Nuclear Blast Allstars: astros fora de seu normal
Resenha - Out of the Dark - Nuclear Blast Allstars
Por Maurício Dehò
Postado em 25 de maio de 2008
Nota: 9 ![]()
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Na comemoração de 20 anos de sua fundação, a gravadora alemã Nuclear Blast lançou dois discos especiais em que duas estrelas de seu cast escreveram para outros artistas renomados cantarem. Em "Into the Light", Victor Smolski, guitarrista do Rage, compôs músicas para uma série de vocalistas de bandas "melódicas" da gravadora – veja resenha no link abaixo. Explorando seus contratados mais sombrios, a segunda parte do projeto veio com "Out of the Dark", liderada pelo renomado Peter Wichers, ex-guitarrista e compositor no Soilwork.

Como aconteceu com Smolski, o desafio de Wichers foi adaptar suas composições aos vocalistas com quem trabalhou, até porque são vozes bastante diferentes. Ele também não podia deixar seus "convidados" à vontade, mas precisava tirá-los da normalidade de seus trabalhos originais. E esse é o charme do negócio, que permite uma diversidade muito grande nos sons – vale lembrar que a gravadora Roadrunner, foi a pioneiro desta idéia, fazendo isso com seu cast, em 2005, no "Roadrunner United".
Quem dá as caras primeiro é Anders Fridén, vocalista do In Flames, em "Dysfunctional Hours". Longe de sua casa, ele aparece numa faixa mais lenta do que está acostumado, mas mantendo seu timbre agressivo e em certos pontos, alguns sussurros. Wichers, que cuida das guitarras, baixo e teclados, mantém uma constante nas dez faixas do disco, de misturar peso com muita melodia – o que até é uma característica do próprio sueco e de sua ex-banda. Além disso, ele buscou trabalhar muito as faixas, explorando sonoridades não usuais, fazendo muitas linhas de guitarras simultâneas e deixando o som bem completo, cheio.
Representando o Hypocrisy, o líder Peter Tägtgren aparece numa faixa quebradona e com ritmos bem marcados, e também longe de seu habitat natural. Como de costume, a qualidade do sueco é inegável e as linhas de voz muito marcantes. Os momentos mais marcantes ficam com o finlandês Jari Mäenpää, do Wintersun, numa das faixas mais rápidas (240 BPMs, segundo Jari diz no encarte) e um trabalho excelente nas linhas vocais, e Maurizio Iacono, do Kataklysm, com a veloz e brutal "Cold is My Vengeance", cheia de blast beats.
Entre os que quem fogem mais dos estilos que os consagraram estão John Bush, que canta na interessante "Paper Trail", com riffs bem de Rock, influenciada por The Hellacopters, mas com mais peso. E também o ex-companheiro de Peter no Soilwork Bjorn "Speed" Strid, cantando numa música bem mais leve que o usual, cheia de belas melodias. Mas ele avisa: "não se acostumem".
Há ainda a dupla Richard Sjunnesson e Roland Johansson, da banda Sonic Syndicate, numa faixa com muitas variações entre os vocais limpos e gritados; riffs com afinação mega-grave de "Closer to the Edge", com Guillaume Bideau, do Mnemic, e as grandes linhas agudas de Mark Osegued, do Death Angel, em "My Name is Fate".
São apenas 40 minutos em 10 faixas, mas o suficiente para provar mais uma vez o talento de Wichers como compositor, músico e produtor. Apesar de seguir suas características de misturar peso e melodia durante as composições, ficando bem próximo do seu tradicional Death Melódico, ele conseguiu variar bastante e atingir aspectos de cada vocalista que até então eram desconhecidos em suas bandas originais. Vale destacar ainda o trabalho dos bateristas Dirk Verbeuren (Soilwork) e Henry Ranta (ex-Soilwork), que se revezam nas canções e fazem um trabalho muito bom.
Como bônus, há ainda um segundo disco contendo músicas de outras bandas do cast da Nuclear Blast, entre elas algumas faixas raras. É o caso do Dimmu Borgir, com "The Ancestral Fever", bônus europeu do "In Sorte Diaboli", e Exodus, com "Purge the World", que saiu na versão japonesa do "Shovel Headed Kill Machine". Aparecem ainda Agnostic Front, Messhugah, Epica fazendo o cover de "Replica", do Fear Factory, Immortal, Nile, entre outros, totalizando 10 músicas.
Track List:
1. "Dysfunctional Hours" (com Anders Fridén - In Flames)
2. "Schizo" (com Peter Tägtgren - Hypocrisy)
3. "Devotion" (com Jari Mäenpää - Wintersun)
4. "The Overshadowing" (com Christian Älvestam - Scar Symmetry)
5. "Paper Trail" (com John Bush - ex-Anthrax)
6. "The Dawn of All" (com Bjorn "Speed" Strid - Soilwork)
7. "Cold Is My Vengeance" (com Maurizio Iacono - Kataklysm)
8. "My Name Is Fate" (com Mark Osegueda - Death Angel)
9. "The Gilded Dagger" (com Richard Sjunnesson e Roland Johansson - Sonic Syndicate)
10. "Closer to the Edge" (com Guillaume Bideau - Mnemic)
CD Bônus:
1. Dimmu Borgir – "The Ancestral Fever" (Bônus EUA - "In Sorte Diaboli")
2. Immortal – "Tyrants"
3. Nile – "As He Creates, So He Destroys"
4. Exodus – "Purge the World" (Bônus japonês - "Shovel Headed Kill Machine")
5. Bleed the Sky – "The Martyr"
6. Meshuggah – "Futile Breed Machine" (do EP "The True Human Design")
7. Epica – "Replica" (cover do Fear Factory)
8. All Shall Perish – "Prisoner of War"
9. Agnostic Front – "All is Not Forgotten"
10. Threat Signal – "Counterbalance"
Formação:
Peter Wichers – guitarra, baixo e teclado
Dirk Verbeuren – bateria (1, 2, 5, 6, 8)
Henry Ranta – bateria (3, 4, 7, 9, 10)
Lançamento Nacional
Nuclear Blast/Laser Company/Rock Brigade Records
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