Behemoth: Um de seus discos mais agressivos e sensacionais

Resenha - Evangelion - Behemoth

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Por Paulo Finatto Jr.
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Nota: 9

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.


Com mais de vinte anos de estrada, os poloneses do BEHEMOTH podem ser apontados como uma das maiores referências do black metal moderno. A banda, que une a temática do gênero à sonoridade extrema do death metal, vem conquistando cada vez mais adeptos desde “Demigod” (2004). Na sua empreitada mais recente, o agora quarteto mantém a média de qualidade e constroi um dos discos mais agressivos e sensacionais da sua carreira. “Evangelion”.
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Em atividade desde o início dos anos noventa, o BEHEMOTH em poucos anos ganhou notoriedade suficiente para ser apontado como o maior ícone do metal polonês. Nergal (vocal e guitarra), Seth (guitarra), Orion (baixo) e Inferno (bateria) não podem mais ser considerados como um promissor nome do black metal. Pelo contrário. O sucesso a partir do ótimo “Demigod” (2004) – que passa ainda por “The Apostasy” (2007) – mostra a sua faceta mais clara em “Evangelion”. Não é à toa que o álbum venceu o prêmio polonês Fryderyk Award (melhor CD de rock/metal do ano) e conquistou o disco de ouro no seu país (por ultrapassar a marca de cinquenta mil cópias vendidas). O nono registro de Nergal & Cia. transcendeu o underground periférico europeu para se afirmar como uma referência para o gênero no mundo inteiro.

As particularidades que dão à sonoridade da banda um caráter interessantíssimo se desdobram do início ao fim de “Evangelion”. De um lado, o BEHEMOTH mostra qualidade em composições extremas e complexas. De outro, o quarteto polonês comprova a sua desenvoltura também em temas mais ríspidos e diretos. A faixa de abertura, “Daimonos” evidencia um instrumental preciso e técnico, digno dos nomes mais conceituados do death metal brutal. Por outro lado, o ódio que a maioria das bandas de black transpira ganha forma a partir da ótima voz de Nergal, perfeitamente encaixada com o instrumental do grupo. Do mesmo modo, “Ov Fire and the Void” pode ser apontada como outro destaque, sobretudo pela obscuridade das suas melodias e dos seus riffs hipnotizantes de guitarra. Não seria pretensão alguma dizer que “Evangelion” é o ápice da destreza musical de Nergal & Cia.

Para quem não consegue desassociar o black metal à crueza dos seus representantes nórdicos, “Transmigrating Beyong Realms Ov Amenti” é uma faixa interessante de ser acompanhada. A música possui muita velocidade – uma característica que curiosamente não é uma constante no álbum – sem perder o impacto do instrumental extremamente bem elaborado e assinado pelo BEHEMOTH. No entanto, o quarteto polonês mostra um quê diferenciado justamente nas faixas em eles conseguem comprovar toda a sua desenvoltura em uma sonoridade coesa e recheada de variações rítmicas. Nessa perspectiva, “The Seed Ov I” deve atrair muitos dos olhares.

Na sequência de encerramento, a concentração de faixas mais diretas e da composição mais longa do repertório vem aparentemente para agradar a gregos e a troianos. Não há como dizer o contrário. As rápidas “Alas The Lord is Upon Me” e “Defiling Morality Ov Black God” contam com as mesmas referências que contornam “Evangelion” do seu início ao fim. A bateria aparece com a sua velocidade característica e o acompanhamento com os riffs bem definidos nas duas guitarras simboliza o que existe de mais particular na obra do BEHEMOTH. O cuidado em construir um repertório agressivo e muito coeso é evidente em cada um dos quarenta minutos de “Evangelion” – inclusive nos oito em que dura “Lucifer”. Os elementos sinfônicos (que de repente até cairiam bem à proposta dos caras) são abdicados para que os poloneses possam ser rotulados como a banda mais agressiva do gênero.

Em agosto passado, Nergal foi hospitalizado em decorrência de uma leucemia. Porém, em janeiro desse ano uma ótima notícia: o vocalista e guitarrista deixou a unidade do Uniwersyteckie Centrum Kliniczne após um bem sucedido transplante de medula. A banda, que abandonou boa parte da turnê de “Evangelion” por causa disso, deve reconquistar a repercussão extremamente positiva que o seu nono registro de estúdio deixou em aberto. O álbum, que entrou na 55ª colocação da conceituada parada US Billboard 200, ainda dá muito pano para a manga. Não será nenhuma surpresa o dia em que o BEHEMOTH assumir o posto de maior referência (em atividade) do black metal mundial.

Track-list:

01. Daimonos
02. Shemhamforash
03. Ov Fire and the Void
04. Transmigrating Beyong Realms Ov Amenti
05. He Who Breeds Pestilence
06. The Seed Ov I
07. Alas The Lord is Upon Me
08. Defiling Morality Ov Black God
09. Lucifer

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Sobre Paulo Finatto Jr.

Reside em Porto Alegre (RS). Nascido em 1985. Depois de três anos cursando Engenharia Química, seguiu a sua verdadeira vocação, e atualmente é aluno do curso de Jornalismo. Colorado de coração, curte heavy metal desde seus onze anos e colabora com o Whiplash! desde 2000, quando tinha apenas quinze anos. Fanático por bandas como Iron Maiden, Helloween e Nightwish, hoje tem uma visão mais eclética do mundo do rock. Foi o responsável pelo extinto site de metal brasileiro, o Brazil Metal Law, e já colaborou algumas vezes com a revista Rock Brigade.

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