Accept: Coeso e repleto de músicas de impacto imediato

Resenha - Blood of the Nations - Accept

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Por Paulo Finatto Jr.
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Nota: 9

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.


Por mais que possa ser considerada uma das mais influentes bandas do power metal melódico do mundo, os germânicos do ACCEPT sempre se mostraram muito dependentes do seu carismático vocalista UDO DIRKSCHEINER. O grupo, que encerrou as atividades na década de noventa no momento em que o cantor decidiu continuar em carreira independente, preparou um triunfante retorno mais de dez anos depois. Na sua primeira empreitada desde o derradeiro “Predator” (1996), o quinteto alemão atualiza aqui o gênero que ajudou a construir a partir de uma roupagem moderna e extremamente atraente.
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De qualquer modo, não há dúvidas de que a grande expectativa criada em torno de “Blood of the Nations” esteja relacionada ao novo vocalista escolhido pelo ACCEPT. Por mais que o conjunto tenha se aventurando com dois ou três substitutos para UDO DIRKSCHNEIDER no passado, cada um fracassou de modo definitivo em um curtíssimo período. Em contrapartida, a performance de Mark Tornillo (ex-TT QUICK) vai claramente no caminho oposto às tendências mais pessimistas de outrora. O novo frontman do grupo não só foi capaz de manter aqui as características sonoras do power metal clássico intactas, como ainda abriu uma pequena brecha para novas influências. Não é por acaso que a sua voz se aproxima de Brian Johnson (AC/DC) e de Jon Oliva (ex-SAVATAGE) em muitos momentos diferentes da obra.

Com a assinatura do renomado produtor Andy Sneap (ARCH ENEMY e MEGADETH), o décimo álbum de estúdio do quinteto germânico evidencia os aspectos mais agressivos do power metal em detrimento da velocidade quase que extrema de obras clássicas como “Restless and Wild” (1982). Embora não possa ser apontada como uma novidade, a fórmula adotada em “Blood of the Nations” possui uma pegada extremamente eficiente e adequada para a atual proposta do ACCEPT. O vigor de músicas aparentemente simples é conduzido em uma performance verdadeiramente intensa e impactante. De certa forma, a dupla Wolf Hoffmann e Herman Frank (guitarras) – que não atuava em parceria desde o definitivo “Balls to the Wall” (1983) – assume a dianteira entre os principais destaques da obra. O trabalho dos dois músicos esbanja sintonia e bom gosto desde a abertura do material, com a interessantíssima “Beat the Bastards”.

Não há dúvidas de que a sonoridade de “Blood of the Nations” está perfeitamente moldada para a voz rouca e grave de Tornillo – e para o desempenho avassalador dos dois excelentes guitarristas. No entanto, o baixista Peter Baltes, mesmo ficando na sombra dos outros três integrantes, precisa ser reconhecido aqui como um exímio compositor. Outras grandes faixas da obra, como “Teutonic Terror” e “The Abyss” passam por suas mãos e evidenciam os riffs pesados de outrora juntamente com os coros épicos de cada refrão. Porém, mesmo em menor escala, as melodias aparecem para dar um contorno diferenciado e claramente particular para “Blood of the Nations” – outro grande momento do disco. Do mesmo modo, “Shades of Death” deixa de lado o peso intrínseco das músicas anteriores para apostar em uma abordagem mais cadenciada e pretensiosamente rica em detalhes técnicos, comandados pelo baterista Stefan Schwarzmann.

Embora pouco contribua para no quesito originalidade, power metal do ACCEPT é honesto e extremamente eficiente justamente por não querer dar um novo rumo ao gênero iniciado ainda nos anos setenta pelo próprio grupo. Como prova, a contagiante “Locked and Loaded” possui todas as (ótimas) credenciais agressivas para encorpar ainda mais o hall de músicas que merecem destaque. Na sequência, a fórmula reparece muitíssimo bem em “Rolling Thunder” e em “No Shelter”. O estilo adotado aqui pelo quinteto alemão possui um interessante contraponto, sobretudo para os fãs que costumam se cansar diante de uma proposta aparentemente massiva. A cadenciada “Kill the Pain” e a melódica “New World Comin’” (que soa como o HELLOWEEN dos anos oitenta) complementam de maneira qualificada a obra dos germânicos.

O encerramento do álbum com a intensa “Bucket Full of Hate” – outra que merece ser apreciada com cuidado – antecede a faixa-bônus “Time Machine” na versão digipack/importada do disco. Por mais que UDO DIRKSCHEINER busque alfinetar a continuidade do ACCEPT sem a sua voz, a verdade é que Wolf Hoffmann & Cia. atingiram aqui mais uma vez a magnitude dos discos clássicos e obrigatórios do passado da banda. Não há dúvidas de que “Blood of the Nations” é um álbum coeso e repleto de músicas de impacto imediato – e o caminho pelo qual o grupo reencontrará o sucesso de outrora – agora com a assinatura de Mark Tornillo.

Track-list:

01. Beat the Bastards
02. Teutonic Terror
03. The Abyss
04. Blood of the Nations
05. Shades of Death
06. Locked and Loaded
07. Kill the Pain
08. Rolling Thunder
09. Pandemic
10. New World Comin’
11. No Shelter
12. Bucket Full of Hate
13. Time Machine

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Sobre Paulo Finatto Jr.

Reside em Porto Alegre (RS). Nascido em 1985. Depois de três anos cursando Engenharia Química, seguiu a sua verdadeira vocação, e atualmente é aluno do curso de Jornalismo. Colorado de coração, curte heavy metal desde seus onze anos e colabora com o Whiplash! desde 2000, quando tinha apenas quinze anos. Fanático por bandas como Iron Maiden, Helloween e Nightwish, hoje tem uma visão mais eclética do mundo do rock. Foi o responsável pelo extinto site de metal brasileiro, o Brazil Metal Law, e já colaborou algumas vezes com a revista Rock Brigade.

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