Whitesnake: alguns tropeços e saldo positivo

Resenha - Live... In the Shadow of the Blues - Whitesnake

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Por Maurício Dehò
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Nota: 8

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.


Como é bom poder ver e ouvir o Whitesnake com o pique e a qualidade de outros tempos, não? Antes de dar um presente aos fãs com o novo e já aclamado disco "Good to Be Bad" David Coverdale e sua big band, formada pelo veteranaço Tommy Aldridge (bateria), Reb Beach e Doug Aldrich (guitarras), Uriah Duffy (baixo) e Timoty Drury (teclados), resolveram soltar um aperitivo, este "Live... in the Shadow of the Blues".
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O grande destaque deste lançamento é a oportunidade de se ouvir quatro faixas inéditas (e com a qualidade lá em cima) do Whitesnake, após um hiato de 11 anos, já que o último disco havia sido "Restless Heart", de 1997. Mas, antes disso, comemorando 30 anos da estréia do grupo, aparecem vinte faixas gravadas em algum local do globo (e não creditadas aos respectivos lugares).

No geral, o disco é um excelente registro, até porque é o primeiro ao vivo "convencional" do Whitesnake desde 1980, com "Live... In the Heart of the City" – o não convencional foi "Starkers in Tokyo", de 1997, cujo formato teve apenas a voz de Coverdale e no violão de Adrian Vandenberg. A seleção das faixas é excepcional, apesar de a ordem ser um tanto bizarra. Afinal, ninguém avisou a Coverdale que seria um disco duplo? Pois no fim da infalível "Still of the Night", última do primeiro CD, ele já diz adeus à platéia.

Fora isso, falta credibilidade à expressão "ao vivo" por dois motivos:

1 – como foi dito, os locais de gravação não são creditados;

2 – o som é todo muito perfeito e retocado, uma prova de que horas foram gastas no estúdio, bem além das que foram usadas nas apresentações na banda.

Fora isso, quando se pode ler a frase "Todas as faixas foram gravadas no certamente esplêndido sistema de Protools" no encarte, já se imagina que os mixadores exageraram um bocado na dose. Mas isso não tira o brilho por completo. Basta ouvir uma seqüência de canções que começa com os berros de Coverdale em "Slide It In" e segue tirando o fôlego do ouvinte: "Slow & Easy", "Love Ain't No Stranger", a zeppeliniana "Judgment Day" e a bela "Is This Love". No primeiro disco destacam-se ainda a deliciosa "Fool For Your Loving" e o clássico "Here I Go Again".

Na segunda parte, o medley "Burn - Stormbringer" sempre é um presente e há até espaço para a excelente e muito bonita "The Deeper the Love", encerrando o ao vivo em "Take Me With You", do "Trouble" (1978). Também, é claro, "Walking in the Shadow of the Blues", que deu nome ao disco e mostra todo o lado Blues, que é uma das características fundamentais do Whitesnake.

Bem, como dito antes, o que importa neste disco duplo foi a comprovação de que o Whitesnake tinha pique para voltar ao estúdio com composições que fossem à altura das assinaturas que contém. E as quatro o fizeram. Começando por "Ready to Rock", que se quer moderninha, mas tem os dois pés nos anos 80 e mostra que o sexteto está mais que pronto para mandar ver no Rock. Já "If You Want Me" é a consagração da dupla Aldrich e Beach, nas seis cordas, com linhas inspiradas e uma sonoridade que combina melodia e peso, além de grandes solos.

"All I Want Is You" é a já aguardada baladinha, com Coverdale mostrando que segue talentoso tanto em seus berros quanto nos vocais mais graves e sóbrios. E "Dog" é a mais acelerada, com grandes riffs – sim, Aldrich tem uma baita influência de Zakk Wylde, além de parecer com o braço-direito de Ozzy, nos velhos tempos! Com um título como este, só imagine o quão engraçada é a letra: "Eu quero uivar para você baby". Só por isso poderia se tornar um clássico!

Com tropeços aqui e som do bom ali, o saldo é positivo, confirmado pelo mais recente disco. Coverdale canta como sempre e a banda mostra sua cara. Depois deste ao vivo, o grupo ainda deve um novo disco nestes moldes, em que se possa ter 100% certeza de que são seis caras dando o sangue no palco, sem maquiagens de recursos tecnológicos. Mas, está provado: o Whitesnake voltou para ficar. Pelo menos é o que todos os fãs de um bom Hard Rock esperam. Amém!

CD 1
1. "Bad Boys"
2. "Slide It In"
3. "Slow & Easy"
4. "Love Ain't No Stranger"
5. "Judgement Day"
6. "Is This Love"
7. "Blues for Mylene"
8. "Snake Dance"
9. "Crying in the Rain"
10. "Ain't No Love in the Heart of the City"
11. "Fool for Your Loving"
12. "Here I Go Again"
13. "Still of the Night"

CD 2
1. "Burn – Stormbringer"
2. "Give Me All Your Love Tonight"
3. "Walking in the Shadow of the Blues"
4. "The Deeper the Love"
5. "Ready an' Willing"
6. "Don't Break My Heart Again"
7. "Take Me with You"
8. "Ready to Rock" (inédita)
9. "If You Want Me" (inédita)
10. "All I Want Is You" (inédita)
11. "Dog" (inédita)

Formação:
David Coverdale : vocal
Doug Aldrich : guitarra
Reb Beach : guitarra
Timothy Drury : teclado
Uriah Duffy : baixo
Tommy Aldridge : bateria

Lançamento nacional – Hellion Records

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Sobre Maurício Dehò

Nascido em 1986, é mais um "maidenmaníaco". Iniciou-se no metal ao som da chuva e dos sinos de "Black Sabbath", aos 11 anos, em Jundiaí/SP. Hoje morando em São Paulo, formou-se em jornalismo pela PUC e é repórter de esportes, sem deixar de lado o amor pela música (e tentando fazer dela um segundo emprego!). Desde meados de 2007, também colabora para a Roadie Crew. Tratando-se do duo rock/metal, é eclético, ouvindo do hard rock ao metal mais extremo: Maiden, Sabbath, Kiss, Bon Jovi, Sepultura, Dimmu Borgir, Megadeth, Slayer e muitas, muitas outras. E é de um quarteto básico que espera viver: jornalismo, esporte, música e amor (da eterna namorada Carol).

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