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Pride & Glory: O Heavy Metal Sulista de Zakk Wylde

Resenha - Pride & Glory - Pride & Glory

Por João Paulo Linhares Gonçalves
Em 19/04/11

Nota: 8

Todo mundo conhece o rock sulista norte-americano, aquele capitaneado pelos Allman Brothers e o Lynyrd Skynyrd. E todo mundo também conhece Zakk Wylde, durante vários anos guitarrista da banda de Ozzy Osbourne e líder do Black Label Society. O que pouca gente conhece é a banda Pride & Glory e seu único disco, homônimo. Menos ainda sabem é que Zakk tentou, neste disco, uma mistura inusitada do heavy metal que ele sempre praticou com suas raízes sulistas do rock. Este post busca falar um pouco deste álbum.

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Falemos um pouco da história de nosso personagem principal. Zakk Wylde começou sua carreira entrando para a banda de Ozzy Osbourne em 1987, participando da gravação e turnê do disco "No Rest For The Wicked". Sua fama entre os roqueiros cresceu com o sucesso e a aparição no vídeo da canção "No More Tears", onde ele nos apresentou a hoje famosa guitarra bulls eye. O disco de mesmo nome é considerado por muitos como um dos melhores de Ozzy, muito deste brilho graças a Zakk, que neste disco mostra ainda mais talento, em solos lindos como o da faixa-título ou em canções lentas marcantes, como "Mama, I'm Coming Home" e "Road To Nowhere".

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Aconteceu que Ozzy, se achando cansado e querendo dedicar mais tempo a sua família (foi o que ele escreveu em seu livro auto-biográfico, "Eu Sou Ozzy"), decidiu que aquela seria a sua última turnê (ele batizou a turnê com o singelo nome de "No More Tours"). Zakk, a esta altura, já tinha formado uma espécie de banda-tributo, uma daquelas que todos nós gostamos de fazer parte, tocando músicas de bandas clássicas do southern rock, como Allman Brothers, Lynyrd Skynyrd, ZZ Top e Mountain. A banda ganha um nome que brinca com o nome de uma destas clássicas bandas: Lynyrd Skynhead (quão original...). A banda era formada por Zakk na guitarra e vocais, James Lomenzo no baixo (James já tinha tocado com o White Lion e depois tocou com o Megadeth) e Greg D'Angelo na bateria (Greg também tinha tocado no White Lion).

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Com a suposta aposentadoria de Ozzy, a banda acaba ganhando certa importância. Primeiro, duas faixas acabam sendo lançadas em coletâneas: "Farm Fiddlin'", na coletânea "The Guitars That Rule the World", de 1991, e "Baby Please Don't Go", na coletãnea " L.A. Blues Authority Vol. 1", de 1992. No começo de 1994, a banda troca de baterista: sai Greg D'Angelo e entra Brian Tichy (Brian está tocando agora com o Whitesnake). Na mesma época, após a banda ficar mais "séria", não dava pra continuar com aquele nome de banda-tributo. A banda então resolve se chamar Pride & Glory. Com um nome sério, a banda estava pronta para lançar seu primeiro disco, homônimo. O álbum sai em maio de 1994, pela gravadora Geffen (o relançamento com o disco bônus, que eu comento neste post, saiu pela gravadora Spitfire). Todas as canções são composições de Zakk Wylde (no disco bônus há algumas covers). As músicas "Losin' Your Mind" e "Horse Called War" são lançadas como singles e têm vídeos gravados. A canção "Troubled Wine" é lançada apenas como single, sem um vídeo associado.

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Minha impressão, faixa a faixa, do primeiro disco:

1 - "Losin' Your Mind" - uma introdução de banjo já marca a sonoridade diferente que este disco apresenta. Claro que o peso característico do heavy metal vem a seguir, mas esta frase de banjo vai permeando toda a canção. Foi escolhida como primeiro single provavelmente por este motivo, por mostrar claramente que não era simplesmente um trabalho de heavy metal, e sim trazia fortes raízes sulistas. A canção tem andamento moderado, mas na hora do solo Zakk brilha e demonstra suas qualidades.

2 - "Horse Called War" - depois de iniciar o álbum com uma introdução de banjo, esta canção tende mais para o heavy metal tradicional, com um refrão que tem melodia mas não tanto quanto a anterior. Zakk usa bem o wah-wah e sola melhor ainda. A cozinha é um destaque aqui. Foi o segundo single do disco.

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3 - "Shine On" - esta canção tem um comecinho mais lento super inspirado em bandas clássicas, como Allman Brothers. Logo a seguir um pouco de peso e uma gaita marcante contrastando. Mais doses dos poderosos solos de nosso guitarrista e repetições do refrão, um falso fim, com um retorno firme numa levada de peso. Lomenzo faz uma forte linha de baixo que Zakk aproveita para nos dar mais solos. Um dos destaques do disco!

4 - "Lovin' Woman" - quem acompanha a discografia do Black Label Society sabe que, por trás de todo aquele peso, temos diversas baladas, belíssimas. Zakk mostra que esta característica é marcante desde seu começo com Ozzy e as lindas baladas de "No More Tears", e aqui também. Mais uma vez a gaita se faz presente, desta vez de forma suave para complementar esta bonita canção.

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5 - "Harvester of Pain" - um riff pesado marca o começo desta música, típico de Zakk Wylde. Mas a canção em si não é tão pesada. Ela até apresenta trechos mais lentos e cadenciados, mas se apresenta como uma boa canção.

6 - "The Chosen One" - o baixo de James Lomenzo introduz esta música, bem pesado (James mais tarde iria usar muito o peso no Megadeth). Mais uma vez, a canção tem andamento mais cadenciado. É uma prova de que o disco tem uma divisão clara de influências, o heavy metal e o rock sulista. Uma camada suave de orquestração complementa a música. Esta camada fica clara enquanto Zakk sola.

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7 - "Sweet Jesus" - Zakk, além de tocar guitarra muito bem, toca piano de forma bela. Esta introdução no piano, com orquestrações suaves complementares, deixam esta canção a balada mais bela do disco. O solo suave acompanha a beleza da canção.

8 - "Troubled Wine" - terceiro single do disco (mas sem nenhum vídeo gravado para ela), esta começa com uma introdução sulista que cai para uma levada cadenciada pelo peso da guitarra de Zakk. O refrão é o mais melódico de todo o álbum. Talvez esta canção seja o grande destaque do disco.

9 - "Machine Gun Man" - esta vai se conhecida de todos que compraram a coletânea "Skullage", do Black Label Society (ela abre o disco). Uma canção acústica bela com uma dose de peso no refrão que também se destaca neste álbum.

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10 - "Cry Me A River" - outra de levada acústica, melodiosa e gostosa de se ouvir. Doses cavalares de influência sulista e até um pouco de country music, um refrão belo e terei que rever se esta ou "Troubled Wine" é o maior destaque do disco... Fico com as duas!

11 - "Toe'n The Line" - depois de duas acústicas, esta começa com o pé embaixo, com peso forte. Pra reforçar, alguns efeitos na voz de Zakk. No meio, uma levadinha mais suave, para introduzir mais um grande solo. Outro destaque deste belo disco!

12 - "Fadin' Away" - mais uma balada com introdução baseada no piano bem tocado de Zakk. Melodia bela e suave, as baladas de Wylde sempre deixam boa impressão. Esta é mais uma delas. As outras do disco são melhores, mas esta não é ruim.

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13 - "Hate Your Guts" - esta é mais pra fechar o disco com um certo humor. Com uma levada country, meio humorística, com letra passando uma mensagem odiosa. Ainda com um coro brega no fundo, para zoar mesmo. Talvez esta música seja ainda resquício da época em que a banda era mais um tributo. Acabou sendo gravada e fechou o álbum.

E minhas impressões do disco bônus, faixa a faixa:

1 - "The Wizard" - esta cover do Black Sabbath foi tirada numa levada bem ao estilo rock sulista, talvez tenha sido a cover que ficou com a melhor versão, das que compõem este disco extra.

2 - "Torn and Tattered" - o disco extra também traz as típicas baladas de Zakk. Esta bem no estilo acústico. A gaita suave também ajuda, como na música "Lovin' Woman", só que nesta Zakk aplica um pouco de piano também.

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3 - "In My Time of Dyin'" - outra cover da santíssima trindade, esta tem a cara deste disco, a introdução dela tem tudo a ver. Agora, fazer cover de um clássico deste tamanho deixa muita responsabilidade nas costas de quem se arrisca. O Pride & Glory se sai bem, mas o original é imbatível, não tem jeito...

4 - "Found A Friend" - outra bela balada, com peso e muita melodia. Esta canção saiu no disco original (era a faixa 12). Esta versão com dois discos acabou colocando-a para o segundo disco, acidentalmente.

5 - "The Hammer & The Nail" - uma típica canção sulista, curtinha e direta. Bem colocada no segundo disco...

6 - "Come Together" - mais uma cover de banda muito importante. Esta é de ninguém menos que os Beatles. A opção do Pride & Glory foi de uma versão mais suave, baseada no piano de Zakk Wylde. Ficou bem diferente, mas ainda legal.

Após o lançamento do disco, a banda caiu em uma pequena turnê, com aparições em festivais europeus de verão (destaque para Donnington), mais alguns shows nos EUA e Japão. No final da turnê, depois dos shows no Japão, James Lomenzo abandonou a banda, sendo substituído por John "J.D." DeServio (DeServio acabaria tocando também no próximo projeto de Zakk, o Black Label Society - é o atual baixista da banda). O último show da turnê, em Los Angeles, dezembro de 1994, teve a participação de Slash, que tocou com Zakk o hino de Hendrix "Voodoo Child".

Após o insucesso com o Pride & Glory, Zakk Wylde resolveu lançar um disco solo, "Book Of Shadows", onde ele explorou mais seu lado acústico (este disco merece um outro post...). A esta altura, com mais um disco sem sucesso comercial, Zakk decidiu que formaria uma banda onde seria o líder e principal compositor, mas ainda sim uma banda. Desta forma, surgiu o Black Label Society, que hoje é o ganha-pão deste grande guitarrista americano. E o Black Label está em turnê, com passagem pelo Brasil em agosto deste ano. Neste post, você viu o começo desta história toda, o Pride & Glory.

Esta e outras matérias são encontradas no blog Ripando a História do Rock:
http://ripandohistoriarock.blogspot.com/

Links Interessantes:
Pride & Glory na Wikipedia
http://en.wikipedia.org/wiki/Pride_and_Glory_(band)
Zakk Wylde na Wikipedia
http://en.wikipedia.org/wiki/Zakk_Wylde


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Sobre João Paulo Linhares Gonçalves

Roqueiro convicto, de carteirinha, desde os treze anos de idade. Já tive diversas bandas preferidas: de Iron Maiden, Metallica e Black Sabbath a The Who, Pink Floyd e Rolling Stones. O heavy metal sempre me atraiu muito, mas o rock praticado nos anos 60 e 70 é fascinante e estou sempre escutando. De vez em quando, dou chance ao punk, rock alternativo, blues, até ao jazz e MPB, pra variar.

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