Amorphis: um álbum ousadíssimo para o ano de 1994
Resenha - Tales from the Thousand Lakes - Amorphis
Por Marcos Garcia
Postado em 16 de novembro de 2010
O início da década de 90 foi promissor para o Death Metal, já que o estilo voltava a estar em evidência, graças à leva de bandas que surgiu após 1989 e revelou nomes que eram até então desconhecidos da grande maioria, como MORBID ANGEL e o DEATH, que ganhou um novo gás com este crescimento, e novatos então desconhecidos, hoje idolatrados e referência no estilo, como DISMEMBER, BENEDICTION, DEICIDE, entre outros, e algumas ousaram fugir do velho padrão e criaram novas roupagens, como PARADISE LOST, MY DYING BRIDE e ANATHEMA, que trouxeram à vida o Doom Death Metal, e outros como o genial AMORPHIS finlandês, terra até então desconhecida dos fãs de Metal.

Seu primeiro CD, ‘The Karelyan Isthmus’, ainda era um pouco primitivo, musicalmente falando, mas quem não ficou surpreso quando ouviu o segundo, ‘Tales From the Thousand Lakes’, um CD ousadíssimo para aqueles tempos, principalmente o ano de 1994, onde o Death Metal estava se encaminhando para algo ainda mais brutal.
A produção visual ainda era um pouco pobre para a época, mas ao pôr o disquinho no CD player e apertar o botão ‘play’, é quase impossível conter os olhos nas órbitas, tamanha a gratificante surpresa: Agressivo e melodioso na medida certa, graças às guitarras de Esa Holopainen e de Tomi Koivusaari, vocais urrados (feitos por Koivusaari) contrastando perfeitamente com vocais limpos do artista convidado Ville Tuommi, teclados hiper bem sacados e bem tocados por Kasper Materson, andamentos menos acelerados ditados pelo baixo de Olli-Pekka Laine e bateria de Jan Rechberger, e com um belo clima folk eslavo de pano fundo para cada música, parte graças à musicalidade atingida pela banda em si, parte graças aos temas da banda, baseados inteiramente no épico finlandês ‘Kalevala’, que a banda usou em vários de seus discos após este aqui.
Cada música em si é um delírio para fãs de Metal bem feito, onde os destaques mais que obrigatórios são ‘Into Hiding’, que no inicío lembra o som feito no CD anterior, mas um pouco antes do meio, se converte em um verdadeiro clássico melodioso, e com ótimos vocais limpos; ‘The Castaway’, onde as guitarras fazem clara menção à música regional finlandeza; a mais que cultuada ‘Black Winter Day’, hino dos fãs que dispensa apresentações mais detalhadas; ‘Drowned Maiden’, onde há equilíbrio entre melodia e Death Metal com perfeição; a forte e cadenciada ‘In the Beginning’, assim como o é também ‘Forgotten Sunrise’; ‘To Fathers Cabin’ é mais emotiva, com vocais essencialmente limpos e que tem ênfase na parte instrumental, fora a boa versão para para ‘Light My Fire’, do THE DOORS, superior à original. E a versão remaster ainda trás de bônus o EP ‘Black Winter Day’, onde, em minha opinião, está a melhor música da banda nessa fase, a maravilhosa ‘Moon and Sun Pt II: North's Son’.
Sei que muitos irão questionar o porquê de se falar em um disco tão velho, pois é de 1994, e a resposta é bem simples: Este disco marca o fim da fase Death Metal da banda, que no seguinte, ‘Elegy’, irá começar a migrar para uma sonoridade cada vez mais setentista e psicodélica, que é igualmente maravilhosa. Ou seja, é um tributo bem merecido.
Tracklist:
1 - Thousand Lakes (intro)
2 - Into Hiding
3 - The Castaway
4 - First Doom
5 - Black Winter Day
6 - Drowned Maid
7 - In the Beginning
8 - Forgotten Sunrise
9 - To Fathers Cabin
10 - Magic and Mayhem
11 - Folk of the North (EP Black Winter Day)
12 - Moon and Sun (EP Black Winter Day)
13 - Moon and Sun Pt II: North's Son (EP Black Winter Day)
14 - Light my Fire (The Doors)
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