Mötley Crüe: testosterona sem preocupação com o correto
Resenha - Saints of Los Angeles - Mötley Crüe
Por Thiago El Cid Cardim
Postado em 03 de agosto de 2009
Nota: 9 ![]()
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Confesse: vivemos uma chatíssima era de bom-mocismo tomando conta do rock ‘n’ roll, com canções e bandas que fazem questão de ser assépticas e limpinhas, para toda família ouvir juntinha. O rock está se tornando um pouco High School Musical demais. Justamente por isso dá até gosto ouvir um álbum como este "The Saints of Los Angeles", mais recente disco de inéditas do Mötley Crüe. É hard rock com pegada, com testosterona em nível máximo, sem preocupação com a praga do politicamente correto. Vince, Mick, Nikki e Tommy expõem o lado mais sombrio da cidade dos anjos, com todas suas drogas, mulheres seminuas e roqueiros tatuados e psicóticos. Por onde eles andavam, afinal?

Primeiro disco de inéditas do grupo em oito anos – e o primeiro a reunir novamente a formação original desde "Generation Swine" (1997), "The Saints of los Angeles" tem um ar nitidamente autobiográfico. Quem já pôde ler a autobiografia do grupo, "The Dirt", vai encontrar referências, por vezes explícitas e por vezes veladas, em cada canção. "White Trash Circus", por exemplo, é uma ode a todas as brigas nas quais estes quatro já se meteram um com o outro na estrada, numa elação de amor e ódio que perdura até hoje ("Been livin'on the road about a year and half / If we go another mile we're gonna kick each other's ass / Someone's gonna quit or someone's gonna die / And we don't give a shit because we love it to death"). Isso para ficar no óbvio.
Todas as músicas, no entanto, estão intimamente ligadas por uma sonoridade que está longe de ser datada. É o Mötley Crüe em sua melhor forma, com refrões ganchudos e os riffs de guitarra pesados e venenosos de Mick Mars dando o tom – basta escutar o primoroso trabalho em "Mutherfucker Of The Year", por exemplo.
É praticamente impossível resistir à levada da faixa-título, que dá ao ouvinte a vontade de se juntar aos convidados Jacoby Shaddix (Papa Roach), Josh Todd (Buckcherry), Chris Brown (Trapt) e James Michael (Sixx A.M.) no refrão poderoso, bem no meio de um clube pegando fogo na Sunset Strip.
Igualmente endiabrada e incendiária é "Just Another Psycho", com um groove de bateria que vai grudar na sua cabeça por dias – sim, as vozes vão ficar ressoando na sua cabeça, mas isso é perfeitamente normal. E diferente da música de mesmo nome do Bon Jovi, nem em "This Ain't A Love Song" a adrenalina cai. Pelo contrário: o que se pode esperar de uma música dedicada uma mulher de roupa sadomasoquista e com uma tatuagem de prisão, a quem foram necessárias apenas duas carreiras de cocaína para chegar na cama? Faz sentido o que eu disse sobre "sem preocupação com a praga do politicamente correto"?
Na canção que dá nome ao disco, "The Saints of Los Angeles", o Mötley Crüe diz: "One day you will confess and pray to the Saints of Los Angeles". E eu só posso complementar dizendo "amém".
Line-up:
Vince Neil - Vocal
Mick Mars - Guitarra
Nikki Sixx - Baixo
Tommy Lee - Bateria
Tracklist:
1. L.A.M.F.
2. Face Down In The Dirt
3. What's It Gonna Take
4. Down At The Whisky
5. Saints of Los Angeles
6. Mutherfucker Of The Year
7. The Animal In Me
8. Welcome To The Machine
9. Just Another Psycho
10. Chicks = Trouble
11. This Ain't A Love Song
12. White Trash Circus
13. Goin' Out Swinging
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