Glenn Hughes: nunca o mesmo álbum duas vezes
Resenha - Music for the Divine - Glenn Hughes
Por Maurício Dehò
Postado em 09 de setembro de 2008
Nota: 7 ![]()
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Em entrevista traduzida aqui no Whiplash, Glenn Hughes disse: "eu nunca faço o mesmo álbum duas vezes". Apesar de se referir ao mais recente disco do grupo "Underground Nuclear Kitchen" (2008), o vocalista e baixista que já virou lenda por passar por bandas como Deep Purple, Black Sabbath e Trapeze bem que poderia estar falando do lançamento anterior, este bom "Music for the Divine", que tratamos aqui.
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A maior diferença é a pegada eletro-acústica que aparece neste álbum, lançado em 2006, logo após "Soul Mover". São tantas composições baseadas no violão ou que acabaram deixando a guitarra um pouco de lado que está é a característica mais marcante do CD, que, é claro, traz o Hard Rock, o groove e ainda mais funk do inglês. Para completar o pacote "divino", o trabalho com instrumentos orquestrais é a cereja no bolo, dando outro toque de originalidade
O que chama a atenção num segundo momento é a continuação da parceria com Chad Smith, do Red Hot Chilli Peppers, co-assinando a produção e sendo responsável por colocar seu estilo nas peles e pratos. Vindo de uma escola muito diferente da que Hughes teria com um batera usual de Rock/Metal, as batidas de Chad acabam enriquecendo a sonoridade e, por conseqüência, o disco.
Em 47 minutos de 'play', "Music for the Divine" não é totalmente consistente e em alguns momentos perde um pouco o brilho. Longos momentos mais lentos, com baladas, dão uma esfriada no clima, mas quando o peso dos violões (!) e guitarras voltam, os problemas são superados.
"The Valiant Denial", de sete minutos, usa todo este tempo para dar uma geral do que será o CD. Estão aí os violões, guitarras cheias de groove e efeitos 'funky', arranjos orquestrais – com a chamada The House of the Divine String Section tocando – e o baixo na cara. Faltou algo? Não, é claro que a voz de Hughes, sempre única, aparece em grande forma, mesmo com o vocalista quase batendo a marca dos 60 anos (hoje tem 57).
Destaque para a interpretação em "Steppin' On", a batida simples mas contagiante de Chad em "Monkey Man" e a cadencia de "You Got Soul", com agudos lá em cima. "The Divine", com violão, voz e as cordas da orquestra, é realmente um momento divino, muito bela e com uma letra bastante trágica. Vale citar também outro Chilli Pepper no disco, com a participação de John Frusciante em "This is How I Feel", com um solo bem simples, como sempre, mas com sucesso. A faixa realmente tem um instrumental que remete à banda californiana e da até para imaginar Anthony Kiedis tentando alcançar os agudos de Hughes. Seria no mínimo engraçado.
Na parte gráfica, Hughes tem se especializado em fazer capas bizarras e esta é particularmente horrível. Como o que importa, no fim das contas, é o som, melhor deixar pra lá... Fato é que, sem se repetir e com um formato que dá uma nova cara à sua música, Hughes segue fazendo com que seus discos solos soem interessantes e, para quem é fã de seu trabalho, vale muito a pena dar uma conferida, mesmo não sendo um disco que entrará para a história. Além disso, o vocalista/baixista está com novo som na praça, mais voltado para as guitarras, então já são duas opções para curtir.
Track List:
1. "The Valiant Denial"
2. "Steppin' On"
3. "Monkey Man"
4. "This House"
5. "You Got Soul"
6. "Frail"
7. "Black Light"
8. "Too High"
9. "This is How I Feel"
10. "The Divine"
Formação:
Glenn Hughes – voz, baixo, "funk eletric guitars" e violão
Chad Smith – bateria
J.J. Marsh – guitarra
John Frusciante – guitarra (faixa 9)
Mark Kilian – teclado e arranjo de cordas (The House of the Divine String Section)
Lançamento nacional – Hellion Records
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