Lacrimosa: "Sehnsucht" finalmente em versão nacional
Resenha - Sehnsucht - Lacrimosa
Por Paulo Finatto Jr.
Postado em 09 de julho de 2010
Nota: 9 ![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
Com o álbum "Echos" (2003), o LACRIMOSA se tornou uma das mais importantes bandas de metal gótico do mundo. O grupo, liderado pelo alemão Tilo Wolff e pela finlandesa Anne Nurmi, lançou em 2009 o disco que é considerado o melhor da sua carreira, intitulado "Sehnsucht". O CD chega somente agora no Brasil via Hellion Records.
Em atividade desde 1989, o LACRIMOSA pode ser considerada a primeira banda a unir o metal gótico com verdadeiras orquestrações. Depois de quatro anos sem nenhum disco novo, "Sehnsucht" – o décimo registro de estúdio – certamente irá dividir opiniões. Enquanto que os fãs mais antigos poderão achar que a banda está muito metal, outros irão torcer o nariz para as músicas mais atmosféricas e menos pesadas. De qualquer forma, não há dúvida: independente do formato musical escolhido pelo LACRIMOSA, o resultado final é primoroso.
Os fãs brasileiros já tiveram a oportunidade de ver a banda ao vivo em duas oportunidades: em 2004 e em 2007. Por outro lado, Tilo Wolff já confirmou mais uma apresentação em território brasileiro – agendada para setembro de 2010. Em estúdio, a banda cria composições extremamente complexas, recheadas de arranjos orquestrados e que ficam muito difícil de repetir ao vivo. Entretanto, não vejo isso como um defeito. O trabalho do LACRIMOSA precisa ser reverenciado, tanto pela sua magnífica execução como pela sua criatividade evidentemente exposta em "Sehnsucht".
Com cerca de uma hora de duração, o novo álbum do grupo de Tilo Wolff e Anne Nurmi se divide em duas tendências bastante perceptíveis. De um lado, as composições mais pesadas, com instrumental caprichado e momentos sinfônicos que complementam a sonoridade. De outro, as músicas mais leves e cadenciadas, sem riffs de guitarra e com longos trechos de piano e auxílio fundamental das passagens orquestradas. Mesmo soando tão diferentes, ambas as características possuem qualidades irreparáveis.
Em quase oito minutos, "Die Sehnsucht in Mir" – composição que abre o álbum – mostra como o instrumental extremamente pesado se encaixa muitíssimo bem com as orquestrações. A voz de Tilo, que altera agressividade e melodia, se casa de maneira impecável com o timbre angelical de Anne, presente em poucas faixas, infelizmente. O estilo mais pesado da banda ainda se destaca em "Mandira Nabula", "Feuer", "I Lost My Star in Krasnodar" e "Koma". A voz rasgada do frontman, que às vezes lembra a performance de Kai Hansen (GAMMA RAY) é o que consolida a proposta musical do LACRIMOSA.
Entretanto, em faixas como "A.U.S." e "Die Taube" as orquestrações encontram o seu ápice. As músicas, com um clima muito mais gótico e arrastado, não privilegiam com a mesma intensidade os riffs de guitarra. Mesmo que esse tipo de composição tenha uma face mais tradicional para o estilo, os arranjos sinfônicos se desdobram em uma série de detalhes que enriquecem ainda mais a sonoridade do LACRIMOSA.
Embora esteja muito acima da média em comparação com os outro nove discos anteriores, "Sehnsucht" poderia evidenciar ainda mais certos aspectos. Certamente, não faz parte da proposta do LACRIMOSA se encaixar na sonoridade mais comercial do gothic rock. No entanto, o disco apresenta músicas longas que não funcionam tão bem, como "Der Tote Winkel". Em muitos momentos, a voz agressiva de Tilo não combina com o instrumental mais cadenciado da banda. É de se pensar em alternativas (nesses casos, uma maior utilização de Anne como vocalista, por exemplo), como na curta "Call Me With the Voice of Love", que sofre igualmente do mesmo problema.
De qualquer forma, "Sehnsucht" é um disco que vai agradar em cheio os admiradores do LACRIMOSA que não se importam com essas duas diferentes sonoridades da banda. O disco, que conta com as letras em alemão traduzidas para o inglês em seu encarte (ótima iniciativa), representa o melhor momento da carreira de Tilo Wolff (vocal), Anne Nurmi (vocal e teclado) – e dos músicos contratados Dirk Wolff e Jay P. (guitarras), Yenz Leonhardt (baixo) e Arturo Garcia (bateria). Para os brasileiros, resta aguardar a turnê do álbum que passa por São Paulo – em apresentação única – ainda em 2010.
Track-list:
01. Die Sehnsucht in Mir
02. Mandira Nabula
03. A.U.S.
04. Feuer
05. A Prayer for Your Heart
06. I Lost My Star in Krasnodar
07. Die Taube
08. Call Me With the Voice of Love
09. Der Tote Winkel
10. Koma
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Ex-esposa detona pedido de casamento de James Hetfield: "Ele abandonou sua família"
A canção clássica do Rush que foi gravada com um erro de Neil Peart
A música que Angus Young diz resumir o AC/DC; "a gente estava ralando, fazendo turnê demais"
Quando Frank Zappa interrompeu um show para elogiar um músico; "Nada mal, garoto"
A reação de Lemmy Kilmister quando gravadora sugeriu que Motörhead gravasse um rap
Rock in Rio anuncia lineup dos palcos principais nas duas noites voltadas ao rock
A opinião de John Petrucci sobre "Live After Death", clássico do Iron Maiden
Festival terá Angra tocando "Holy Land" e Stratovarius com set só de músicas dos anos 1990
O cantor que Brian Johnson do AC/DC acha a voz bonita demais para competir: "Não é justo"
Pela primeira vez, Dave Grohl fala abertamente sobre morte de Taylor Hawkins
Andi Deris entende ser o momento certo para o Helloween lançar um novo "Keepers"
Com câncer raro e agressivo, Ginger Wildheart anuncia que não fará tratamento
James Hetfield pede namorada em casamento debaixo d'água
A única música do Motörhead que Lemmy Kilmister achava ruim
A todo o mundo, a todos meus amigos: Megadeth se despede com seu autointitulado disco
O hit de Raul Seixas que ficou conhecido por ter o "solo mais caro do mundo"
O profundo verso de Raul Seixas que Clarice Lispector reproduziu no seu livro
O hit do rock nacional que vendeu tanto que desbancou "Billie Jean" do Michael Jackson



"Old Lions Still Roar", o único álbum solo de Phil Campbell
Virgo um dos álbuns mais importantes da carreira de Andre Matos
Em "Attitude Adjustment", Buzzcocks segue firme como referência de punk rock com melodia



