Bruno Sutter compara Massacration e Crypta por motivo que deveria envergonhar o metal
Por Gustavo Maiato
Postado em 16 de abril de 2026
Em episódio do podcast oficial do Bangers Open Air, Bruno Sutter, vocalista do Massacration e anfitrião do programa, estabeleceu um paralelo incomum entre sua banda e a Crypta, de Fernanda Lira. Para o músico e humorista, os dois grupos compartilham o fardo da necessidade constante de provar o próprio valor diante de um público que, de antemão, duvida de sua competência.
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"Eu me identifico muito com a situação que vocês passam, porque o caso do Massacration também existiu, né? Muito preconceito, porque nós somos humoristas", disse Sutter, dirigindo-se a Fernanda. Na sequência, o apresentador descreveu uma cena recorrente nos festivais: "Existem sempre aqueles desconfiados. Na hora que vai começar o show, o cara fica: 'Será que toca mesmo? Hum, será que toca?' Aí, quando acaba o show, a pessoa que estava assim, no final está assim", completou, gesticulando uma mudança de expressão de desdém para admiração.
Sutter então traçou a ponte entre as duas realidades. "Apesar de termos que nos provar o tempo inteiro, é uma coisa que mantém a gente com aquela fogueira acesa, com aquele ímpeto. Pelo fato de vocês serem mulheres e pelo fato de nós sermos humoristas, temos que provar duas vezes mais do que uma banda normal", afirmou. Para Bruno, porém, a Crypta carrega um peso adicional. "Vocês têm esse plus de ter uma importância mundial. E, como diz no filme do Homem-Aranha, com grandes poderes vêm grandes responsabilidades", acrescentou.
Preconceito no metal: a desconfiança com mulheres e humoristas nos palcos
A comparação feita por Sutter encontra eco na trajetória do Massacration. Criada no início dos anos 2000 como um projeto de humor dentro do heavy metal, a banda sempre enfrentou resistência de parte do público que a considerava uma piada incompatível com os palcos de festivais. No caso da Crypta, a desconfiança é de outra natureza - o ceticismo de quem duvida da competência musical de uma banda formada integralmente por mulheres -, mas o efeito prático é o mesmo: a obrigação de convencer a plateia a cada apresentação.
Fernanda Lira concordou com a análise e revelou como lida com esse tipo de pressão. "Não é fácil, gente. Não é fácil. É um desafio", disse. A vocalista contou que faz terapia regularmente e que havia acabado de sair de uma sessão antes da gravação do podcast. "Inclusive, estou terapeutizada aqui dando essa entrevista, porque estava fazendo terapia meia horinha antes de vir para cá."
Saúde mental e ódio nas redes: como Fernanda Lira enfrenta os ataques
A conversa desembocou na questão da saúde mental diante da exposição pública. Sutter perguntou diretamente como Fernanda lida com o ódio gratuito nas redes sociais. A vocalista não amenizou. "Botou a cara pública, meu filho, você vai tomar porrada. As pessoas na internet não têm filtro e falam qualquer coisa", afirmou.
Fernanda revelou que acompanha de perto o que dizem a seu respeito. "Eu sou tipo o Sauron de O Senhor dos Anéis: tenho olho em todo quanto é lugar. Chega link para mim com coisas absurdas, montagem pesada, montagem feia. Fizeram camiseta com a minha cara de não sei quê", contou. A vocalista, porém, defende uma postura comedida. "O hater e o troll querem ser notados. Ficam fazendo barulho para que a gente note. E eu acho que a melhor resposta para isso é ignorar. Se for uma coisa muito absurda, aí vai ter que mandar aquele processinho."
Mesmo diante dos ataques, Fernanda demonstrou que a postura pé no chão a ajuda a manter o equilíbrio. "Para mim, eu sou a mesma moleca de sempre. Fico tipo: 'Poxa, o que eu fiz com essas pessoas? A pessoa nem me conhece'", desabafou. E completou: "Se essas pessoas trocassem meia hora de ideia comigo, iam ver que não existe esse monstro."
Crypta e Massacration juntos no Bangers Open Air 2026
Tanto a Crypta quanto o Massacration estarão no Bangers Open Air 2026, que acontece nos dias 25 e 26 de abril no Memorial da América Latina, em São Paulo. Fernanda adiantou que a banda preparou um setlist especial de despedida do álbum "Shades of Sorrow" e prometeu uma surpresa ainda não revelada, que será anunciada próximo ao evento. "Vai ter um debut no Bangers. Para quem quiser saber o que é, vai ter que estar lá", disse.
O festival terá quatro palcos, mais de 40 atrações, experiência gastronômica, espaço infantil, feira geek e feira de tatuagem. Os ingressos estão à venda pelo Clube do Ingresso.
Confira a entrevista abaixo.
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