Fernanda Lira revela o que quer mudar na Crypta: "Não é algo que a gente se orgulha"
Por Gustavo Maiato
Postado em 15 de abril de 2026
Em entrevista ao podcast oficial do Bangers Open Air, conduzida por Bruno Sutter, Fernanda Lira, vocalista e baixista da Crypta, falou com franqueza sobre um aspecto da carreira do grupo que pretende mudar: a falta de um empresário profissional. Desde a fundação da banda, Fernanda e a guitarrista Luana Dametto acumulam as funções de artistas e gestoras, cenário que a musicista reconhece como insustentável.

"As pessoas muitas vezes perguntam sobre os empresários. Empresárias somos eu e a Luana. A gente não tem [empresário], não é uma coisa da qual a gente se orgulha, porque isso acaba trazendo uma carga de trabalho para mim muito, muito grande", afirmou Fernanda. Segundo ela, o chamado management consome uma parcela significativa da receita e do tempo da banda. "A gente ainda está numa fase em que está começando agora a criar uma poupança, fazer investimentos, melhorar a nossa equipe."
A vocalista explicou que a lição veio de sua experiência anterior na Nervosa, banda da qual foi cofundadora. "Eu fazia muita coisa, tinha o contato com a gravadora, com as agências, só que chegou uma hora que eu estava ficando sobrecarregada", contou. Ao criar a Crypta, Fernanda decidiu assumir o gerenciamento de forma temporária: "Eu quero fazer a máquina funcionar, mas, assim que eu puder, quero começar a delegar. Isso foi uma coisa muito importante."
Hoje, a estrutura da Crypta envolve mais de uma dezena de profissionais - agente de shows na América Latina, agência internacional vinculada à gravadora, tour managers no exterior e no Brasil, duas equipes técnicas, assessoria de imprensa nos dois continentes e um advogado nos Estados Unidos para vistos de trabalho. Ainda assim, a coordenação de toda essa engrenagem segue nas mãos de Fernanda e Luana. "Chega uma hora que acaba sobrando pouco espaço para o que realmente importa, que é a arte. A arte é o combustível de tudo isso", disse.
Crypta e a representatividade feminina no metal
A conversa também abordou o impacto da Crypta na representatividade feminina dentro do heavy metal. Fernanda, que atua na cena há quase duas décadas, admitiu que durante muito tempo teve dificuldade em se reconhecer como referência. "Eu sempre tive uma dificuldade de me entender como artista que podia influenciar outras pessoas. Ficava tipo: 'Influência? Ícone? Não, ícones são a Tarja, a Angela Gossow.' Para mim, era um lugar muito intocável, muito distante", relatou.
A mudança de perspectiva veio com o contato direto com as fãs. "Eu lembro a sensação que é você olhar e se sentir representada. Eu sei o gostinho especial que é, especialmente sendo mulher, num meio que é ainda predominantemente masculino", disse. Fernanda destacou que o público feminino compõe a maioria na primeira fila dos shows da Crypta. "Todo mundo que trabalha com a gente fala: tem muito mais mulher nos nossos shows do que nos shows que a gente costuma ir."
A vocalista se emocionou ao descrever o efeito que isso provoca nela. "Eu me emociono, choro junto com aquelas meninas. Elas me inspiram a continuar, porque não é uma jornada fácil. A gente questiona muito, é difícil", contou. Segundo Fernanda, foram os fãs que a mantiveram firme nos momentos mais difíceis da carreira. "O pessoal desenha, faz a carinha igual, faz a maquiagem. Você para e pensa: 'Nossa, realmente existe um propósito aqui. Bora continuar.'"
Saúde mental e críticas nas redes sociais
Perguntada sobre como lida com o ódio gratuito nas redes sociais, Fernanda não escondeu as dificuldades. "Não aprendi. Faço terapia. Inclusive, estou terapeutizada aqui dando essa entrevista, porque estava fazendo terapia meia horinha antes de vir para cá", disse, entre risos. "Não é fácil, gente. É um desafio."
A musicista explicou que sua postura de manter os pés no chão, embora saudável, faz com que as agressões a atinjam de forma mais intensa. "Para mim, eu sou a mesma moleca de sempre. Então fico tipo: 'Poxa, o que eu fiz com essas pessoas? A pessoa nem me conhece'", desabafou. Fernanda revelou que recebe montagens ofensivas e ataques constantes, mas defende que a melhor resposta é ignorar - salvo em casos extremos. "Se for uma coisa muito absurda, aí vai ter que mandar aquele processinho."
Crypta no Bangers Open Air 2026: setlist especial e surpresa inédita
Sobre os planos imediatos, Fernanda revelou que a Crypta está em pausa para compor o próximo álbum, sucessor do "Shades of Sorrow". O plano original era só retornar aos palcos em junho, mas o convite do Bangers Open Air mudou o roteiro. "Óbvio que a gente vai fazer o Bangers. A gente tem um carinho muito especial pelo festival. É um grande festival do Brasil, da América Latina, e tem nome aqui na gringa", afirmou a vocalista, que deu a entrevista de Los Angeles.
A banda preparou um setlist descrito por Fernanda como uma despedida do disco atual. "É um setlist se despedindo do 'Shades of Sorrow'. Vão ter algumas faixas interessantes ali", adiantou. Além disso, a musicista anunciou uma surpresa que ainda não pode revelar. "Tem uma surpresa que vai ser anunciada perto do Bangers. E vai ter um debut. Para quem quiser saber o que é, vai ter que estar no Bangers."
Ao final da entrevista, Fernanda reafirmou o orgulho de representar o Brasil mundo afora. "Eu tenho muito orgulho no peito de ser brasileira, de ser uma headbanger brasileira, uma artista latina, porque a gente sabe como é difícil. Eu carrego o nome do Brasil com muito orgulho onde quer que eu vá."
O Bangers Open Air 2026 acontece nos dias 25 e 26 de abril, no Memorial da América Latina, em São Paulo, com quatro palcos e mais de 40 atrações. Os ingressos estão disponíveis pelo Clube do Ingresso.
Confira a entrevista completa abaixo.
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