Rafael Bittencourt usa Garrincha e Pelé para explicar diferença em relação a Kiko e Marcelo
Por Gustavo Maiato
Postado em 13 de abril de 2026
O Angra é uma das atrações mais esperadas do Bangers Open Air, e a presença da banda no festival recolocou em evidência uma de suas marcas mais fortes: a convivência entre perfis muito diferentes de guitarristas dentro da mesma formação. Em entrevista à Billboard Brasil, Rafael Bittencourt falou sobre esse equilíbrio e usou uma comparação saborosa para definir seu lugar no grupo. Disse que, nessa estética, seria mais Garrincha do que Pelé.
Angra - Mais Novidades
A resposta veio quando Rafael explicava como enxerga seu papel dentro do Angra. Em vez de se colocar como o grande solista ou o nome mais chamativo da engrenagem, ele preferiu se descrever como alguém que faz a máquina funcionar. "Eu sou o síndico", afirmou.
Na sequência, detalhou o que queria dizer com isso. "Eu sou chato, eu tenho que fazer a coisa funcionar", disse. Para o guitarrista, sua missão está menos no brilho individual e mais na sustentação do som da banda.
Rafael explicou que se preocupa com o corpo e o peso das músicas, muitas vezes longas e cheias de mudanças. "Eu tenho que dar corpo para esse som", afirmou. Depois resumiu o que vê como essência de boa parte do trabalho que faz no grupo: "É pressão, firmeza, precisão".
Ao falar dos parceiros de guitarra, o músico adotou outra imagem. Disse que, numa analogia com orquestra, Kiko Loureiro e Marcelo Barbosa seriam os "violinos solistas". Ou seja: os nomes mais associados ao virtuosismo visível, ao brilho técnico e ao protagonismo mais imediato.
"Eles são os chamados shredders", explicou, referindo-se ao estilo de guitarrista ligado à velocidade e à fluidez. Na comparação que fez com os instrumentos, Rafael observou que os dois tocam com Ibanez, guitarras que, na visão dele, favorecem esse tipo de abordagem mais escorregadia e veloz.
Já ele prefere outra pegada. "Eu toco até hoje preferencialmente com formato Les Paul", disse. E foi aí que saiu uma das melhores frases da entrevista: "Eles correm de Ferrari, eu corro de Dodge".
A comparação serve para mostrar que Rafael não se vê em desvantagem, mas em outra escola. Menos voltada à leveza e à velocidade das curvas, mais ligada ao peso, ao tranco e à presença. Na prática, ele sugere que essas diferenças ajudam a banda a soar mais completa. "A gente se complementa", resumiu.
Foi a partir daí que entrou o futebol. Ao tentar traduzir sua persona musical em imagem brasileira e popular, Rafael recorreu a dois gigantes do esporte nacional. "Nessa estética seria o Garrincha", afirmou.
Em seguida, explicou o motivo. "É um cara maluco que joga bem e deu sorte na vida", disse, em tom de humor. Depois reforçou a ideia com uma frase ainda mais direta: "Acho que sou tipo Garrincha".
A comparação ganhou mais força quando ele completou o raciocínio mencionando Pelé. "Jogo bem, meu. Não sou Pelé", afirmou. A frase, além de autodepreciativa no bom sentido, ajuda a construir a imagem que ele quis passar: a de um músico menos associado ao ideal de perfeição técnica absoluta e mais ligado a instinto, personalidade e jogo grande.
Confira a entrevista abaixo.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Ouça tributo ao Rainbow com verdadeira seleção de astros do rock e metal
Judas Priest lança coletânea que abrange várias fases da discografia
Geddy Lee e seu disco preferido do Pink Floyd; "me cativou e incendiou a imaginação"
O ex-jogador que ouvia heavy metal antes dos jogos para se motivar
"A banda de abertura mais difícil que já tivemos foi o Guns N' Roses", revela Bruce Dickinson
Tributo a Syd Barrett une Pink Floyd, David Bowie, Violeta de Outono e John Paul Jones
Keith Richards lembra soco na cara que levou de Chuck Berry
O músico que voltou do fundo do poço para salvar o Red Hot Chili Peppers
A música do Queen que Freddie Mercury considerava melhor que "Bohemian Rhapsody"
A letra que Ozzy Osbourne chamou de "a pior porcaria" que já ouviu
A canção dos Beatles que pirou a cabeça de Mick Jagger quando ele a ouviu
O álbum gravado sob intensa tristeza que se tornou um dos maiores do Queen, conforme Brian May
A banda punk que Bono considera a melhor de todos os tempos
As Cinco Melhores Músicas de Andre Matos - Parte 1
Alissa White-Gluz estranhou a surpresa do público com sua ida ao Dragonforce

A palavra que aparece uma única vez nas músicas do Angra e prova que não são "espadinha"
O relato maduro e honesto de Rafael Bittencourt do Angra sobre ser pai de um homem trans
O que difere Edu Falaschi dos outros cantores que o Angra já teve, segundo Eric Martin
Edu Falaschi conta como a reaproximação com Angra o levou ao Masters of Voices
Os 10 momentos mais impactantes e fundamentais do metal nacional
Fabio Lione homenageia Andre Matos e alfineta: "ninho de cobra que conhecemos bem"
A reflexão de um cantor italiano de metal sobre Angra com Fabio Lione e Andre Matos
A cena repugnante que o Angra presenciou em ônibus da turnê, segundo Ricardo Confessori
Produtor que vive nos EUA explica como Angra e Sepultura são percebidos por americanos
Fernanda Lira e Rafael Bittencourt dão a real sobre os haters da internet


