Behemoth: Um de seus discos mais agressivos e sensacionais
Resenha - Evangelion - Behemoth
Por Paulo Finatto Jr.
Postado em 20 de março de 2011
Nota: 9 ![]()
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Com mais de vinte anos de estrada, os poloneses do BEHEMOTH podem ser apontados como uma das maiores referências do black metal moderno. A banda, que une a temática do gênero à sonoridade extrema do death metal, vem conquistando cada vez mais adeptos desde "Demigod" (2004). Na sua empreitada mais recente, o agora quarteto mantém a média de qualidade e constroi um dos discos mais agressivos e sensacionais da sua carreira. "Evangelion".
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Em atividade desde o início dos anos noventa, o BEHEMOTH em poucos anos ganhou notoriedade suficiente para ser apontado como o maior ícone do metal polonês. Nergal (vocal e guitarra), Seth (guitarra), Orion (baixo) e Inferno (bateria) não podem mais ser considerados como um promissor nome do black metal. Pelo contrário. O sucesso a partir do ótimo "Demigod" (2004) – que passa ainda por "The Apostasy" (2007) – mostra a sua faceta mais clara em "Evangelion". Não é à toa que o álbum venceu o prêmio polonês Fryderyk Award (melhor CD de rock/metal do ano) e conquistou o disco de ouro no seu país (por ultrapassar a marca de cinquenta mil cópias vendidas). O nono registro de Nergal & Cia. transcendeu o underground periférico europeu para se afirmar como uma referência para o gênero no mundo inteiro.
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As particularidades que dão à sonoridade da banda um caráter interessantíssimo se desdobram do início ao fim de "Evangelion". De um lado, o BEHEMOTH mostra qualidade em composições extremas e complexas. De outro, o quarteto polonês comprova a sua desenvoltura também em temas mais ríspidos e diretos. A faixa de abertura, "Daimonos" evidencia um instrumental preciso e técnico, digno dos nomes mais conceituados do death metal brutal. Por outro lado, o ódio que a maioria das bandas de black transpira ganha forma a partir da ótima voz de Nergal, perfeitamente encaixada com o instrumental do grupo. Do mesmo modo, "Ov Fire and the Void" pode ser apontada como outro destaque, sobretudo pela obscuridade das suas melodias e dos seus riffs hipnotizantes de guitarra. Não seria pretensão alguma dizer que "Evangelion" é o ápice da destreza musical de Nergal & Cia.
Para quem não consegue desassociar o black metal à crueza dos seus representantes nórdicos, "Transmigrating Beyong Realms Ov Amenti" é uma faixa interessante de ser acompanhada. A música possui muita velocidade – uma característica que curiosamente não é uma constante no álbum – sem perder o impacto do instrumental extremamente bem elaborado e assinado pelo BEHEMOTH. No entanto, o quarteto polonês mostra um quê diferenciado justamente nas faixas em eles conseguem comprovar toda a sua desenvoltura em uma sonoridade coesa e recheada de variações rítmicas. Nessa perspectiva, "The Seed Ov I" deve atrair muitos dos olhares.
Na sequência de encerramento, a concentração de faixas mais diretas e da composição mais longa do repertório vem aparentemente para agradar a gregos e a troianos. Não há como dizer o contrário. As rápidas "Alas The Lord is Upon Me" e "Defiling Morality Ov Black God" contam com as mesmas referências que contornam "Evangelion" do seu início ao fim. A bateria aparece com a sua velocidade característica e o acompanhamento com os riffs bem definidos nas duas guitarras simboliza o que existe de mais particular na obra do BEHEMOTH. O cuidado em construir um repertório agressivo e muito coeso é evidente em cada um dos quarenta minutos de "Evangelion" – inclusive nos oito em que dura "Lucifer". Os elementos sinfônicos (que de repente até cairiam bem à proposta dos caras) são abdicados para que os poloneses possam ser rotulados como a banda mais agressiva do gênero.
Em agosto passado, Nergal foi hospitalizado em decorrência de uma leucemia. Porém, em janeiro desse ano uma ótima notícia: o vocalista e guitarrista deixou a unidade do Uniwersyteckie Centrum Kliniczne após um bem sucedido transplante de medula. A banda, que abandonou boa parte da turnê de "Evangelion" por causa disso, deve reconquistar a repercussão extremamente positiva que o seu nono registro de estúdio deixou em aberto. O álbum, que entrou na 55ª colocação da conceituada parada US Billboard 200, ainda dá muito pano para a manga. Não será nenhuma surpresa o dia em que o BEHEMOTH assumir o posto de maior referência (em atividade) do black metal mundial.
Track-list:
01. Daimonos
02. Shemhamforash
03. Ov Fire and the Void
04. Transmigrating Beyong Realms Ov Amenti
05. He Who Breeds Pestilence
06. The Seed Ov I
07. Alas The Lord is Upon Me
08. Defiling Morality Ov Black God
09. Lucifer
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