Mötley Crüe: bom, mas sem a energia dos bons tempos

Resenha - Saints Of Los Angeles - Mötley Crüe

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Por Weslei Varjão
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Nota: 7


Após uma sucessão de erros em seus últimos registros (vide o péssimo "Generation Swine" e o apenas regular "New Tatoo"), eis que o Mötley Crüe ressurge em um álbum que poderia ser muito bem a trilha sonora para sua autobiografia "The Dirt". Sendo um álbum que fala sobre sua carreira e da maneira que eles surgiram, apesar de algumas escorregadas (o flerte com o New Metal em algumas faixas), soa sincero e percebemos uma entrega total da banda no registro. Longe de ser um clássico ao nível de "Shout At The Devil", "Girls, Girls, Girls" e "Dr. Feelgood", é um álbum que merece ser escutado, apesar de faltar a velha energia do Crüe em algumas músicas.

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O primeiro álbum com a formação original em mais de 10 anos não chega a impressionar mas traz um certo vigor à banda. A cozinha dessa vez está muito bem, parece que os anos de estrada lhes ensinaram muito. Tommy Lee está em sua melhor forma neste disco. Nunca o vi de maneira tão presente como ele está agora. Sempre o achei um baterista comum, mas desta vez ele se destaca, com um som pesado e agressivo e sendo destaque em algumas músicas. Nikki Six consegue acompanhar o bom ritmo de seu companheiro e também se sobressai . Mick Mars sempre nos entrega riffs certeiros e diretos. Talvez o único que não foi tão bem assim foi Vince Neil. O tempo pesou e ele não consegue mais alcançar tons tão altos como antigamente, mais ainda assim não compromete o resultado final.

Mas como já dito anteriormente, a banda escorrega e feio na tentativa de modernizar seu som. O erro chega a ser grosseiro em algumas músicas nas quais eles quiseram injetar essa dose de "modernismo". Por exemplo "The Animal in Me", em que essa modernidade não foi bem vinda (apesar de um bom solo). Houve uma mudança clara de seu Hard Rock clássico para uma banda mais puxada para o Heavy Metal, algo que irá desagradar alguns de seus fãs mais antigos.

Mas sabendo que sempre podemos esperar algo de bom quando temos a formação original reunida (excluindo o horrendo "Generation Swine"), também temos ótimas músicas aqui. A começar pela energética "Face Down in the Dirt", onde temos uma banda insana e chutando traseiros, como o velho Crüe. A linha de baixo do começo dessa música é simplesmente excepcional e a música é daquelas que dão vontade de pegar um carro e sair correndo por aí. "Down at the Whisky" também é divertida, apesar de fazer falta aquele espírito que existia nos albuns até o "Dr. Feelgood".

Mais o grande destaque fica para "Saints Of Los Angeles". Duvido que a alguem ao escutar essa não vai ter vontade de sair cantarolando "We are we are the saints one day you will confess / And pray to the saints of Los Angeles" por aí. Com um refrão marcante e grudento, esta é a melhor música de todo o álbum. Não foi à toa que foi o primeiro single e que a mesma tenha vendido muito em uma versão para um famoso jogo de videogame. Recuperando também a fase áurea da banda, temos a nostálgica "Chicks = Trouble" que pode agradar aos fãs mais antigos.

Resumindo, apesar de não ser o que esperamos de uma banda como eles, é sim um bom álbum de rock, o melhor desde "Dr. Feelgood". Se você procura alguns minutos de diversão e músicas bem executadas por uma banda bem entrosada esta é uma boa escolha. Se você espera o hard rock descompromissado e energético de antigamente, nem chegue perto.

Tracklist:
1. L.A.M.F.
2. Face Down in the Dirt
3. What's It Gonna Take
4. Down at the Whisky
5. Saints of Los Angeles
6. Muther Fucker of the Year
7. The Animal in Me
8. Welcome to the Machine
9. Just Another Psycho
10. Chicks = Trouble
11. This Ain't a Love Song
12. White Trash Circus
13. Goin' Out Swingin'

Line-up:
Vince Neil - vocal
Mick Mars - guitarra
Nikki Sixx - baixo, backing-vocals
Tommy Lee - bateria


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