O que aconteceu em Tabuleiro do Norte (CE) que Aquiles Priester usa de exemplo até hoje
Por Gustavo Maiato
Postado em 16 de abril de 2026
O Angra será uma das atrações do Bangers Open Air 2026, em apresentação marcada para 26 de abril, no Memorial da América Latina, em São Paulo. O festival divulgou o show como uma reunião especial da fase Rebirth, com Edu Falaschi, Kiko Loureiro, Rafael Bittencourt, Felipe Andreoli e Aquiles Priester dividindo o palco com integrantes atuais do grupo.
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Foi justamente no canal do festival, em entrevista a Bruno Sutter, que Aquiles Priester contou uma daquelas histórias de estrada que parecem exagero de músico - mas, segundo ele, aconteceram exatamente como estão no papel dos "requisitos básicos" exigidos para motoristas de turnê.
Aquiles começou explicando que muita gente acha que essas exigências são frescura. "Muita gente acha que aqueles negócios que a gente coloca, os requisitos básicos que a gente põe pros motoristas, eles acham que aquilo ali é zoeira, mas não é", disse. Em seguida, resumiu: "Tudo aquilo aconteceu".
O baterista listou situações que, segundo ele, já enfrentou em turnê: motorista com mau hálito, cheiro forte nos pés, roupa suja e até profissional que simplesmente não enxergava direito para dirigir à noite. Foi aí que entrou a história que dá título à matéria.
Segundo Aquiles, a banda estava na estrada, à noite, em meio a buracos, quando ele percebeu que o motorista não estava reagindo como deveria. "Você fala: 'Meu, você não está vendo ali o buraco?'", contou. Como o homem não admitia o problema, Aquiles resolveu testar.
"Para o ônibus aqui um pouquinho", disse a ele. O baterista então apontou para uma placa ao longe e pediu: "Aquela placa lá no fundo, lê o que está lá".
Como a primeira cidade citada era justamente o destino da viagem, o motorista conseguiu escapar por associação. "A cidade é tal", respondeu, antes de citar Tabuleiro do Norte, no Ceará, depois de Fortaleza. Aquiles então apertou mais a situação e perguntou quantos quilômetros faltavam. Aí veio a revelação: "Isso eu não consigo ver".
O músico decidiu ir até o fim. "Tá, pega o meu óculos", contou. Depois de colocar seus óculos no motorista, ouviu a admissão definitiva: "Agora eu consigo ver melhor, mas ainda não consigo". A conclusão foi imediata: "Então você precisa usar óculos".
A história, por si só, já seria absurda. Mas Aquiles contou que o problema não terminou ali. Como o motorista não enxergava direito, ele mesmo passou a dirigir em parte da turnê. E diz que isso acabou cobrando um preço físico alto.
Na entrevista, o baterista mostrou a mão e disse que o metal lhe deu um "presentinho" em 2023. "Isso aqui foi aquele dedo de gatilho", explicou. O problema teria surgido de tanto ficar na mesma posição ao volante, justamente porque ele precisava assumir a direção depois dos shows.
Aquiles contextualizou que, naquela turnê, vinha tocando repertório pesado de discos como Vera Cruz e Temple of Shadows, com sets exigentes, conversa com o público e, depois de tudo isso, ainda precisava pegar a estrada de madrugada. "Depois à noite eu tinha que dirigir todas as datas porque o desgraçado não enxergava", disparou.
O resultado foi sério. Ele contou que chegou a tomar três injeções de cortisona, até ouvir do médico, nos Estados Unidos, que não podia mais insistir no tratamento conservador. "Agora você não pode mais tomar, você vai ter que operar", relatou sobre a orientação recebida.
Aquiles perguntou então quanto tempo teria de parar. Segundo ele, o médico respondeu: "Para ser bem legal, um mês". Depois, veio a explicação mais completa: ele poderia voltar a tocar em cerca de um mês, mas o movimento total da mão levaria de seis a sete meses para retornar por completo.
Hoje, segundo o próprio baterista, está tudo bem. "Hoje já está perfeito", afirmou. Mas fez questão de repetir a origem do problema: "Isso aqui foi o metal que me deu, porque eu tive que dirigir".
Confira a entrevista completa abaixo.
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