas vezes sobre a importância do Black Sabbath para a formação do Metallica, mas há uma lembrança dele que talvez resuma tudo de forma mais simples do que qualquer análise histórica. Quando ainda era menino, mexendo nos discos do irmão mais velho, ele encontrou o primeiro álbum do Sabbath, lançado em 1970, colocou para tocar e teve a sensação de que não precisava mais procurar nada. Para ele, aquilo bastava.

Hetfield lembrou assim, conforme publicado na Far Out: "Meu irmão mais velho e eu dividíamos o quarto. Ele já estava na faculdade e eu fuçava todo o catálogo dele. Aí encontrei o primeiro álbum do Black Sabbath. Coloquei para tocar e fui totalmente sugado. Não precisei ouvir mais nenhuma outra música depois daquilo. Nada se comparava a ele. Fiquei ali sentado, olhando para aquela bruxa meio branca e esverdeada e ouvindo a primeira faixa, 'Black Sabbath', e pensei: 'Não preciso mais procurar, é isso.'"
Dá para entender o impacto. O disco de estreia do Black Sabbath não parecia apenas mais um álbum pesado. Ele soava como outra coisa, quase uma quebra de clima dentro do próprio rock do período. A faixa de abertura, com chuva, sino, andamento arrastado e aquele riff que parece sair rastejando do amplificador, ajudou a criar uma linguagem que depois seria chamada de heavy metal. Para um garoto quieto por fora e fervendo por dentro, aquilo caiu como revelação.
Hetfield chegou a descrever esse efeito de outra maneira quando o Metallica introduziu o Sabbath no Rock and Roll Hall of Fame, em 2006. Na ocasião, ele falou dos "riffs monstruosos com letras ameaçadoras" e disse que aquelas músicas ajudaram a rachar a casca em que ele estava preso. Não era só questão de gostar de uma banda. Era reconhecer ali um som que dizia, por ele, coisas que ele mesmo ainda não sabia como dizer.
Talvez por isso a fala sobre o primeiro álbum pese tanto. Não é uma declaração fria sobre influência, dessas que aparecem em listas genéricas. É quase memória de conversão. E, no caso do Hetfield, faz sentido completo. O Metallica seguiria por um caminho próprio, mais veloz, mais seco e mais agressivo em muitos momentos, mas a base emocional dessa relação com o peso, com o riff e com a sensação de perigo já estava ali, naquele encontro com o Sabbath original.
Também ajuda lembrar que ele não está falando de um disco qualquer do catálogo do Sabbath, mas justamente do álbum que abriu a porta para tudo. Black Sabbath, o disco, saiu em fevereiro de 1970 no Reino Unido e apresentou de uma vez só a banda, o som e a atmosfera que depois virariam referência para gerações inteiras. Quando Hetfield diz que "nada se comparava a ele", a frase ganha ainda mais peso porque parte do zero, do começo da história, de uma busca que surgiu quando ele ainda era só um garoto olhando a capa de um LP no quarto. Depois que aquela agulha caiu, a busca acabou.
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