Extreme: Disposição em ser impopular e pouco "hiteiro"
Resenha - Waiting for the Punchline - Extreme
Por Daniel Junior
Fonte: Aliterasom
Postado em 02 de maio de 2011
Nota: 7 ![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
"Waiting for the Punchline" é o quarto disco de estúdio do Extreme, banda que retornou aos estúdios e aos palcos em 2008 com o excelente "Saudades do Rock", disco quase menosprezado por boa parte da crítica musical.
Extreme - Mais Novidades
A banda vinha de um disco igualmente menosprezado pela mídia especializada intitulado de "III Sides To Every Story" na qual o guitarrista Nuno Bittencourt só faltou fazer chover. Um discaço que deveria estar na prateleira de qualquer que gosta de rock, especialmente o hard.
IIISTES não aconteceu porque era um disco que não teve singles tais quais "Pornograffitti", que explodiu para o mundo com a balada "More Than Words". Era um disco conceitual que tratava entre outras coisas de igreja, mídia, racismo e outros temas que fazem o pau quebrar em uma mesa de bar, onde cada um opina com impostação de dono de verdade.
"Waiting for The Punchline" era mais direto como "Pornograffiti" e menos elaborado do que IIISTES, o som era bastante cru e trazia pela primeira vez Mike Mangini como baterista. O disco ainda traz o virtuosismo do guitarrista português mas não aconteceu. Curioso que a sonoridade tem ABSOLUTA relação com "Saudades do Rock" (2008), que é cru, mas também adocicado em diversos momentos. A banda estava em outro clima. Menos vocais trabalhados, nada de duas guitarras (uma base e outra solo) e nenhum teclado. Por aí você tira como a banda passou a soar.
1 – There Is No God – É a faixa que apresenta o disco quase uma antítese das faixas de IIISTES que poderia figurar em qualquer disco gospel tal seu teor panfletário e ao mesmo tempo contestador. Um gospel consciente, diga-se de passagem, se compararmos com as tosquices que escutamos por aqui.
2 – Cynical – Traz a guitarra suja de Bittencourt com uma pegada funkeada, mas sem brilho e deley. Tudo muito cru. Muito groove. O Extreme optou por fazer uma faixa pseudo-funk, embora estejam lá os vocais e a aguda voz de Cherone. Os riffs de Bittencourt são matadores e o slaps (todos) bem medidos.
3 – Tell Me Something I Dont Know – Tem uma introdução disfarçada por frases de guitarra. Ritmo 4/4 em uma atmosfera Alice In Chains/Stone Temple Pilots. Tudo muito pra baixo. Não sei se o movimento grunge influenciou a música do Extreme mas a banda saiu das firulices hard/heavy para um rock mais lento e pesadão.
4 – Hip Today – Traz aquela camada de guitarras que apresentaram Nuno e sua versatilidade nas seis cordas (ora sete), muitos riffs intensos e vocais a la Queen (não resisti, mas não gosto da comparação com a banda inglesa). Hip Today é um pouco de tudo aquilo que o Extreme sempre foi: boa pegada, excelentes levadas de contra-baixo e uma bateria em tempos ingleses. A mixagem deste disco é mais jogadona. Se você escutar os discos anteriores irá entender.
5 – Naked – Um clima bluseiro mas nada do compasso ternário. Climão Black Crowes, tudo muito sombrio e escuro nos arranjos da banda. Imagine aqueles levadas a la Zeppelin, loucas e insanas, sem guitarra base nenhuma, só muito gana e vontade. O Extreme parece totalmente à vontade com um som mais durão, longe dos arranjos adocicados de Pornograffitti e IIISTES.
6 – Midnight Express – é uma instrumental com as paletadas ora abafadas, dando um efeito sempre muito grave. A opção em usar regiões que simulam uma certa confusão e indefinição das notas (ao menos nos primeiros minutos) é muito interessante. Frases que lembram guarania e flamingo. Bittencourt não fosse português teria mais atenção da parte do mundo. A impressão que tenho é que todos o tratam como "mais um" guitarrista. E isso não é verdade. Mesmo! Excelente percussão!
7 – Leave Me Alone – Talvez a canção mais intragável do disco. O início com seu efeito phaser no vocal não é nada atraente. Durante a canção todas as fases do Extreme: hard, bluesy, pitadas de metal e muita sonzeira em volta da voz de Cherone. O baixo com suas frases independentes. Uma loucura sonora.
8 – No Respect – O som sujo cheio de efeitos que muito lembraria o disco seguinte, Saudades do Rock (2008). Impressionante como a banda não se preocupa em parecer doce em nenhuma canção, pelo contrário, a sonzeira é visceral e de fato se explica o anti-sucesso (só pra abusar do eufemismo) de um disco que dispensou hits. Preferiu ser bem punk, filosoficamente falando.
9 – Evilangelist – O trocadilho é maravilho (Evil é mal ou maldade em inglês) e a sua junção com "gelist" dão uma ideia do que a letra diz. Uma das mais pesadas do disco o verso "You name in on my list / i´m your evilangelist" é simples e precioso. O paradoxo das boas novas. Mais rock and roll impossível. A canção segue: " In a wath god you trust / close your eyes while I hypnotize". Sinistro… :)
10 – Shadow Boxing – Mantido o clima descontraído agora com um refrão mais poderoso e pegajoso. Bateria sequinha e vocais (segunda voz) em uma atmosfera mais amena do que em todo o disco. Cherone é um dos meus vocalistas preferidos. O riff final, abafadinho e setentão.
11 – Unconditionally – Ah eu sei… Você estava esperando uma canção que lembrasse o bom e velho Extreme. Uma levada folk, os agudinhos afetados de Cherone e os duetos com Bittencourt. Bem, chegou a canção. Unconditionally é uma canção de amor com todos os requintes de romantismo que sempre fizeram parte do cancioneiro extreme-de-ser no entanto sumidaço neste disco. Engraçado que quem já ouviu falar do Extreme toma pelas baladas o som da banda e isso não é bem verdade…
12 – Fair-Weather Faith – Toda banda tem seu "Faroeste Cabloco" que se preze. Esta canção tem 11:15 é cheia de pegadinhas e "acaba" com 4:55. Era muito comum, principalmente nos grandes albuns você após o silêncio da agulha escutar vozes, riffs indefiníveis, músicas ao contrário e etc. No caso desta faixa temos a sujeira (habitual a todo disco) e alguma gritaria e esforço além do alcance do boníssimo Cherone.
O disco é bem diferente. Não há porque criar expectativas no disco que podemos chamar de anti-comercial tal sua disposição em ser impopular e pouco "hiteiro". Mas eu apostaria em bons momentos de diversão com "Waiting For The Punchline".
1."There Is No God" – 6:07
2."Cynical" – 4:41
3."Tell Me Something I Don’t Know" – 6:25
4."Hip Today" – 4:42
5."Naked" – 5:46
6."Midnight Express" – 3:58
7."Leave Me Alone" – 4:47
8."No Respect" – 3:51
9."Evilangelist" – 4:49
10."Shadow Boxing" – 4:34
11."Unconditionally" – 5:01
12."Fair-Weather Faith" – 4:49*
* Alguns dizem que esta faixa é dividida em duas canções, a segunda seria o título homônimo, porém no título original não há menção alguma ao nome da canção.
twitter do autor: @dcostajunior
twitter do site: @aliterasom
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



A reação de Dirk Verbeuren ao anúncio do fim do Megadeth
Shows que vão agitar São Paulo no segundo semestre de 2026.
Pearl Jam sobe ao palco pela primeira vez com Abe Laboriel Jr. na bateria
Com ex-membros do Primal Fear e Gamma Ray, Fearless V anuncia primeiro álbum
A única banda de metal que nem o Metallica conseguiu superar, conforme Regis Tadeu
A superbanda com integrante dos Rolling Stones que Jimmy Page nunca esqueceu
Os 5 melhores álbuns fora do metal de todos os tempos , segundo Kai Hansen
A maior e melhor banda de metal de todos os tempos, segundo Jerry Cantrell
A insana rotina matinal de Lemmy revelada pelo baterista do The Clash
Mamonas Assassinas: a história das fotos dos músicos mortos, feitas para tabloide
O álbum que apresentou o Judas Priest ao guitarrista Richie Faulkner
O guitarrista que mais inspirou James Hetfield, do Metallica, segundo o próprio
"Eu odeio"; a canção que o Depeche Mode foi obrigado a lançar e vendeu mais de meio milhão
AC/DC tem penúltimo show da atual turnê cancelado devido ao mau tempo
O ícone do rock nacional dos anos 00 que acordou do coma de dois meses falando espanhol
A canção que Dave Mustaine, líder do Megadeth, menos gosta
Noel Gallagher elege o "álbum mais influente de todos os tempos", e não é dos Beatles
Como era letra original do refrão "Eu perguntava Do You Wanna Dance", do Roupa Nova

A banda amaldiçoada por ter feito um dos maiores hits da história, segundo Regis Tadeu
5 álbuns de rock que são maiores que a própria banda
Nuno Bettencourt (Extreme) exalta importância de Yngwie Malmsteen em sua carreira
Pink Floyd: The Wall, análise e curiosidades sobre o filme



