Anathema: distante das influências mais pesadas do passado
Resenha - We're Here Because We're Here - Anathema
Por Paulo Finatto Jr.
Postado em 05 de agosto de 2010
Nota: 7 ![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
Desde o álbum "Eternity" (1996), o ANATHEMA vem adotando uma sonoridade diferente, com progressivas modificações ao longo do tempo. A banda, que iniciou a sua carreira com um doom metal em "Serenades" (1993), dezessete anos depois lança o seu disco mais alternativo e distante das influências mais pesadas do seu passado. "We’re Here Because We’re Here", o novo álbum da banda inglesa, é recheado de sonoridades diversificadas e extremamente difícil de ser digerido no primeiro momento.
Embora muitos fãs tenham torcido o nariz para o novo direcionamento musical do ANATHEMA, discos como "A Natural Disaster" (2003) e, sobretudo "Judgement" (1999), mostraram que era possível adotar um caminho mais melancólico e cadenciado sem abrir mão de eventuais riffs pesados e de ótimas composições. Depois de sete anos sem nenhuma novidade, os irmãos Vincent Cavanagh (vocal/guitarra), Danny Cavanagh (guitarra) e James Cavanagh (baixo), juntamente com Les Smith (teclado) e John Douglas (bateria), mostram em "We’re Here Because We’re Here" uma sonoridade bastante intensa e com referências do rock alternativo, especialmente de nomes como RADIOHEAD e SNOW PATROL. De qualquer forma, o oitavo álbum do quinteto deixa, na maioria das suas composições, as suas principais qualidades escondidas por trás de uma mistura relativamente caótica (e tão ímpar).
Entretanto, uma consideração precisa ser feita: não há como repetir a fórmula bem sucedida dos dois maiores discos do ANATHEMA – os citados "Judgement" e "A Natural Disaster" – se a banda adquire uma postura cada vez mais distante do seu primórdio doom metal. Em compensação, "We’re Here Because We’re Here" tem os seus momentos de destaque, mesmo que fuja um pouco da considerada "nova" essência mais cadenciada do grupo inglês. "Thin Air", composição que abre o disco, é muito bem construída através de uma carga emotiva acentuada e um instrumental relativamente agressivo.
"Summer Night Horizon", por outro lado, deixa claro que a união de tantas influências distintas – que vão da melodia do piano ao riffs acelerados – compromete o mais novo trabalho da banda. Da mesma forma, as faixas "Everything", "Get Off, Get Out" e "Universal" repetem a falha: exageram na intensidade e acabam se tornando amontoados de barulhos e instrumentos musicais. Diferente do que pode parecer, "We’re Here Because We’re Here" possui outras músicas interessantes que, de repente, conseguem se sobrepor ao que o ANATHEMA apresenta de duvidoso no disco. Não há nenhuma intervenção necessária sobre a ótima balada "Dreaming Light" – com piano, orquestrações e violão. Com essas mesmas referências, "Angels Walk Among Us" (que traz a participação especial do vocalista Ville Valo, do HIM) mostra potencial para ser inserida entre os momentos mais destacáveis do disco, pela mistura simples entre peso e delicadeza – aqui a fórmula funcionou.
Em quase uma hora de duração, o novo álbum do grupo de Liverpool conta ainda com duas longas composições de destaque. "A Simple Mistake" e "Hindsight" – ambas com cerca de oitos minutos –, apesar de bem trabalhadas, não evidenciam aspectos musicalmente opostos (e falhos), como "Get Off, Get Out", por exemplo. "A Simple Mistake", que tem um início bastante cadenciado, é a faixa que melhor incorpora elementos pesados em todo o disco. O instrumental muito bem trabalho também se repete em "Hindsight", música que fecha "We’re Here Because We’re Here" e igualmente intercala referências cadenciadas e guitarras agressivas (sem nenhuma linha de voz).
De qualquer modo, uma parcela expressiva dos fãs do ANATHEMA, que aguardaram quase dez anos por um novo registro da banda em estúdio, poderá se decepcionar com o "o mais novo" encaminhamento musical da banda. Dessa vez, não apenas por intolerância ao gênero mais cadenciado e melancólico: "We’re Here Because We’re Here", ao contrário dos discos anteriores, exibe claramente as suas falhas em diversos momentos. Entretanto, em uma audição exaustiva e dedicada, qualquer um é capaz de encontrar os elementos que fizeram do ANATHEMA uma das maiores referências da música na década passada.
Track-list:
01. Thin Air
02. Summer Night Horizon
03. Dreaming Light
04. Everything
05. Angels Walk Among Us
06. Presence
07. A Simple Mistake
08. Get Off Get Out
09. Universal
10. Hindsight
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Indireta? Fabio Lione fala em "ninho de cobras" e "banda de palhaços" após show do AC/DC
Com quase 200 atrações, festival Louder Than Life confirma lineup para 2026
O guitarrista que Hetfield disse ter sido uma bênção conhecer: "nos inspiramos um ao outro"
10 músicas de rock que os próprios artistas preferem esquecer, além de um álbum inteiro
Iron Maiden - A melhor música de "Brave New World", segundo o Heavy Consequence
Folha cita "barriga enorme" de Brian Johnson em resenha sobre show do AC/DC em SP
As 5 músicas do Guns N' Roses que melhor mostram o alcance vocal de Axl Rose
Show do AC/DC no Brasil é elogiado em resenha do G1; "A espera valeu a pena"
Zakk Wylde lembra soco que levou de Ozzy por ter exagerado na mostarda do sanduíche
O álbum que define o heavy metal, na opinião do vocalista do Opeth
Última tour do Whitesnake foi "a pior possível", declara o guitarrista Reb Beach
Lacrimosa emite novo comunicado sobre saúde de Anne Nurmi
10 clássicos do rock que soam ótimos, até você prestar atenção na letra
Iron Maiden anuncia o documentário "Burning Ambition", celebrando seus 50 anos
Rock and Roll Hall of Fame anuncia indicados para edição 2026
Kerry King diz que gravou o baixo em todos os discos do Slayer dos anos 90 em diante
As seis músicas do Metallica que Dave Mustaine ajudou a escrever
Dave Grohl aponta a banda dos anos 2000 que trouxe de volta o rock de 1979




Daniel Cavanagh tocará clássicos do Anathema no Brasil em fevereiro
Bandas de heavy metal que contam (ou contaram) com irmãos na formação
A tragédia familiar que marcou os irmãos Cavanagh, do Anathema
Clássicos imortais: os 30 anos de Rust In Peace, uma das poucas unanimidades do metal



