Queensryche: Fica a esperança de dias melhores
Resenha - Dedicated to Chaos - Queensryche
Por Marcelo Vieira
Fonte: Collector's Room
Postado em 12 de julho de 2011
Não é de hoje que os fãs do Queensryche recebem com certa apreensão as novidades musicais da banda. Sempre que Geoff Tate e companhia anunciam um novo trabalho, a expectativa é grande - para o pior. Dedicated to Chaos é o 16° álbum da banda (12° de estúdio) e chega às lojas nos próximos dias. Mas, graças à grande rede, que fez os conceitos de novidade e raridade caírem por terra, já possuo as músicas de sua edição especial (quatro faixas a mais) em mãos, ou melhor, em disco rígido.
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A música de trabalho "Get It Started" abre o álbum com contornos de classic rock e timbres que viraram marca registrada do Queensryche após a saída de Chris DeGarmo. Não tem potencial para hit, mas é o tipo de som que desce redondo. Preparem-se para torcer seus narizes para "Got It Bad", primeiro equívoco do disco. "Retail Therapy" beira o industrial, com um refrão que poderia ser excelente se Geoff Tate estivesse em dia com a garganta. Aliás, um ponto negativo de Dedicated to Chaos é justamente a voz de Tate, que dá sinais de esgotamento em alguns momentos – ou seria apenas preguiça?
A introdução no piano engana. "At the Edge" não é uma balada. Primeiro momento de tirar o fôlego, tanto pela letra forte quanto pela música repleta de variações – incluindo um solo de saxofone de Tate –, tem cadeira cativa entre os destaques do álbum. A balada vem na sequência com "Broken". Piano, orquestração e mais saxofone criam o clima de introspecção perfeito para uma interpretação, aqui sim, fantástica de Tate. E tome outra balada logo depois com "Hard Times", que, modernidades à parte, é um musicão!
Depois de alguns minutos dispensáveis e muito aquém até mesmo das piores expectativas, "I Take You" recoloca o álbum nos trilhos com um quê de Promised Land e figura entre os destaques. Em "The Lie" veio a impressão de já ter ouvido coisa parecida antes. Muito boa, mas poderia ser ainda melhor se viesse antes no tracklist, pois a essa altura da audição o grau de atenção já é baixo – não suporto discos muito longos. "Big Noize" fecha o trabalho incorporando quase tudo de bom e ruim que o Queensryche vem oferecendo em três décadas de existência - com predominância das coisas ruins, infelizmente...
Discordando em parte – quatro ou cinco músicas – de quem fez piada com o título dizendo que o caos em questão seria o próprio álbum, encerro o texto louvando àqueles que souberam inovar sem se descaracterizar. Ainda não foi dessa vez que o Queensryche conseguiu fazer isso. Fica a esperança de dias melhores.
Foto da chamada: Pedro Zambarda
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